Construir a independência e a unidade na luta da classe trabalhadora

Publicamos, abaixo, a declaração aprovada em 19/10/2023 na Plenária Nacional Sindical e Popular da Oposição de Esquerda, convocada pelo PCB-RR e por outras organizações anticapitalistas brasileiras.

Construir a independência e a unidade na luta da classe trabalhadora
"Repudiamos a postura vacilante do governo Lula frente ao regime colonial sionista e as declarações do governo que definem como “terrorismo” a luta revolucionária de libertação do povo palestino contra a ocupação colonial israelense."

As organizações políticas, sindicais e populares reunidas na Plenária Nacional Sindical e Popular de Oposição de Esquerda, que nos pautamos pela defesa da independência de classe e, portanto, estamos na oposição de esquerda ao governo Lula/Alckmin, reafirmamos mais uma vez que não será esperando boa vontade desse governo, mas lutando contra ele (e também contra a ultradireita) que nossa classe poderá defender seus direitos e interesses.

Por outro lado, defendemos e vamos desenvolver todos os esforços no sentido de unir as lutas e a nossa classe em torno delas, pois a unidade dos trabalhadores na luta é a sua maior força. Essa plenária é um primeiro passo para tratar de assegurar a existência de um espaço onde se possa concretizar a unidade de ação que fortaleça todas as lutas da nossa classe (lutas salariais em curso, revogação das reformas da previdência e trabalhista, contra as privatizações e cortes na saúde e na educação etc).

Nos dias de hoje, essa exigência também se coloca mais que nunca em torno a uma obrigação internacionalista de todos e todas nós: o apoio incondicional à luta do povo palestino, barbaramente atacado pelo Estado fascista de Israel. Nos comprometemos a fortalecer todas as manifestações de apoio ao povo palestino em curso e aprovamos o manifesto que vai abaixo:

Nós, organizações de Oposição de Esquerda ao governo Lula, declaramos nossa solidariedade irrestrita ao legítimo direito de resistência do povo palestino contra o regime de apartheid e terrorismo genocida do Estado Sionista de Israel. Repudiamos a postura vacilante do governo Lula frente ao regime colonial sionista e as declarações do governo que definem como “terrorismo” a luta revolucionária de libertação do povo palestino contra a ocupação colonial israelense.

Isso ocorre apesar de o Brasil sequer reconhecer oficialmente o Hamas como grupo terrorista, o que não impediu o governo brasileiro de proferir inúmeras declarações que estabelecem uma falsa simetria entre as partes beligerantes e uma invisibilização das diversas forças populares palestinas que lutam contra a ocupação colonial e o regime de apartheid israelense. Enquanto condena os combatentes palestinos, silencia sobre o cerco genocida israelense à Faixa de Gaza, com incontáveis crimes de guerra e privação das populações civis locais de água, eletricidade e até mesmo tratamento médico, uma vez que já diversos hospitais foram bombardeados por Israel.

Isso mais uma vez evidencia a capitulação do governo Lula diante dos interesses da burguesia imperialista e a insuficiência de seu suposto apoio ao povo palestino.

É por isso que, quando o Ministro dos Esportes, Fufuca, declara abertamente seu apoio a Israel, não é repreendido pelo governo: para além das palavras sobre “paz” e “cessar-fogo”, o governo brasileiro atua na verdade, por sua condescendência, com cumplicidade com Israel. A pretexto da proteção aos cidadãos brasileiros, o governo Lula endossou a proposta de criação de um corredor humanitário para fuga de civis de Gaza para o Egito - uma medida que, em sua aparência pode parecer justa, mas, em sua aplicação prática pode resultar no deslocamento massivo da população palestina para fora de seu território, favorecendo os objetivos sionistas de ocupação total das terras palestinas.

Tudo isso porque, de fato, a classe capitalista brasileira à qual este governo serve tem laços íntimos com a classe dominante de Israel - as armas israelenses matam o povo pobre e não-branco tanto no Brasil quanto na Palestina.

Em um esforço ativo de internacionalismo proletário em nosso país, exigimos do governo brasileiro a imediata suspensão de todos os acordos comerciais, militares e diplomáticos com Israel e suas empresas, expulsando do país o embaixador de Israel, bem como exigimos sanções internacionais ao estado sionista e o reconhecimento exclusivo do autogoverno palestino sobre toda a região, do rio ao mar!

Todas e todos às ruas em defesa da emancipação do povo palestino!

Assinam:

Coletivo Feminista Marielle Vive!
CSP-CONLUTAS
CST
Emancipação Socialista
FSDTM - Federação Sindical e Democrática dos Trabalhadores Metalúrgicos de MG
Juventude Já Basta!
Luta Popular
MNOB - Movimento Nacional de Oposição Bancária
Movimento Mulheres em Luta
MRS
MRT
OSL
PCB-RR
PSTU
Quilombo Raça e Classe
Rebeldia - Juventude da Revolução Socialista
Revolução Socialista - Tendência do PSOL
SINDSEF-SP
Socialismo ou Barbárie
União da Juventude Comunista (UJC)
Unidos pra Lutar