Nota política do PCBR Pernambuco acerca das eleições burguesas

Nota política do PCBR Pernambuco acerca das eleições burguesas
Nota política do PCBR em Pernambuco

O conjunto da militância do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário discutiu, por meio de plenárias realizadas em todo o país, incluindo Pernambuco, a posição e as tarefas dos comunistas frente ao processo eleitoral. A partir desse debate, que foi nacionalizado, pautado e agitado em nossa imprensa partidária, reafirmamos o horizonte estratégico que guia nossa atuação tática, nos diversos terrenos da luta, como é o eleitoral, e os princípios que são inegociáveis, como a oposição  aos governos burgueses e a construção de alternativas que expressam com independência programas do interesse da classe trabalhadora.

Nesse processo, nos deparamos com várias limitações para intervir com autonomia, levando o programa do PCBR para a disputa eleitoral, por sermos um partido recém-reorganizado e não termos, ainda, legenda própria. Buscamos, na tática nacional anunciada em novembro de 2025, a filiação democrática como uma alternativa para apresentar uma candidatura própria – de Jones Manoel, pelo PSOL – sob os critérios de independência política, e fomos derrotados no processo: após negociações e conversas formais com o partido, quando já haviam estourado os prazos da filiação democrática, foi anunciada a necessidade de compromisso com a tática do PSOL, inclusive o apoio à frente ampla no primeiro turno. Frente à decisão de não seguir a tática do partido, o camarada Jones Manoel se desligou e seguiu com a candidatura, expressando naquele momento  divergências que hoje ficam mais evidentes em relação a seu apoio a Lula já no 1º turno e à Frente Ampla no primeiro turno.

Ao mesmo tempo, porém, agitamos por candidaturas unificadas do campo revolucionário em nossa tática, movimento que não se concretizou. Entendemos que o cenário de fragmentação das candidaturas da UP, PCB e PSTU expressa as limitações do conjunto de organizações do campo para conformar uma atuação conjunta e que possibilite estabelecer uma frente anticapitalista e antiimperialista definida. Ainda que com divergências relevantes, no atual estágio de forças, essa fragmentação reduz a capacidade de polarização do processo eleitoral sob um programa proletário e seguimos sob a falsa polarização entre a Frente ampla e a extrema-direita – ou, no caso do Governo de Pernambuco, entre duas faces das oligarquias políticas que representam o fisiologismo da Frente Ampla. 

Nesse sentido, tanto nacionalmente, quanto estadualmente, não possuímos entre os principais candidatos, uma alternativa que represente um programa proletário. Na esfera nacional, combatemos cotidianamente a continuidade de ataques aos direitos, a manutenção das contrarreformas (Trabalhista, Previdência, Ensino Médio); o avanço da pejotização e dos trabalhos por plataformas; a continuidade do Teto de Gastos sob a forma do Arcabouço Fiscal que impede investimento em Saúde, Educação, Previdência, Programas Sociais (Como BPC e Bolsa Família); o avanço da privatização em todas as esferas da vida; a entrega das riquezas nacionais (como as Terras Raras) etc. Essas lutas são lutas contra o programa burguês que é encampado pelo Governo Federal da “Frente Ampla”. 

Por outro lado, entendemos que a extrema-direita, reunida em torno de Flávio Bolsonaro, representa a versão ainda mais ofensiva desse programa burguês, que pretende acelerar o desmonte de direitos e subordinar o país de forma ainda mais escancarada à política imperialista dos Estados Unidos. No fundo, temos uma versão mais moderada e mais imediata de uma política que não interessa à classe trabalhadora brasileira. 

É nesse cenário de intensa pressão pelo “voto útil”, pelo “menos pior” que, mesmo sob a crítica da não-unificação das candidaturas, saudamos a coragem e disposição dos partidos revolucionários que apresentam alternativas de fato para a independência da classe trabalhadora, sem ilusões com a frente ampla. Dentre as que se candidatam à presidência, votaremos no professor Hertz Dias - 16, camarada do PSTU com um longo histórico de lutas junto à classe e que apresenta o programa mais avançado, na nossa compreensão da formação social brasileira, no que diz respeito à leitura da estratégia da revolução socialista, na definição dos setores estratégicos e na demarcação da oposição aos governos burgueses como princípio. 

No cenário pernambucano, tampouco restam ilusões: para o governo temos três candidaturas “de Lula” (que é o candidato mais popular no estado à presidência e historicamente muito importante): João Campos (PSB), Raquel Lyra (PSD) e Ivan Moraes (PSOL), apesar de o próprio Lula ter declarado apoio no primeiro deles.  

João Campos e Raquel Lyra representam disputas políticas internas ao mesmo grupo oligárquico, compactuam no fundamental, em relação ao programa burguês, à entrega das cidades para o capital e à privatização: enquanto João Campos avançou na privatização de parques, ruas e até bairros de Recife, Raquel Lyra avançou na privatização da COMPESA e do sistema metroviário da RMR. Ambos exaltam a capacidade de gerir a máquina burguesa e entregar obras, mas não representam nenhum interesse proletário. A candidatura de Ivan Moraes, apesar de compor uma face “um pouco mais à esquerda” dentro da Frente Ampla, tampouco se dispõe a demarcar com essas expressões progressistas de projeto da burguesia – pelo contrário, busca ser o “candidato de Lula” mais à esquerda e seu programa expressa a disposição de uma gestão “mais humana” do capitalismo, como se isso fosse possível. 

Além dos candidatos de Lula, existem duas candidaturas ao Governo que representam programas proletários: Guilherme Fonseca (PSTU) e Camila Falcão (UP), Essas candidaturas expressam de forma mais evidente a necessidade de construção e organização das lutas políticas sob um programa revolucionário proletário, defendem a a reestatização dos setores estratégicos, o fim da política de privatização, inclusive via OSs, na saúde e educação e a disputa política como fortalecimento da alternativa revolucionária, demonstrando os limites do jogo eleitoral, também. Porém, há na candidatura de Guilherme Fonseca uma proposta de programa muito mais coesa com o que defendemos, pensando os setores estratégicos, bem como, uma leitura mais coerente de Pernambuco, por essa razão, apoiaremos essa candidatura às eleições.

Para as candidaturas a senador, defendemos o Samuel Timóteo (UP), diretor do sindicato da construção civil de Caruaru é importante lutador social em nosso estado e José Mariano Macedo (PSTU), professor da rede básica estadual.

Para deputado estadual apoiaremos Caio Marx (PSTU), indígena, professor e historiador, cuja candidatura tem compromisso na defesa da juventude, desemprego, defesa da educação e contra as privatizações e terceirizações, questao racial, indigena, negra e dos povos de terreiros.

Para federal, indicamos voto livre entre as candidaturas da UP. Apesar de termos maior proximidade com algumas figuras em certas localidades, em outras, menos, entendemos que o debate eleitoral é fundamentalmente programático e político, e que o aspecto pessoal é secundário. Não declaramos apoio às candidaturas que se submeteram ao apoio à frente ampla no primeiro turno, inclusive os companheiros mais avançados nesse campo, como os que subscrevem o programa da Bancada Radical, porque entendemos que percorrem um caminho no qual, em diferentes níveis, a luta institucional parlamentar se sobressai aos princípios da luta e confunde a classe trabalhadora sobre seus inimigos e aliados. Não é a tática eleitoral que deve determinar a estratégia dos revolucionários, mas sim a estratégia que subordina a tática, e é o que muito dos companheiros estão neste momento fazendo, subvertendo essa ordem e aderindo a frente ampla.

Buscamos avaliar critérios fundamentais, como: sua independência política diante dos projetos burgueses em disputa, tanto da extrema-direita bolsonarista quanto da frente ampla social-liberal; sua proximidade programática com as posições do PCBR e sua posição concreta nas lutas da classe trabalhadora pernambucana.

O cenário político em Pernambuco é marcado pelo avanço desenfreado de ataques à classe trabalhadora. Isso é evidenciado, por todos os lados: pelo avanço das privatizações e concessões de serviços públicos e setores estratégicos no estado, pelo sucateamento da saúde e do transporte público na região metropolitana do Recife, a falsa polarização entre o conservadorismo e o social-liberalismo se apresenta no estado respectivamente através da manutenção das oligarquias tradicionais, da extrema-direita e das alianças da frente ampla. Nessa situação, é dever dos comunistas apontar um projeto de classe independente e que faça oposição aos governos burgueses. Essa tarefa não se resume ao momento eleitoral, e continuaremos nas lutas da classe trabalhadora, em Pernambuco e no país, buscando consolidar a atuação revolucionária, elevar a consciência e o nível de organização de nossa classe. 

Seguimos à disposição de conformar a unidade na luta, inclusive com as candidaturas que, seja por divergências de análise, pressão eleitoral ou outros elementos, entendemos que não expressam o programa mais avançado nesse pleito. As eleições são um momento, mas a luta geral que pode nos emancipar é a luta dos trabalhadores pela tomada do poder e construção do Socialismo. 

Mostramos nossa colinha final:

Deputado Estadual: Caio Marx (PSTU) 16123

Deputado Federal: Voto livre na Unidade Popular (UP)

Senado: José Mariano (PSTU) 161

Senado: Samuel Timóteo (UP) 800

Governador: Guilherme Fonseca (PSTU) 16

Presidência: Hertz Dias (PSTU) 16