'Para os comunistas com medo da China' (facó)

É necessário cuidado ao se tratar desse assunto. Nenhum esforço de conhecimento econômico fora o marxismo seria capaz de levar a China a tamanho desenvolvimento em tão pouco tempo e por períodos tão prolongados sem crises agudas.

'Para os comunistas com medo da China' (facó)

Por facó para a Tribuna de Debates Preparatória do XVII Congresso Extraordinário.

Escrevo essa tribuna após acompanhar desde março as diversas outras tribunas sobre a questão da China e me reencontrar com os textos clássicos. A existência da China moderna nos obriga inevitavelmente à esse debate, porém, me ficou claro que nossas discordâncias não se encontram diretamente na China, mas sobre o que é o Monopólio capitalista, o que é o Estado, o que é o Socialismo, e o que é o Imperialismo, em geral estamos tendo discordâncias no processo de superação do capitalismo e na formação de condições para essa mesma superação, essas são nossas maiores dúvidas. Caso concordássemos em todas essas questões, nossas tribunas não se expandiram em um conglomerado complexo de diversas linhas políticas. A questão da China foi capaz de abrir uma “caixa de pandora” em nosso partido, e através dela temos a chance de nos encontrar com o leninismo.

Leiam Marx, Engels e Lenin, gostoso demais!

Como resposta prática ao nosso principal problema nesse debate: é necessário mais formação teórica em nosso partido. Somente através da leitura da teoria marxista-leninista podemos atingir uma compreensão leninista sobre a situação geopolítica e nosso futuro processo revolucionário. Nesse sentido, esta tribuna não pretende ensinar marxismo e leninismo, justamente porque não sou um especialista no assunto e nesse sentido eu posso também cometer erros, o propósito dela consiste em usar do acúmulo marxista e de seus pensadores para tentar compreender as questões levantadas nas recentes tribunas sobre a China e com isso incentivar a leitura da teoria marxista. Dessa forma, aos camaradas que minha tribuna estimular o debate, eu peço com respeito para que me provem onde minha interpretação está errada, ou se ousarem, apontem onde Marx, Engels e Lenin erraram.

O que são os monopólios capitalistas?

“Há meio século, quando Marx escreveu O Capital , a livre concorrência era, para a maior parte dos economistas, uma lei natural. A ciência oficial procurou aniquilar, por meio da conspiração do silêncio, a obra de Marx, que tinha demonstrado, com uma análise teórica e histórica do capitalismo, que a livre concorrência gera a concentração da produção, e que a referida concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. Agora o monopólio é um facto.” - Lenin I - A Concentração da Produção e os Monopólios
“O velho capitalismo caducou. O novo constitui uma etapa de transição para algo diferente. Encontrar "princípios firmes e fins concretos" para a "conciliação" do monopólio com a livre concorrência é, naturalmente, uma tentativa votada ao fracasso. As confissões dos homens práticos ressoam de maneira muito diferente dos elogios do capitalismo «organizado»

(...) O século XX assinala, pois, o ponto de viragem do velho capitalismo para o novo, da dominação do capital em geral para a dominação do capital financeiro.” - Lenin II - Os Bancos e seu Novo papel

Os monopólios são portanto resultantes do desenvolvimento “natural” do capital. Então ao que o monopólio resulta?

“A concorrência transforma-se em monopólio. Daí resulta um gigantesco progresso na socialização da produção. Socializa-se também, em particular, o processo dos inventos e aperfeiçoamentos técnicos.

Isto nada tem já que ver com a antiga livre concorrência entre patrões dispersos que se não conheciam e que produziam para um mercado ignorado. A concentração chegou a tal ponto que se pode fazer um inventário aproximado de todas as fontes de matérias-primas (por exemplo, jazigos de minérios de ferro) de um país, e ainda, como veremos, de vários países e de todo o mundo. Não só se realiza este inventário, mas também associações monopolistas gigantescas se apoderam das referidas fontes. Efectua-se o cálculo aproximado da capacidade do mercado, que estes grupos «partilham» entre si por contrato. Monopoliza-se a mão-de-obra qualificada, contratam-se os melhores engenheiros; as vias e meios de comunicação - as linhas férreas na América e as companhias de navegação na Europa e na América - vão parar às mãos dos monopólios. O capitalismo, na sua fase imperialista, conduz à socialização integral da produção nos seus mais variados aspectos; arrasta, por assim dizer, os capitalistas, contra sua vontade e sem que disso tenham consciência, para um novo regime social, de transição entre a absoluta liberdade de concorrência e a socialização completa.

A produção passa a ser social, mas a apropriação continua a ser privada. Os meios sociais de produção continuam a ser propriedade privada de um reduzido número de indivíduos. Mantém-se o quadro geral da livre concorrência formalmente reconhecida, e o jugo de uns quantos monopolistas sobre o resto da população torna-se cem vezes mais duro, mais sensível, mais insuportável.” - Lenin I - A Concentração da Produção e os Monopólios
"Nos trustes, a livre concorrência transforma-se em monopólio e a produção sem plano da sociedade capitalista capitula ante a produção planificada e organizada da nascente sociedade socialista. É claro que, no momento, em proveito e benefício dos capitalistas. Mas aqui a exploração torna-se tão patente, que tem forçosamente de ser derrubada. Nenhum povo toleraria uma produção dirigida pelos trustes, uma exploração tão descarada da coletividade por uma pequena quadrilha de cortadores de cupões." - Engels Friederich Engels: Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico - p3

Nessa fase de desenvolvimento os monopólios passam a se organizar para um amplo controle da economia de um país ou vários países, criando circunstâncias e leis de comércio, além de uma ampla capacidade de cálculo e planejamento econômico entre seus mercados. Já o capitalista passa a ser um observador mantendo somente da apropriação privada, não mais tendo capacidade de individualmente compreender ou guiar toda a gigantesca produção, sendo essa agora gerida integralmente pelos trabalhadores. Mas e quanto aos capitalistas fora do monopólio?

“Não nos encontramos já em presença da luta da concorrência entre pequenas e grandes empresas, entre estabelecimentos tecnicamente atrasados e estabelecimentos de técnica avançada. Encontramo-nos perante o estrangulamento, pelos monopolistas, de todos aqueles que não se submetem ao monopólio, ao seu jugo, à sua arbitrariedade.

(...) o desenvolvimento do capitalismo chegou a um ponto tal que, ainda que a produção mercantil continue «reinando» como antes, e seja considerada a base de toda a economia, na realidade encontra-se já minada e os lucros principais vão parar aos «gênios» das maquinações financeiras. Estas maquinações e estas trapaças têm a sua base na socialização da produção, mas o imenso progresso da humanidade, que chegou a essa socialização, beneficia ... os especuladores.” - Lenin I - A Concentração da Produção e os Monopólios
“A supressão das crises pelos cartéis é uma fábula dos economistas burgueses, que põem todo o seu empenho em embelezar o capitalismo. Pelo contrário, o monopólio que se cria em certos ramos da indústria aumenta e agrava o caos próprio de todo o sistema da produção capitalista no seu conjunto. Acentua-se ainda mais a desproporção entre o desenvolvimento da agricultura e o da indústria, desproporção que é característica do capitalismo em geral.

(...) E as crises - as crises de toda a espécie, sobretudo as crises económicas, mas não só estas - aumentam por sua vez em proporções enormes a tendência para a concentração e para o monopólio.”  - Lenin I - A Concentração da Produção e os Monopólios 

Os capitalistas “não monopolistas” são então esmagados pela crise agudizada do capitalismo monopolista. Mas como os monopólios se compõem em suas redes de domínio na economia?

“Os capitalistas dispersos acabam por constituir um capitalista coletivo. Ao movimentar contas correntes de vários capitalistas, o banco realiza, aparentemente, uma operação puramente técnica, unicamente auxiliar. Mas quando esta operação cresce até atingir proporções gigantescas, resulta que um punhado de monopolistas subordina as operações comerciais e industriais de toda a sociedade capitalista, colocando-se em condições - por meio das suas relações bancárias, das contas correntes e de outras operações financeiras” - Lenin https://www.marxists.org/portugues/lenin/1916/imperialismo/cap2.htm
“Por conseguinte, os grandes monopólios capitalistas vão surgindo e desenvolvendo-se, por assim dizer, aperfeiçoando-se a todo o vapor, seguindo todos os caminhos"naturais " e "sobrenaturais". Estabelece-se sistematicamente uma determinada divisão do trabalho entre várias centenas de reis financeiros da sociedade capitalista atual” - Lenin II - Os Bancos e o seu Novo Papel
“O capital financeiro, concentrado em muito poucas mãos e gozando do monopólio efetivo, obtém um lucro enorme, que aumenta sem cessar com a constituição de sociedades, emissão de valores, empréstimos do Estado, etc., consolidando a dominação da oligarquia financeira e impondo a toda a sociedade um tributo em proveito dos monopolistas.” - Lenin III - O Capital Financeiro e a Oligarquia Financeira 

A oligarquia, portanto, nasce como resultado da fusão dos monopólios com os bancos privados, possibilitando uma rede imensa de controle de capital que se conecta sob o domínio dos bancos privados, assim, toda pequena empresa passa a ser sujeita ao domínio monopolista. 

“Nestes países atrasados o lucro é em geral elevado, pois os capitais são escassos, o preço da terra e os salários relativamente baixos, e as matérias-primas baratas. A possibilidade da exportação de capitais é determinada pelo fato de uma série de países atrasados terem sido já incorporados na circulação do capitalismo mundial, terem sido construídas as principais vias férreas ou iniciada a sua construção, terem sido asseguradas as condições elementares para o desenvolvimento da indústria, etc. A necessidade da exportação de capitais obedece ao fato de que em alguns países o capitalismo "amadureceu excessivamente" e o capital (dado o insuficiente desenvolvimento da agricultura e a miséria das massas) carece de campo para a sua colocação "lucrativa"” - Lenin IV - A Exportação de Capital 
“Num relatório do cônsul austro-húngaro em São Paulo (Brasil) diz-se: "A construção dos caminhos-de-ferro brasileiros realiza-se, na sua maior parte, com capitais franceses, belgas, britânicos e alemães; os referidos países, ao efetuarem-se as operações financeiras relacionadas com a construção de caminhos-de-ferro, reservam-se as encomendas de materiais de construção ferroviária."

O capital financeiro estende assim as suas redes, no sentido literal da palavra, em todos os países do mundo. Neste aspecto desempenham um papel importante os bancos fundados nas colônias, bem como as suas sucursais.

(...) Os países exportadores de capitais dividiram o mundo entre si, no sentido figurado do termo. Mas o capital financeiro também conduziu à partilha direta do mundo.“ - Lenin IV - A Exportação de Capital
“As associações de monopolistas capitalistas - cartéis, sindicatos, trusts partilham entre si, em primeiro lugar, o mercado interno, apoderando-se mais ou menos completamente da produção do país. Mas sob o capitalismo o mercado interno está inevitavelmente entrelaçado com o externo. Há já muito que o capitalismo criou um mercado mundial. E à medida que foi aumentando a exportação de capitais e se foram alargando, sob todas as formas as relações com o estrangeiro e com as colônias e as "esferas de influência" das maiores associações monopolistas, a marcha "naturaL" das coisas levou a um acordo universal entre elas, à constituição de cartéis internacionais.” - Lenin V - A Partilha do Mundo entre as Associações de Capitalistas

O capital financeiro aproveita da possibilidade de lucro nos “países atrasados” e com a implantação do capitalismo ele exporta capital em um processo contínuo de endividamento dessas antigas colônias, sujeitando os pequenos burgueses e capitalistas privados ao domínio bancário das associações monopolistas, esmagando o possível desenvolvimento nacional desses países, já que o desenvolvimento passa a ser guiado internacionalmente. Assim começa a se caracterizar o imperialismo.

O que é o Estado?

De acordo com nossos camaradas podemos extrair a seguinte definição:

“(...) o Estado é um elemento central na consolidação do socialismo-comunismo dentro da doutrina marxista. (...) 

O Estado é em realidade, uma arma: instrumento que à serviço da burguesia oprime e permite a exploração do proletariado - e o nosso objetivo não é que essa arma continue existindo (isso porque ela só existe porque alguém a empunha e alguém fica sob sua mira) mas antes de a destruir, precisamos primeiro enquanto proletariado: toma-la da burguesia.” - Felix Bouard 'China, Rússia, ditadura do proletariado e socialismo' (Felix Bouard) 

As definições extraídas percorrem exatamente a importância e necessidade do estado na transição socialista. Porém, como esse aparato de dominação de classe pode ser utilizado pelo proletariado?

"E o que é o Estado? É a organização da classe dominante; na Alemanha, por exemplo, dos junkers e dos capitalistas. Por isso, aquilo a que os Plekhánov alemães (Scheidemann, Lensch e outros) chamam o «socialismo de guerra», é de facto o capitalismo monopolista de Estado de guerra ou, falando mais simples e claramente, um presídio militar para os operários, uma protecção militar dos lucros dos capitalistas.

Pois bem, e se tentardes substituir o Estado dos capitalistas e dos junkers, o Estado dos capitalistas e dos latifundiários, pelo Estado democrático-revolucionário, isto é, que destrua revolucionariamente todos os privilégios, que não receie aplicar revolucionariamente o mais completo democratismo? Vereis que num Estado verdadeiramente democrático-revolucionário o capitalismo monopolista de Estado significa inevitavelmente, infalivelmente, um passo ou passos para o socialismo!" - Lenin A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la

Mas o que seria essa democracia revolucionária?

“Se as palavras «democracia revolucionária» são usadas não como uma frase pomposa e estereotipada, não como um epíteto convencional, mas reflectindo sobre o seu significado, ser democrata significa de facto ter em conta os interesses da maioria do povo e não da minoria, ser revolucionário significa destruir da maneira mais decidida e mais implacável tudo o que é nocivo, caduco.” - Lenin A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la

Dessa forma, o estado que verdadeiramente representa a maioria do povo é então um estado que está à passos em direção ao socialismo. Mas como poderia um partido comunista representar a maioria do povo? Lenin expõe essa questão da seguinte forma:

“O simples fato de perguntar "ditadura do Partido ou ditadura da classe?" - "ditadura (partido) dos chefes ou ditadura (partido) das massas?" demonstra a mais incrível e irremediável confusão de ideias. Há pessoas que se esforçam para inventar alguma coisa inteiramente original e que, no seu afã de sabedoria, não conseguem senão cair no ridículo. Todos sabem que as massas se dividem em classes, que só é possível opor as massas às classes num sentido; opondo-se uma esmagadora maioria (sem dividi-la de acordo com as posições ocupadas no regime social da produção) a categorias que ocupam uma posição especial nesse regime; que as classes são, geralmente e na maioria dos casos (pelo menos nos países civilizados modernos), dirigidas por partidos políticos; que os partidos políticos são dirigidos, via de regra, por grupos mais ou menos estáveis, integrados pelas pessoas mais prestigiosas, influentes ou sagazes, eleitas para os cargos de maior responsabilidade e chamadas de chefes.” - Lenin Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo - V - O comunismo "de esquerda" na Alemanha. Chefes, Partido, Classe, Massas. 

Um partido comunista, sendo então um partido que dirige a classe proletária, é dessa forma o legítimo dirigente para o processo de transformação socialista. Mas como esse partido chega ao poder?

“(...) para alcançar a sua libertação o proletariado deve derrubar a burguesia, conquistar o poder político, estabelecer a sua ditadura revolucionária.

Agora a questão coloca-se de maneira um pouco diferente: a transição da sociedade capitalista, que se desenvolve em direcção ao comunismo, para a sociedade comunista, é impossível sem um «período de transição política», e o Estado deste período só pode ser a ditadura revolucionária do proletariado.

(...) Mas a ditadura do proletariado, isto é, a organização da vanguarda dos oprimidos como classe dominante para a repressão dos opressores, não pode conduzir a um simples alargamento da democracia. Juntamente com uma imensa ampliação do democratismo, que se transforma pela primeira vez em democratismo para os pobres, em democratismo para o povo, e não em democratismo para os ricos, a ditadura do proletariado impõe uma série de excepções à liberdade em relação aos opressores, aos exploradores, aos capitalistas. Temos de os reprimir para libertar a humanidade da escravidão assalariada, é preciso quebrar a sua resistência pela força; é claro que, onde há repressão, há violência, não há liberdade, não há democracia.” - Lenin O Estado e a Revolução - 2. A Transição do Capitalismo para o Comunismo

Portanto o partido proletário deve derrubar o poder político da burguesia e estabelecer seu poder político assim por fim estabelecendo um estado democrático revolucionário que é capaz reprimir os privilégios dos capitalistas e latifundiários.

O que é o socialismo e sua transição?

De acordo com nossos camaradas podemos extrair as seguintes definições:

"Socialismo é a fase inferior do comunismo" - L. Queen 'A vulgarização do marxismo, a China e a Estratégia da Revolução Brasileira (uma resposta aos camaradas Yuri Miyamoto e Ouriço Azul)' (L. Queen)
“A ditadura do proletariado, portanto, é o período de transição entre o capitalismo e o socialismo (ou fase inferior do comunismo, como traremos logo mais), onde o proletariado toma o controle do “Estado”” - Doni 'Existe socialismo no século XXI?' (Doni)

Com isso podemos concluir que é necessário o capitalismo e a ditadura do proletariado para realizar a transição para o socialismo que é a fase inferior do comunismo. Mas como essa transição vai ocorrer?

"Os nossos socialistas-revolucionários e mencheviques abordam a questão do socialismo de uma forma doutrinária, do ponto de vista de uma doutrina que aprenderam de cor e compreenderam mal. Apresentam o socialismo como um futuro longínquo, desconhecido e nebuloso.

Mas agora o socialismo olha-nos através de todas as janelas do capitalismo atual, o socialismo aparece diretamente, na prática, em cada medida importante que constitui um passo em frente na base deste capitalismo moderno.

O que é o trabalho geral obrigatório?

É um passo em frente na base do capitalismo monopolista moderno, um passo no sentido da regulação da vida económica no seu conjunto segundo um determinado plano geral, um passo para a poupança do trabalho do povo para evitar o seu absurdo desperdício pelo capitalismo.

Na Alemanha os junkers (latifundiários) e os capitalistas introduzem o trabalho geral obrigatório, e então ele torna-se inevitavelmente um presídio militar para os operários.

Mas tomai essa mesma instituição e pensai na sua importância num Estado democrático-revolucionário. O trabalho geral obrigatório introduzido, regulado e dirigido pelos Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses não é ainda socialismo mas já não é capitalismo. É um enorme passo para o socialismo, um passo do qual, sendo assegurada uma completa democracia, é impossível recuar para o capitalismo sem violências inauditas sobre as massas." - Lenin A Catástrofe que nos Ameaça e como Combatê-la.  

Nesse trecho Lenin descreve que a transição para o socialismo se posiciona logo à frente do estágio do capitalismo de Estado. Argumentando que em condições de guerra o capital monopolista é utilizado até seu limite anterior ao socialismo, como por exemplo pela implementação do trabalho geral obrigatório, contudo, somente um estado democrático-revolucionário é capaz de terminar essa transição. Mas como poderia então o capitalismo de Estado nos aproximar do socialismo, não seriam os socialistas responsáveis por “combater” o “capitalismo”?

"Mas não pensaram em que o capitalismo de Estado seria um passo em frente face à situação atual na nossa República Soviética. Se, por exemplo, dentro de meio ano se estabelecesse no nosso país o capitalismo de Estado, isso seria um imenso êxito e a mais firme garantia de que, ao cabo de um ano, o socialismo se consolidaria definitivamente e se tornaria invencível.

Imagino a nobre indignação com que o «comunista de esquerda» repudiará estas palavras e a «crítica demolidora» que dirigirá aos operários contra o «desvio bolchevique de direita». Como? Na República Socialista Soviética a passagem ao capitalismo de Estado significaria um passo em frente?... Não será isto uma traição ao socialismo?

Precisamente aqui reside a raiz do erro económico dos «comunistas de esquerda». É precisamente neste ponto que é preciso, por isso, determo-nos mais pormenorizadamente.

Em primeiro lugar, os «comunistas de esquerda» não compreenderam qual é precisamente a transição do capitalismo ao socialismo que nos dá direito e fundamento para nos denominarmos República Socialista dos Sovietes.

Em segundo lugar, revelam o seu espírito pequeno-burguês precisamente em não verem o elemento pequeno-burguês como inimigo principal do socialismo no nosso país.

Em terceiro lugar, ao avançarem com o espantalho do «capitalismo de Estado», demonstram não compreender o Estado soviético na sua diferença económica do Estado burguês." - Lenin Acerca do Infantilismo "de Esquerda" e do Espírito Pequeno-Burguês

Lenin então, expõe claramente que o capitalismo de estado é um passo de transição ao socialismo, mesmo que em seus elementos não sejam unicamente capitalistas nem completamente socialistas. Portanto, não fazendo sentido a categorização de “socialismo de mercado” como bem apontado por nosso camarada:

“É preciso pontuar que não existe “socialismo de mercado”, tal como o camarada diz, no pensamento econômico marxista-leninista. Essa categoria de análise é fruto da revisão do marxismo-leninismo (...) e os camaradas que querem defender o mercado como elemento de um capitalismo monopolista estatal de um estado operário, não podem fazer usando categorias de análise frutos da revisão do marxismo-leninismo sem justificar propriamente tal revisão e do porquê as categorias ortodoxas são insuficientes. Na análise marxista-leninista da transição socialista, existe  uma separação cristalina entre a parcela da economia socialista e a parcela da economia capitalista. Por isso é um erro de categoria dizer que a parcela econômica capitalista (seja ela privada ou na forma de monopólio estatal) é “socialismo de mercado” - Glushkovinho 'Ensaios sobre a ortodoxia do pensamento econômico marxista-leninista (parte 1): Por que não defendemos modelo Chinês' (camarada Glushkovinho) 

Porém, o que nos falta é justamente reconhecer a necessidade de desenvolver um capitalismo de Estado para ter a possibilidade de transição socialista, como o próprio Lenin exemplifica:

"Ainda não houve, parece-me, uma única pessoa que ao ocupar-se da questão da economia da Rússia tenha negado o caráter de transição dessa economia. Nenhum comunista negou, parece-me, que a expressão República Socialista Soviética significa a decisão do Poder Soviético de realizar a transição para o socialismo, mas de modo algum o reconhecimento da nova ordem econômica como socialista.
Mas o que significa a palavra transição? Não significará, aplicada à economia, que no regime actual existem elementos, partículas, pedaços tanto de capitalismo como de socialismo? Todos reconhecem que sim. Mas nem todos, ao reconhecerem isto, reflectem sobre precisamente que elementos das diferentes estruturas económicas e sociais existem na Rússia. E nisto está toda a essência da questão.

Enumeramos esses elementos:

economia camponesa, patriarcal, isto é, natural em grau significativo:

pequena produção mercantil (isto inclui a maioria dos camponeses que vendem cereais);

capitalismo privado;

capitalismo de Estado;

socialismo.

A Rússia é tão grande e tão variada que nela se entrelaçam todos esses tipos diferentes de estrutura económico-social. A peculiaridade da situação consiste precisamente nisso." - Lenin Acerca do Infantilismo "de Esquerda" e do Espírito Pequeno-Burguês

Para Lenin então, mesmo que existam na economia de um país democrático revolucionário elementos Camponeses, de Pequena produção mercantil, de Capitalismo privado, de Capitalismo de Estado e Socialismo, a transição se dá pelo predomínio de um elemento sobre o outro.

“Pergunta-se: que elementos predominam? (...) A luta principal trava-se precisamente neste domínio. Entre quem e quem se trava essa luta, se falarmos nos termos das categorias econômicas, como, por exemplo, o «capitalismo de Estado»? Entre os degraus quarto e quinto na ordem pela qual os enumerei agora? Naturalmente que não. Não é o capitalismo de Estado que luta aqui contra o socialismo, mas é a pequena burguesia mais o capitalismo privado que lutam juntos, de comum acordo, tanto contra o capitalismo de Estado como contra o socialismo. A pequena burguesia resiste contra qualquer intervenção do Estado, registo e controlo tanto capitalista de Estado como socialista de Estado. Isso é um facto da realidade absolutamente indiscutível, em cuja incompreensão reside a raiz do erro económico dos «comunistas de esquerda». 

Os que não vêem isso revelam precisamente com a sua cegueira que são prisioneiros dos preconceitos pequeno-burgueses. Assim precisamente são os nossos «comunistas de esquerda», que em palavras (e na sua mais sincera convicção, naturalmente) são inimigos implacáveis da pequena burguesia, mas, de facto, não fazem mais do que ajudá-la, não fazem mais do que servi-la, não fazem mais do que exprimir o seu ponto de vista, lutando — em Abril de 1918!! — contra... o «capitalismo de Estado»! Erraram profundamente!” - Lenin Acerca do Infantilismo "de Esquerda" e do Espírito Pequeno-Burguês 
“O capitalismo de Estado é incomparavelmente superior, do ponto de vista económico, à nossa economia atual, isto em primeiro lugar.

E em segundo lugar, nada há nele de temível para o Poder Soviético, pois o Estado soviético é um Estado onde está assegurado o poder dos operários e dos pobres. Os «comunistas de esquerda» não compreenderam estas verdades indiscutíveis, que, naturalmente, jamais compreenderá o «socialista-revolucionário de esquerda», incapaz em geral de associar na cabeça quaisquer ideias sobre economia política, mas que todo o marxista será obrigado a reconhecer. Não vale a pena discutir com o socialista-revolucionário de esquerda, basta apontá-lo a dedo como um «exemplo repulsivo» de charlatão, mas com o «comunista de esquerda» é preciso discutir, pois aqui o erro é cometido por marxistas, e a análise dos seus erros ajudará a classe operária a encontrar o caminho certo.” - lenin Acerca do Infantilismo "de Esquerda" e do Espírito Pequeno-Burguês
“O caso ou o exemplo mais simples de como o Poder Soviético dirige desenvolvimento do capitalismo para a via do capitalismo de Estado, como «implanta» o capitalismo de Estado, são as concessões. Agora todos estão de acordo em que as concessões são necessárias, mas nem todos refletem sobre a importância das concessões. O que são as concessões no sistema soviético, do ponto de vista das estruturas económico-sociais e correlação entre elas? São um acordo, um bloco, uma aliança do poder de Estado soviético, isto é, proletário, com o capitalismo de Estado, contra o elemento pequeno-proprietário (patriarcal e pequeno-burguês). O concessionário é um capitalista. Dirige as coisas à maneira capitalista, com o objectivo de obter lucros, estabelece um acordo com o poder proletário a fim de obter lucros extra, superiores aos habituais, ou de obter um tipo de matérias-primas que doutro modo não poderia conseguir ou que dificilmente poderia conseguir. O Poder Soviético obtém vantagens sobre a forma do desenvolvimento das forças produtivas, do aumento imediato, ou a mais breve prazo, da quantidade de produtos. Temos, por exemplo, uma centena de explorações, minas ou florestas. Nós não podemos explorar tudo: não temos máquinas, víveres, meios de transporte suficientes. Pelo mesmo motivo exploramos mal os restantes sectores. Em consequência da má e insuficiente exploração das grandes empresas reforça-se o elemento pequeno-proprietário em todas as suas manifestações: enfraquecimento da economia camponesa vizinha (e depois também de toda a economia camponesa), declínio das suas forças produtivas, diminuição da sua confiança no Poder Soviético, pilhagem e pequena especulação em massa (a mais perigosa), etc. «Implantando» o capitalismo de Estado sob a forma de concessões, o Poder Soviético, reforça a grande produção contra a pequena, a avançada contra a atrasada, a mecanizada contra a manual” - Lenin Sobre o Imposto em Espécie (O Significado da Nova Política e as Suas Condições)

Para Lenin, sendo o capitalismo de Estado superior economicamente, faz com que os elementos pequeno burgueses e de capitalismo privado sejam constantemente oprimidos por essa mesma superioridade, assim monopolizando a produção no capitalismo de Estado, e tendo a produção monopolizada sobre o estado a transição a produção socialista é somente o passo seguinte já que a burguesia passa a ser descartável, impossibilitando por consequência a pequena burguesia e o capitalismo privado de qualquer resistência à esse processo. Nesse caso, ainda há o que temer no capitalismo de Estado chinês?

“(...) é preciso que o partido se desenvolva intelectualmente para evidenciar ao movimento comunista brasileiro as caducadas teóricas de quem defende posições nacional-desenvolvimentistas como a do “socialismo Chinês” - G. Lazzari 'Ensaios sobre a ortodoxia do pensamento econômico marxista-leninista (parte 1): Por que não defendemos modelo Chinês' (camarada Glushkovinho) 

Seria então um erro o desenvolvimento do capitalismo de Estado na China? Não seria portanto necessário o desenvolvimento das forças produtivas capitalistas até a completa socialização da produção? Qual seria o papel do desenvolvimento das forças produtivas para o socialismo? Voltaremos então a Lenin para responder essa questão:

“Mas para os próximos anos é preciso saber pensar nos elos intermédios, capazes de facilitar a passagem do regime patriarcal, de pequena produção, para o socialismo. «Nós» voltamos frequentemente a cair ainda neste raciocínio: «o capitalismo é um mal, o socialismo é um bem». Mas este raciocínio é errado, porque esquece todo o conjunto das estruturas económico-sociais existentes, abarcando apenas duas delas.

O capitalismo é um mal em relação ao socialismo. O capitalismo é um bem em relação ao medievalismo, em relação à pequena produção, em relação ao burocratismo ligado à dispersão dos pequenos produtores. Uma vez que ainda não temos forças para realizar a passagem directa da pequena produção ao socialismo, o capitalismo é em certa medida inevitável, como produto espontâneo da pequena produção e da troca, e portanto devemos aproveitar o capitalismo (principalmente dirigindo-o para a via do capitalismo de Estado) como elo intermédio entre a pequena produção e o socialismo, como meio, via, processo ou método de elevação das forças produtivas.” - Lenin Sobre o Imposto em Espécie (O Significado da Nova Política e as Suas Condições) 
“(...) não vendo o que existe nem sabendo olhar a verdade de frente, ou limitando-se a contrapor abstractamente o ‘capitalismo’ ao ‘socialismo’, não aprofundando as formas e degraus concretos dessa transição hoje no nosso país.

«Diga-se entre parênteses: é o mesmo erro teórico que fez perder o juízo dos melhores homens do campo do Nóvaia Jizn e do Vperiod: os piores e medianos dentre eles arrastam-se, obtusos e indecisos, na cauda da burguesia, assustados por ela; os melhores não compreenderam que os mestres do socialismo (Marx e Engels) não falavam gratuitamente de todo um período de transição do capitalismo para o socialismo e não sublinhavam em vão as ‘longas dores de parto’ da nova sociedade, e, além disso, esta nova sociedade é também uma abstracção, que só pode encarnar na vida através de uma série de tentativas concretas, imperfeitas e variadas, para criar este ou aquele Estado socialista.

«Precisamente porque não se pode avançar a partir da actual situação económica da Rússia sem passar pelo que é comum tanto ao capitalismo de Estado como ao socialismo (o registo e o controlo por todo o povo), é um completo absurdo teórico assustar os outros e assustar-se a si mesmo com a ‘evolução para o capitalismo de Estado’.” - Lenin Sobre o Imposto em Espécie (O Significado da Nova Política e as Suas Condições)

Dessa forma, a lógica por trás das “longas dores de parto” é o desenvolvimento das forças produtivas que avançam os “degraus” entre capitalismo e socialismo, sendo garantido pelo estado democrático revolucionário o contínuo desenvolvimento das forças produtivas. Mas afinal de contas, esses “degraus” entre capitalismo e socialismo não seriam um “etapismo”?

“Ao errar a caracterização da China hoje, irão errar também em nossa linha política nacional e renegar o caráter socialista de nossa revolução e, no fim, reproduzir etapismo, mesmo que inconscientemente.

(...) Duas Táticas da Social-democracia na Revolução Democrática, de Lênin, é um livro essencial para combatermos qualquer tipo de matizes etapistas, seja em sua forma democrática ou nacional-desenvolvimentista.” - Gabriel Xavier 'A delegação do Distrito Federal: como transformar Marx em um liberal medíocre' (Gabriel Xavier) 

Pois bem analisaremos então a questão “etapista” no livro Duas Táticas da Social-democracia na Revolução Democrática:

Pois bem analisaremos então a questão “etapista” no livro Duas Táticas da Social-democracia na Revolução Democrática:

“Todas estas teses do marxismo foram demonstradas e repetidas em todos os pormenores, tanto em geral como particularmente em relação à Rússia. E destas teses deduz-se que é uma idéia reacionária procurar a salvação da classe operária nalguma coisa que não seja o desenvolvimento do capitalismo. Em países como a Rússia, a classe operária sofre não tanto do capitalismo como da insuficiência do desenvolvimento do capitalismo. Por isso a classe operária está absolutamente interessada no mais amplo, mais livre e mais rápido desenvolvimento do capitalismo. É absolutamente vantajosa para a classe operária a eliminação de todas as reminiscências do passado que entorpecem o desenvolvimento amplo, livre e rápido do capitalismo. A revolução burguesa é precisamente uma revolução que mais decididamente varre os restos do passado, os restos do regime de servidão (a estes restos pertencem não só a autocracia, mas também a monarquia) e garante, do modo mais completo, o desenvolvimento mais amplo, mais livre, mais rápido do capitalismo. (...)Em contrapartida, é mais vantajoso para a classe operária que as transformações necessárias no sentido democrático-burguês se produzam precisamente não pela via de reformas, mas por via revolucionária, pois a via de reformas é a via das dilações, dos adiamentos, da agonia dolorosa e lenta das partes apodrecidas do organismo popular. Os que sofrem mais e em primeiro lugar com esta putrefação são o proletariado e o campesinato. A via revolucionária é a via da operação mais rápida e menos dolorosa para o proletariado, a via da eliminação directa das partes apodrecidas, a via do mínimo de concessões e cautelas em relação à monarquia e às suas correspondentes instituições repelentes, ignominiosas e apodrecidas, que envenenam a atmosfera com a sua decomposição.

O marxismo ensina o proletariado não a ficar à margem da revolução burguesa, não a ser indiferente a ela, não a entregar a sua direcção à burguesia, antes pelo contrário, a participar nela do modo mais enérgico, a lutar do modo mais decisivo pela democracia proletária consequente, para levar até ao fim a revolução. Não podemos ultrapassar os limites democrático-burgueses da revolução russa, mas podemos ampliar em proporções colossais estes limites, podemos e devemos dentro destes limites lutar pelos interesses do proletariado” - Lenin  Duas Tácticas da Social-Democracia na Revolução Democrática 

Dessa forma podemos concluir que o elemento revolucionário burguês é necessário para “varrer os restos dos antigos regimes” (principalmente no caso do Lenin sob um regime monárquico), restos estes que mantêm estruturas sociais econômicas que impedem o domínio do capitalismo de Estado. E com o capitalismo de Estado incapaz de se formar plenamente não vamos ter uma organização estatal planificada que submeta dezenas de milhões de pessoas à mais rigorosa observância de uma norma única na produção e na distribuição dos produtos. Por consequência, é inadmissível a direção da burguesia no processo revolucionário, esse desenvolvimento capitalista deve ser obrigatoriamente guiando pelo proletariado, pois ele é o único capaz de suprimir a propriedade privada para o contínuo desenvolvimento produtivo até a mais completa socialização da produção.

O que é o Socialismo de um único país?

"(...) enquanto não rebentar a revolução socialista internacional, que abarque alguns países e tenha força suficiente que lhe permita vencer o imperialismo internacional, até então, o dever directo dos socialistas que venceram num único país (particularmente se for atrasado) consiste em não aceitar o combate com os gigantes do imperialismo, em tentar evitar o combate, em esperar que o conflito dos imperialistas entre si os enfraqueça ainda mais, aproxime ainda mais a revolução nos outros países. Os nossos «esquerdas» não compreenderam esta simples verdade em Janeiro, Fevereiro e Março, também temem agora reconhecê-la abertamente; ela abre caminho através de todos os seus confusos: «por um lado, é impossível deixar de confessar, por outro lado, é preciso reconhecer»" - Lenin Acerca do Infantilismo "de Esquerda" e do Espírito Pequeno-Burguês

Eis o dever do socialismo de único país, fazer a manutenção da paz com as potências imperialistas e esperar essas mesmas potências se degladiarem em novos conflitos imperialistas. 

“Actualmente, em todos os países do mundo as pessoas discutem sobre se estalará ou não uma terceira guerra mundial. A esse respeito nós devemos estar também preparados mentalmente e proceder a uma análise. Nós somos firmemente pela paz e contra a guerra. Contudo, se os imperialistas insistem em desencadear uma guerra, não há que ter medo. A nossa atitude a esse respeito é a mesma que com relação a qualquer "desordem": primeiro, estamos contra e, segundo, não a tememos. A Primeira Guerra Mundial foi seguida do nascimento da União Soviética com uma população de duzentos milhões de habitantes. A Segunda Guerra Mundial foi seguida pela formação dum campo socialista com uma população que atinge um total de novecentos milhões de indivíduos. Se os imperialistas insistem em desencadear uma terceira guerra mundial, com toda a certeza várias centenas de milhões de homens mais passarão ao socialismo, não ficando então muito mais espaço na terra para os imperialistas, e sendo até possível que a estrutura imperialista se desmorone completamente.” - Mao Citações do Presidente Mao Zedong - V. Guerra e paz 

Como descrito, de 1939 a 1949, como resultado da segunda guerra mundial, a URSS conseguiu expandir seu bloco para metade da Europa e na Ásia nasceu uma nova China, esse processo é descrito por lenin da seguinte forma:

"A dialéctica da história é precisamente tal que a guerra, acelerando extraordinariamente a transformação do capitalismo monopolista em capitalismo monopolista de Estado, por isso mesmo aproximou extraordinariamente a humanidade do socialismo.A guerra imperialista é a véspera da revolução socialista. E isto não só porque a guerra com os seus horrores gera a insurreição proletária — nenhuma insurreição criará o socialismo se ele não estiver economicamente amadurecido —, mas porque o capitalismo monopolista de Estado é a mais completa preparação material do socialismo, é a sua antecâmera, é o degrau da escada da história entre o qual e o degrau chamado socialismo não há nenhum degrau intermédio."- Lenin A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la

Dessa forma, as forças históricas em direção ao socialismo vão avançando para desmontar o imperialismo.

O que é a China?

“Bem camaradas, como eu disse, palavras significam coisas e portanto a própria ditadura do proletariado tem um motivo para ser chamada assim: É quando o estado existe mas está sob comando do proletariado (óbvio), e tem motivo para ser assim e não Ditadura do Povo, Ditadura do Proletariado e do Campesinato e da Burguesia Nacional (Caso da china e sua Nova Democracia)”  - Felix Bouard 'China, Rússia, ditadura do proletariado e socialismo' (Felix Bouard) 

Nesse sentido, não existe meio termo, a dialética das classes é tal que um partido não pode conciliar classes antagônicas, ao ser tensionado pela insurreição revolucionária só teria duas opções: abraçar uma revolução de direção burguesa ou abraçar uma revolução de direção proletária. Mas como a China, um país que não possuía o capitalismo plenamente desenvolvido e estava submetida ao semi-colonialismo imperialista que impede essa formação capitalista, poderia a China realizar uma revolução proletária sem antes apresentar as condições necessárias para a transição ao socialismo? É nesse sentido impossível uma revolução socialista pois é impossível tentar uma transição do semi-feudalismo para o socialismo, o imperialismo continuaria a ser predominante. O que seria então a “nova democracia”? Analisemos então o que Mao Zedong diz sobre o assunto:

“Esta primeira etapa da revolução chinesa (que, por sua vez é dividida em muitas sub-etapas), de acordo com o seu caráter social, é uma nova revolução democrático-burguesa e não a revolução socialista-proletária, embora de há muito ela se tivesse tornado parte desta última e uma considerável parte, uma importante aliada no presente. A primeira fase ou etapa desta revolução não visa certamente, e de fato não pode visar, estabelecer uma sociedade capitalista dirigida pela burguesia, mas sim estabelecer uma Nova Democracia governada pela aliança de diversas classes revolucionárias. Depois do cumprimento desta primeira etapa, ela se desenvolverá para a segunda etapa, a fim de estabelecer-se a sociedade socialista na China.” - Mao Mao Tse Tung: A Nova Democracia na China - IV - A Revolução Chinesa é Parte de Revolução Mundial

“Se é impossível para nós marchar pela estrada do capitalismo com uma ditadura burguesa, seria possível então marcharmos pelo caminho do socialismo com uma ditadura proletária? Não, é absolutamente impossível.

Sem dúvida, a revolução atual é apenas a primeira etapa, e uma segunda etapa — a etapa do socialismo — será desenvolvida no futuro. Só quando a China chegar a essa etapa é que pode ser considerada realmente feliz. Mas, por enquanto, ainda não chegou a hora de realizar o socialismo. A tarefa atual da revolução da China é a luta contra o imperialismo e o feudalismo, e antes do seu cumprimento não passa de palavreado vazio falar sobre a realização do socialismo. A revolução da China deve ser dividida em duas etapas, sendo a primeira a da Nova Democracia, e a segunda a do socialismo. Ademais, a duração da primeira etapa não é de modo algum curta.”- Mao A Nova Democracia na China - VIII — Refutação do Doutrinarismo de Esquerda

Mao Zedong exibe que o caráter da revolução chinesa é democrático-burguesa guiada pelo partido comunista chinês. Essa conclusão é resultado das próprias forças produtivas chinesas serem historicamente demolidas pelo imperialismo resultante da burguesia nacional chinesa ser incapaz de enfrentar as forças internacionais, sendo assim necessário de acordo com sua visão um processo de abolição do feudalismo e “Nova Democracia” capaz de garantir a superação do imperialismo.

“Não há realmente um segundo caminho para nós; este é o único.

Será que podemos seguir o caminho de uma sociedade capitalista dirigida pela burguesia? Sem dúvida, este é o velho caminho dos países capitalistas europeus e americanos. Mas as circunstâncias internacionais e nacionais não permitem à China seguí-lo.

Do ponto de vista internacional, tal caminho é um beco sem saída.

Em primeiro lugar, ele não é franqueado pelo capitalismo internacional ou o imperialismo. A história moderna da China é uma história da agressão imperialista, da oposição imperialista à independência da China e ao desenvolvimento do capitalismo na China. As revoluções na China fracassaram uma após outra, porque o imperialismo estrangulou-as, e numerosos mártires deram suas vidas, em meio a essa jornada. Agora, estamos enfrentando os imperialistas japoneses, fortes e poderosos, que penetraram na China desejando transformá-la numa colônia japonesa.” - Mao A Nova Democracia na China - VII — Refutação da Teoria da Ditadura Burguesa
“Por isso, a revolução burguesa é vantajosa no mais alto grau para o proletariado. A revolução burguesa é absolutamente necessária para os interesses do proletariado. Quando mais completa e decidida, quanto mais consequente for a revolução burguesa, tanto mais garantida estará a luta do proletariado contra a burguesia pelo socialismo. Esta conclusão só pode parecer nova, estranha ou paradoxal para os que ignorem o á-bê-cê do socialismo científico.” - Lenin Duas Tácticas da Social-Democracia na Revolução Democrática - 6. De que Lado Ameaça o Proletariado o Perigo de se Ver Com as Mãos Atadas na Luta Contra a Burguesia Inconsequente? 

Mas por qual motivo uma burguesia nacional iria decidir se submeter a um partido comunista? Se seus interesses são antagônicos com os do proletariado, logicamente essa coalizão poderia somente resultar para burguesia sua própria traição de classe

“Quanto à conjuntura interna, a burguesia da China deve ter aprendido algumas lições necessárias. Temendo a força do proletariado, dos camponeses e da pequena burguesia, a grande burguesia da China, alijou essas camadas sociais, no momento do triunfo da revolução, e colheu para si os frutos da vitória. Depois disso, desencadeou com todo o seu poderio, durante dez anos, uma cruzada anti-comunista. Mas, que resultado ela conseguiu, afinal? Agora, no momento em que um poderoso inimigo está penetrando profundamente em nosso território e a ele resistimos por dois anos, devemos ainda copiar o velho e antiquado programa da burguesia ocidental? Devemos sonhar ainda com a sociedade dirigida pela burguesia, o que a passada guerra civil anti-comunista de dez anos não pôde concretizar?" - Mao A Nova Democracia na China - VII — Refutação da Teoria da Ditadura Burguesa

Mas o que comprovaria essa submissão da burguesia nacional sob o partido comunista? A burguesia não poderia simplesmente “trair o socialismo” no futuro?

“A China estar há décadas parada no último degrau do capitalismo monopolista de estado não é acidental, é projeto político. É conclusão incontornável de qualquer análise minimamente honesta da luta de classes na China de que, se as políticas econômicas e a tendência histórica são mantidas, a economia Chinesa ou vai se manter como capitalismo monopolista de estado, ou vai se degenerar por completo nas outras formas de capitalismo nacionalista-chauvinista e abandonar qualquer pretensão nominal de socialismo.” - Glushkovinho 'Ensaios sobre a ortodoxia do pensamento econômico marxista-leninista (parte 1): Por que não defendemos modelo Chinês' (camarada Glushkovinho) 

A dialética da condição da burguesia nacional subjugada pelo imperialismo entendida por Mao Zedong compreende o seguinte motivo do porque a burguesia nacional chinesa não é capaz de trair o projeto socialista:

"O comunismo é o sistema de pensamento proletário, e é também um novo tipo de sistema social. Ele é diferente de qualquer outro sistema ideológico ou social por que é o mais completo, o mais progressista, o mais revolucionário e o mais racional sistema da história da humanidade. (...) Sem a orientação do comunismo, nem mesmo a revolução democrática da China pode ter êxito, para não falar da etapa final da revolução. Esta é a verdadeira razão pela qual os elementos renitentes da burguesia chinesa gritam tão alto e exigem que o comunismo seja «arquivado». Se um dia fosse «arquivado», a China encontraria a sua ruína. O mundo depende agora do comunismo para a sua salvação, e o mesmo sucede com a China."  - Mao  A Nova Democracia na China - IX — Refutação dos Elementos Renitentes
“A burguesia nacional é uma classe politicamente muito fraca e vacilante. Mas, a maioria dos seus elementos pode aderir à revolução democrática popular ou assumir uma atitude neutra, uma vez igualmente perseguida e acorrentada pelo imperialismo, pelo feudalismo e pelo capitalismo burocrático. Fazem parte das grandes massas populares, mas não constituem o seu corpo principal, nem uma força que determine o carácter da revolução. Contudo, como são economicamente importantes e podem juntar-se a nós na luta contra os Estados Unidos e Tchiang Kai-chek ou permanecer neutros em relação a esta luta, é possível e necessário unirmo-nos a eles. Antes da fundação do Partido Comunista da China, o Kuomintang, dirigido por Sun Yat-sen, representava a burguesia nacional e desempenhava o papel dirigente da revolução chinesa dessa época (revolução democrática inconsequente de tipo antigo). Mas, depois que o Partido Comunista da China nasceu e demonstrou a sua capacidade o Kuomintang deixou de poder assumir a direcção da revolução chinesa (revolução de democracia nova).” - Mao Sobre a Questão da Burguesia Nacional e dos Nobres Esclarecidos 
“a burguesia nacional não pode desempenhar um papel dirigente na revolução, da mesma forma que não pode ocupar uma posição dirigente no Estado, porque a situação social e econômica da burguesia nacional determina sua debilidade, sua falta de visão e de audácia. Disso decorre, também, o medo das massas que manifestam muitos de seus representantes. Sun Yat Sen conclamava a "despertar as massas" ou a "ajudar aos camponeses e operários". Quem deve despertá-los e ajudá-los? De acordo com Sun Yat Sen, a pequena burguesia é a burguesia nacional. Contudo, isso é irrealizável na prática. Por que terminaram em derrota os quarenta anos de trabalho revolucionário de Sun Yat Sen? Porque na época do imperialismo a pequena burguesia e a burguesia nacional não podem dirigir com êxito nenhuma verdadeira revolução.” - Mao Sobre a Ditatura da Democracia Popular

Nesse sentido, o capitalismo na China só pode se desenvolver por conta da direção proletária. Ou seja, a submissão da burguesia nacional ao sistema de pensamento proletário foi o que permitiu a mesma à revolução democrático-burguesa. E caso a burguesia abandone o sistema de pensamento proletário, “traindo o socialismo” e consequentemente instaurando uma ditadura reacionária, a China se encontraria novamente se submetendo ao imperialismo e retornando à sua condição de semi-colônia.

“Desde que iniciamos as reformas e as aberturas, problemas que haviam desaparecido da China por muitos anos — como as drogas, prostituição e jogos de azar — têm reaparecidos. Isso é como os problemas das moscas entrando quando se abre as janelas. A chave é neutralizá-las e não deixar se proliferarem.” - Jiang Zemin O futuro do socialismo permanece tão brilhante como nunca 

A descrição é clara, a reabertura chinesa com a vinda do capital estrangeiro retornou elementos semi-coloniais em sua economia, nesse sentido a burguesia nacional chinesa continuou sendo subjugada pelo imperialismo e por consequência incapaz de superar a direção do PCCh, continuando sua dependência ao marxismo. Porém, 40 anos já se passaram dessa reabertura e nossos próprios camaradas esclarecem o resultado das políticas do PCCh.

“A pergunta a ser formulada é se existe uma relação (e qual é a sua natureza) entre a expansão econômica da China, os mecanismos de planejamento e as formas de propriedade pública. A resposta é óbvia. A potência asiática hoje ultrapassa os Estados Unidos no ranking das 500 maiores empresas do mundo da revista Fortune. Das empresas chinesas, 4 estão entre as 10 maiores do ranking, sendo todas de propriedade estatal (China State Construction Engineering, China National Petroleum, State Grid e Sinopec Group).” - Sebastián Sarapura 'Potência imperialista? Considerações críticas sobre a caracterização da China nas teses preparatórias' (Sebastián Sarapura) 

Também não poderia deixar de expor os resultados descritos no 20º congresso do PCCh 

“Ao persistir no alívio da pobreza com precisão, mobilizamos todas as forças necessárias para vencer a batalha de maior envergadura contra a pobreza na história humana. Em todo o país, 832 distritos empobrecidos abandonaram o rótulo de “distrito pobre”, cerca de 100 milhões de habitantes rurais que viviam na pobreza saíram dessa situação, e mais de 9,6 milhões de pessoas necessitadas realocaram-se das áreas inóspitas. Nós resolvemos, de uma vez por todas, a questão da pobreza absoluta, dando grande contribuição para a causa global da redução da pobreza.” - Relatório ao 20º Congresso Nacional do PCCh  
“O PIB do nosso país cresceu de 54 trilhões de yuans para 114 trilhões de yuans, e o PIB per capita aumentou de 39,8 mil yuans para 81 mil yuans. A proporção da nossa economia subiu 7,2 pontos percentuais para 18,5% da totalidade mundial, ficando no segundo lugar do mundo. Com a maior produção de cereais no mundo, garantimos efetivamente a segurança alimentar e energética para a nossa população de mais de 1,4 bilhão de habitantes. A taxa de urbanização atingiu 64,7% com uma elevação de 11,6 pontos percentuais. “ - Relatório ao 20º Congresso Nacional do PCCh  

Assim, com o capitalismo nacional tem suas forças produtivas desenvolvidas dirigidas pelo PCCh, não mais se submetendo à importação de capital, mas tendo seu capital expandido a níveis globais, apresentando o amadurecimento final de seu modo de produção, derrotando finalmente o imperialismo em sua terra. Mas o que seria então a economia chinesa?

“Está mais que claro que na tradição do marxismo-leninismo nunca houve confusão nenhuma sobre qual parcela da economia tomava forma capitalista e qual parcela da economia tomava forma socialista. Sempre foi uma questão de crescer a parcela socialista até que ela se torne a única forma de produção econômica (...)

(...) uma abertura condicional ao capital estrangeiro através de uma larga expansão da produção mercantil e da burguesia na China. Buscava-se desenvolver a economia chinesa não através da superioridade econômica da economia propriamente socialista, mas sim através da acumulação de capital de um pujante capitalismo monopolista estatal (...)

Só chama isso de socialismo quem quer imbuir o socialismo de um significado mentiroso de “transição”, como se não houvesse critérios objetivos para auferir a dita transição. Do jeito que Lênin definiu o que é a transição socialista e do jeito que os planejadores soviéticos do primeiro plano quinquenal definiram a finalidade da política econômica proletária, podemos concluir que, se aplicamos os mesmos critérios que eles, precisamos batizar a política de Deng Xiaoping de “capitalismo com características chinesas”, já que objetivamente cumpre esse papel.” - Glushkovinho 'Ensaios sobre a ortodoxia do pensamento econômico marxista-leninista (parte 1): Por que não defendemos modelo Chinês' (camarada Glushkovinho) 

De fato, nosso camarada aponta de forma certeira que não se pode simplesmente chamar de socialista uma economia que não chegou a esse estágio de desenvolvimento, sendo somente em limite possível caracterizar a economia chinesa de “Capitalismo de Estado em transição socialista”. Nesse sentido, o caráter de transição não pode ser facilmente negado, tendo em vista que o capitalismo chinês chegou ao seu limite final, às vésperas de descartar o lucro capitalista, com o mesmo sendo pouco a pouco esmagado pelo desenvolvimento da produção. Nos recordaremos então de Marx, Engels e Deng Xiaoping:

“A contradição, dito de uma forma muito geral, consiste em que o modo de produção capitalista envolve uma tendência ao desenvolvimento absoluto das forças produtivas, independentemente do valor e da mais-valia que contém, e independentemente das condições sociais sob as quais ocorre a produção capitalista; enquanto, por outro lado, o seu objectivo é preservar o valor do capital existente e promover a sua auto-expansão até ao limite mais elevado (ou seja, promover um crescimento cada vez mais rápido deste valor). A sua especificidade é que utiliza o valor existente do capital como meio de aumentar esse valor ao máximo. Os métodos pelos quais consegue isto incluem a queda da taxa de lucro, a depreciação do capital existente e o desenvolvimento das forças produtivas do trabalho à custa das forças produtivas já criadas.

(...) A verdadeira barreira da produção capitalista é o próprio capital. É que o capital e a sua auto-expansão aparecem como o ponto de partida e de chegada, o motivo e a finalidade da produção; que a produção é apenas produção para o capital e não vice-versa, os meios de produção não são meros meios para uma expansão constante do processo de vida da sociedade de produtores. Os limites dentro dos quais só podem mover-se a preservação e a auto-expansão do valor do capital que assenta na expropriação e na pauperização da grande massa de produtores - estes limites entram continuamente em conflito com os métodos de produção utilizados pelo capital para os seus fins, que impulso para a extensão ilimitada da produção, para a produção como um fim em si mesmo, para o desenvolvimento incondicional da produtividade social do trabalho. Os meios – o desenvolvimento incondicional das forças produtivas da sociedade – entram continuamente em conflito com o propósito limitado, a auto-expansão do capital existente. O modo de produção capitalista é, por esta razão, um meio histórico de desenvolver as forças materiais de produção e de criar um mercado mundial apropriado e é, ao mesmo tempo, um conflito contínuo entre esta sua tarefa histórica e as suas próprias relações de produção correspondentes da produção social.” - Marx Capital Vol. III Part III The Law of the Tendency of the Rate of Profit to Fall  Chapter 15. Exposition of the Internal Contradictions of the Law   
“Com a mesma clareza com que Marx sublinha o lado nocivo da produção capitalista, prova, também de modo claro, que esta formação social era necessária para desenvolver as forças produtivas da sociedade até ao grau tal que permitisse o mesmo desenvolvimento verdadeiramente humano para todos os membros da sociedade. Todas as formações sociais anteriores foram demasiadamente pobres para isso. Só a produção capitalista cria as riquezas e as forças de produção necessárias, mas cria simultaneamente, com a massa dos obreiros oprimidos, a classe social que cada vez mais é obrigada a exigir o uso dessas riquezas e forças produtivas em favor de toda a sociedade” - Engels O Capital de Karl Marx
“Vemos, pois, que a divisão da sociedade em classes tem sua razão histórica de ser, mas só dentro de determinados limites de tempo, sob determinadas condições sociais. Era condicionada pela insuficiência da produção, e será varrida quando se desenvolverem plenamente as modernas forças produtivas.” - Engels Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico
“Para se construir o socialismo é necessário desenvolver as forças produtivas, a pobreza não é socialismo. Para defender o socialismo, um socialismo que deverá ser superior ao capitalismo, é imperativo que antes, e acima de tudo elimine-se a pobreza. Realmente, estamos construindo o socialismo, mas isto não quer dizer que oque conseguimos até agora está no padrão socialista. Não será até o meio do próximo século, quando chegarmos ao nível de países moderadamente desenvolvidos, que poderemos dizer que realmente construímos o socialismo e declarar que é superior ao capitalismo. Estamos avançando em direção a este objetivo.” - Deng Xiaoping Para defender o Socialismo precisamos eliminar a pobreza 

Eis o caráter de transição socialista chinês, enquanto o PCCh continuar com sua política de desenvolvimento das forças produtivas, será então varrida ao longo da sociedade chinesa a capacidade e necessidade do capital de se reproduzir perante à expansão produtiva.

A China é imperialista?

O desenvolvimento do capitalismo de estado chinês, não é visto por nossos camaradas como um sucesso, muito pelo contrário, o capitalismo de estado chines é tratado como o capitalismo imperialista, guiado por uma oligarquia financista capaz de ao mesmo tempo rapidamente superar as antigas oligarquias mundiais, expandir mundialmente o monopólio chinês mesmo sem mecanismos de parasitismo econômico e estar confortável com as agressões do PCCh em seus monopólios.

“(...) o capital chinês está incidindo fisicamente sobre o nosso território para beneficiar a si mesmo, com alguns benefícios colaterais para o Brasil. Mas será que esses benefícios compensam os possíveis malefícios (mais desmatamento, mais atividade ilegal na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, mais extermínio de povos indígenas, maior expansão do agro e da mineração…)

(…) O que sabemos é que o atual projeto das classes dominantes para o desenvolvimento chinês não é socialista, pois preda os povos explorados do mundo para se alimentar” - Marte 'Sobre o "socialismo chinês" e a posição da China na cadeia imperialista' (Marte)
“(...) o capitalismo monopolista de estado, e por tabela o capitalismo monopolista de estado Chinês, é indissociável do imperialismo pois, em determinado ponto de seu desenvolvimento material, todo capitalismo monopolista de estado precisa exportar capital e expandir mercados. É simplesmente consequência inseparável de uma economia pautada pela produção mercantil na forma do capitalismo monopolista de estado. O capitalismo monopolista de estado não é um arranjo econômico que permite a autarquia.

(...) a China, como fruto de suas relações econômicas capitalistas, é objetivamente uma potência imperialista. Os camaradas que discordam disso, usam uma definição de imperialismo estranha ao marxismo-leninismo” - Glushkovinho 'Ensaios sobre a ortodoxia do pensamento econômico marxista-leninista (parte 1): Por que não defendemos modelo Chinês' (camarada Glushkovinho)
"(...) considero importante enfatizar a relevância de uma clara definição da China como imperialista nas condições concretas da América Latina. Os dados disponíveis expressam tendências muito claras na economia... Utilizar uma categoria que expresse adequadamente seu conteúdo é, sem lugar a dúvidas, o primeiro passo para a implementação de uma política verdadeiramente comunista: isto é, no sentido da superação de toda forma de capitalismo-imperialismo." - Sebastián Sarapura 'Potência imperialista? Considerações críticas sobre a caracterização da China nas teses preparatórias' (Sebastián Sarapura)
"O Partido Comunista Chinês não é nem comunista nem um partido, apenas um braço do Estado capitalista, defendendo as relações de propriedade capitalistas internas e os interesses imperialistas dos capitalistas chineses no exterior." - alan woods 'A crise no movimento comunista - Precisamos retornar a Lênin' (Alan Woods)
“Digamos que toda a fraseologia de prosperidade, bem estar comum, defender o interesse da maioria do povo, do “socialismo de características chinesas”, de combate a pobreza seja verdade na China. E apesar das formulações que defendem o “socialismo de características chinesas” ignorarem as contradições de classe, não podemos deixar de levar em conta que a luta de classes acontece em nível internacional. Isso é ainda mais acentuado com o fenômeno do imperialismo, no qual a burguesia monopolista explora tanto o proletariado de seu país quanto super explora os outros povos do mundo. ” - Vitor Gimenez 'China, imperialismo e dialética - considerações sobre a tribuna do camarada Yuri Miyamoto' (Vitor Gimenez) 
“Em uma eventual revolução brasileira, me pergunto qual seria o posicionamento do estado chinês em relação a expropriação e nacionalização dessas empresas no Brasil. Uma possível industrialização autônoma e independente do nosso país entra em choque com os interesses da burguesia chinesa na América Latina, e o papel da China reforça a dependência econômica no Brasil que fica em uma posição subalterna.” - Vitor Gimenez 'China, imperialismo e dialética - considerações sobre a tribuna do camarada Yuri Miyamoto' (Vitor Gimenez) 
“Dito isso, as construções financiadas pela BRI, a facilitação do acesso ao crédito, os juros baixos, o perdão de dívidas e outros elementos da relação econômica chinesa em África configuram uma relação imperialista, que pode ser resumida pela constatação de 1) Exportação de capitais; 2) Ausência de transferência tecnológica; 3) Presença crescente dos monopólios chineses no mercado africano; 4) Subversão das política de desenvolvimento locais em seu próprio interesse; 5) Superexploração da força de trabalho africana; 6) Extração de recursos e fuga de capitais; e 7) Presença crescente de instituições financeiras chinesas em África. Não por coincidência, são aspectos cada vez mais visíveis na relação entre a América Latina e a China.” - Guilherme Sales 'Limpando o terreno sobre a África, o Brasil e o imperialismo chinês' (Guilherme Sales)

Pois bem, examinaremos então as diferenças entre o capitalismo de Estado em transição socialista e o capitalismo monopolista de decomposição imperialista por lenin

"Todos falam do imperialismo. Mas o imperialismo não é outra coisa senão o capitalismo monopolista.

Que o capitalismo também na Rússia se tornou monopolista é o que de forma suficientemente evidente atestam o «Prodúgol» (consórcio do carvão), o «Prodamet» (consórcio metalúrgico), o consórcio açucareiro, etc. Este mesmo consórcio açucareiro mostra-nos claramente a transformação do capitalismo monopolista em capitalismo monopolista de Estado.

(...) Pois se uma grande empresa capitalista se torna um monopólio, isso significa que ela serve todo o povo. Se ela se torna monopólio de Estado, isso significa que o Estado (isto é, a organização armada da população, em primeiro lugar dos operários e dos camponeses, nas condições do democratismo revolucionário), o Estado dirige toda a empresa — no interesse de quem?

— ou no interesse dos latifundiários e dos capitalistas; temos então um Estado não democrático-revolucionário, mas burocrático-reacionário, uma república imperialista,

— ou no interesse de democracia revolucionária; então isto é precisamente um passo para o socialismo.

Pois o socialismo não é outra coisa senão o passo em frente seguinte a partir do monopólio capitalista de Estado. Ou de outro modo: o socialismo não é outra coisa senão o monopólio capitalista de Estado usado em proveito de todo o povo e que, nessa medida, deixou de ser um monopólio capitalista.

Aqui não há meio termo. O curso objectivo do desenvolvimento é tal que, a partir dos monopólios (e a guerra decuplicou o seu número, papel e importância), não se pode avançar sem ir para o socialismo.

Ou se é democrata revolucionário de facto. Então não se pode recear os passos para o socialismo.” - Lenin A Catástrofe que nos Ameaça e como Combatê-la 

Se seguirmos de acordo com o que foi desenvolvido na questão “O que é a China?” As forças burocrático-reacionárias se provaram incapazes de superar o projeto do PCCh. Contudo, ainda restam dúvidas a serem destrinchadas sobre o caráter do PCCh, analizaremos ponto a ponto nessa questão então:

“Se fosse necessário dar uma definição o mais breve possível do imperialismo, dever-se-ia dizer que o imperialismo é a fase monopolista do capitalismo. Essa definição compreenderia o principal, pois, por um lado, o capital financeiro é o capital bancário de alguns grandes bancos monopolistas fundido com o capital das associações monopolistas de industriais, e, por outro lado, a partilha do mundo é a transição da política colonial que se estende sem obstáculos às regiões ainda não apropriadas por nenhuma potência capitalista para a política colonial de posse monopolista dos territórios do globo já inteiramente repartido.

Mas as definições excessivamente breves, se bem que cômodas, pois contêm o principal, são insuficientes, já que é necessário extrair delas especialmente traços muito importantes do que é preciso definir. Por isso, sem esquecer o caráter condicional e relativo de todas as definições em geral, que nunca podem abranger, em todos os seus aspectos, as múltiplas relações de um fenômeno no seu completo desenvolvimento, convém dar uma definição do imperialismo que inclua os cinco traços fundamentais seguintes:

1) a concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais desempenham um papel decisivo na vida econômica;

2) a fusão do capital bancário com o capital industrial e a criação, baseada nesse "capital financeiro" da oligarquia financeira;

3) a exportação de capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particularmente grande;

4) a formação de associações internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo entre si,

e 5) o termo da partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes. ” - Lenin O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo - VII - O Imperialismo Fase Particular do Capitalismo 

Pontos 1 e 2: Onde está a oligarquia chinesa?

“O imperialismo, ou domínio do capital financeiro, é o capitalismo no seu grau superior, em que essa separação adquire proporções imensas. O predomínio do capital financeiro sobre todas as demais formas do capital implica o predomínio do rentier e da oligarquia financeira, a situação destacada de uns quantos Estados de "poder" financeiro em relação a todos os restantes.” - Lenin O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo - III - O Capital Financeiro e a Oligarquia Financeira 

Na China os 4 maiores bancos da China (Banco Industrial e Comercial da China, China Construction Bank, Agricultural Bank of China e Bank of China) estão sob controle do PCCh. Esses bancos funcionam para liberar crédito aos diversos setores da economia chinesa, em conjunto, o PCCh possui empresas de investimento estatais (como a Central Huijin e China Investment Corporation) que compram recursos e disputam como acionistas o capital de empresas privadas nacionalmente e internacionalmente, em resumo, a robusta estrutura estatal bancária chinesa dificulta a formação de uma grande oligarquia financista em seus principais setores da economia. Por consequência, a agudização de crises cíclicas não ultrapassa os limites da pequena burguesia e do capital privado fora dos setores estratégicos, o fazem serem esmagados por essas eventuais crises. Como foi o caso do Trust Zhongzhi e a Imobiliária Evergrande.

Contudo, a China ainda apresenta setores com formações mais agudas de monopólios como o setor de tecnologia. Essas formações, ainda estão sofrendo um processo de desmembramento , tendo seu capital apropriado pelo governo chinês.

Para além da questão econômica, uma oligarquia monopolista de capital financeiro “autocrata” só é possível em condições de um projeto nacional burocrático-reacionário que permite a corrupção política ou “lobby”. Desconsiderando as dificuldades de se inserir e influenciar diretamente a disputa de um partido monumental de 90 milhões de membros, o que a experiência política atual da China demonstra além de suas declarações, é a prática constante de perseguição à corrupção.

Outro fator que apresenta a inexistência de uma oligarquia sob controle da China é a facilidade em que a condenação de empresas e bilionários financistas são levados a justiça, e em algumas situações à pena capital.

Ponto 3: Onde estão os endividados com a China?

“Mas nenhum dos mercados monetários se decide a negar um empréstimo com receio de que o vizinho se adiante, o conceda e, ao mesmo tempo, obtenha certos serviços em troca do serviço que presta. Nas transações internacionais deste gênero o credor obtém quase sempre algo em proveito próprio” - Lenin O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo - IV - A Exportação de Capital

“(...) a exploração de um número cada vez maior de nações pequenas ou fracas por um punhado de nações riquíssimas ou muito fortes: tudo isto originou os traços distintivos do imperialismo, que obrigam a qualificá-lo de capitalismo parasitário, ou em estado de decomposição. Cada vez se manifesta com maior relevo, como urna das tendências do imperialismo, a formação de "Estados" rentiers, de Estados usurários, cuja burguesia vive cada vez mais à custa da exportação de capitais e do "corte de cupões"” - Lenin O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo - X - O Lugar do Imperialismo na História

A china exporta capital, seja construindo linhas de trem na africa e america ou comprando portos como no peru e no brasil, contudo, o caráter da exportação de capital difere quando essa ação é instrumentalizada por uma oligarquia financeira que pretende agudizar uma nação à dívidas impagáveis ou enfraquecer as economias onde o capital foi exportado, ou seja, a exportação de capital da china não adquire uma importância particular, pelo contrário, oferece uma disputa favorável contra as propostas imperialistas de austeridade

Nesse sentido, os resultados das relações entre China e África contribuem para a economia dos países desse continente, ao invés de afundarem os mesmos em dívidas como o FMI politicamente impõe. O perdão das dívidas dos países africanos pela China é somente um exemplo de política que contrapõe a noção imperialista sobre a exportação de capital da China, nesse sentido até o próprio FMI assumiu que não existe “armadilha de dívida” chinesa na África. Para além da exportação de capital, a China também realiza intercâmbio tecnológico como projeto de integração africana, seja enviando 50 times de agricultura ou seja enviando 2 mil médicos para intercâmbio científico. Tratar essas políticas pressupondo a China como “um lobo em pele de cordeiro” para os países africanos não passa de uma desconfiança idealista. Em suma, a China mantendo relações de intercâmbio capitalista com os diversos países da áfrica não implica em “uma colonização chinesa”, mas uma forma direta de criar condições para áfrica superar o parasitismo resultante do imperialismo europeu por vias econômicas, isso portanto não ultrapassa os limites do reformismo, mas não deixa de ser do interesse do proletariado africano.

Em relação ao Brasil, a exportação de capital chinês e a compra de commodities se tornaram pretexto para responsabilizar a China pelas políticas internas impostas pelo governo reacionário brasilerio. Entre as questões que imputam responsabilidade sobre a China estão o desmatamento, a grilagem, o extermínio de povos indígenas, a expansão do agro e da mineração, essas políticas porém não são impostas pelo PCCh ao Brasil, é portanto uma falsa causa afirmar que a China é responsável pelas práticas semi-coloniais brasileiras. Afirmar que a China tem responsabilidade sobre as políticas brasileiras é o mesmo que, por exemplo, afirmar que um consumidor da Nestlé é responsável pelas políticas da Nestlé.

Quanto à questão hipotética da revolução brasileira sobre os capitais chineses na américa latina. Em uma posição atual do desenvolvimento capitalista brasileiro no caminho para o socialismo, devemos pensar primeiramente em uma política obrigatória de intercâmbio tecnológico com as empresas chinesas. É inútil o esforço de “expropriar empresas chinesas” acreditando que nossa produção vai “da noite para o dia” superar a produção chinesa. A expropriação direta sem diplomacia, nos iria afastar de um possível aliado, iríamos estar nos distanciando da nossa maior parceria econômica o que não iria beneficiar nossa transição ao socialismo, a menos que nosso projeto seja o isolamento. É também ingênuo assumir da China um caráter agressivo a nível internacional, como se ela fosse entrar em conflito direto com as forças revolucionárias brasileiras, igual yankees adentrando o Iraque, sendo que historicamente a china não inicia conflitos militares, sendo seu último realizado há 45 anos.

Pontos 4 e 5: Onde estão as organizações de oligarcas?

“O imperialismo é uma enorme acumulação num pequeno número de países (...) ou seja, de indivíduos que vivem do "corte de cupões", que não participam em nada em nenhuma empresa, e cuja profissão é a ociosidade. A exportação de capitais, uma das bases econômicas mais essenciais do imperialismo, acentua ainda mais este divórcio completo entre o setor dos rentiers e a produção, imprime urna marca de parasitismo a todo o país, que vive da exploração do trabalho de uns quantos países e colônias do ultramar.” - Lenin https://www.marxists.org/portugues/lenin/1916/imperialismo/cap8.htm

A China esteve presente nas diversas organizações imperialistas, como OCDE, G20, World Economic Forum, OMC, contudo, nessas organizações imperialistas a China não possui posição dirigente e muito menos é convidada à organizações mais exclusivas como o G7, o que por sua posição não-alinhada à cúpula acaba resultado em disputas

O suposto caráter imperialista da China contudo não é majoritariamente acusado sobre a presença da China sobre as antigas organizações imperialistas, mas sobre o recente bloco econômico BRICS estar tomando forma para garantir uma nova direção global. Esse bloco porém ainda está em formação não tendo seu caráter completamente revelado. Ou seja, enquanto o BRICS não for dominante na economia global, não poderemos afirmar com certeza um caráter de parasitismo econômico como os processos de privatização e geração contínua de dívidas realizadas nas organizações apropriadas por oligarcas como o G20 e FMI.

Quanto a prática de exportação militar, mesmo sendo conhecida como “as garras do imperialismo” ela não é critério para determinação de um estágio imperialista, exportação militar já era uma prática anterior ao imperialismo, nesse quesito pode-se dizer que a exportação militar adquire uma importância particularmente grande, mas se formos por esse caminho estaríamos nos distanciando das características principais definidas por lenin.

Em conclusão, para onde vai a nova China?

Independente da nossa caracterização da china, seja nessa tribuna ou como resultado do XVII congresso do PCB, a China continuará marchando em passos tão pesados que tremem todo o capitalismo do século XXI, poucos são os países que ainda não tem relações econômicas diretas com a China e muito poucos são os países ainda capazes de aguentar a inundação da produção chinesa, o capitalismo nunca mais será o mesmo posterior a china. 

Quem somos nós perto desse gigante país? Seríamos o farol do socialismo que promete superá-lo? Ou será que os 90 milhões de membros do PCCh em proporção a nós possuem um acúmulo que estamos longe de compreender? Seria a “revolução mundial” capaz de libertar a china no caso dela ser um país imperialista? Não sabemos ao certo.

É portanto necessário cuidado ao se tratar desse assunto, nenhum esforço de conhecimento econômico fora o marxismo seria capaz de levar a China a tamanho desenvolvimento em tão pouco tempo e por períodos tão prolongados sem crises agudas. Se existe alguma certeza sobre a China e sobre como ela chegou onde está hoje é graças ao marxismo, essa é uma das maiores garantias que podemos carregar sobre o desenvolvimento chinês pois somente em outro momento da história humana foi observado esse desenvolvimento, sendo ele durante a NEP soviética.

“O DIAGRAMA MOSTRA A MUDANÇA NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL DA URSS E DO MUNDO CAPITALISTA EM RELAÇÃO AO NÍVEL DE 1929 EM PORCENTAGEM”

Fonte: ПАРТИЗДАТ ЦК ВКП (б), 20 лет Советской власти (Статистический сборник), стр. 17 Москва, 1937.
Fonte: China Retains Crown as World’s Biggest Manufacturer

Posfácio

“Naturalmente, as longas citações tornarão a exposição pesada e não ajudarão de modo nenhum a dar-lhe um carácter popular. Mas é absolutamente impossível passar sem elas.” - Lenin O Estado e a Revolução 

Infelizmente a tribuna ficou excessivamente longa, não gostaria que tivesse que ser assim, mas cada tópico nessa discussão acaba se ramificando em várias raízes do marxismo.

Agradeço a todos os camaradas e suas contribuições para a discussão sobre a China: Doni, Sebastián Sarapura, A. K. Fer, Marte, Felix Bouard, Matheus Cardoso, Yuri Miyamoto, L. Queen, camarada Glushkovinho, Vitor Gimenez, Guilherme Sales e mais outros não citados, portanto assim também  espero ter contribuído para uma visão mais crítica sobre o assunto.