Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 997

Congresso dos EUA barra proposta que buscava impedir a integração militar entre Estados Unidos e Israel. Iniciativa prevê cooperação em tecnologias de defesa, inteligência artificial, dados militares e sistemas de armas autônomas.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 997
Reprodução: US Marine Corps Lance Cpl. Emma Gray.

Congresso dos EUA barra tentativa de acabar com integração militar entre EUA e Israel

O Congresso dos Estados Unidos barrou, em 29 de junho, os esforços dos parlamentares Ro Khanna e Thomas Massie para garantir uma votação que impediria os planos de integrar as indústrias militares de Washington e Tel Aviv.

A rejeição ocorreu por meio do processo de regras da Câmara dos Representantes dos EUA para a Lei de Autorização da Defesa Nacional (NDAA).

Essa lei determina quais emendas propostas ao projeto de política de defesa serão debatidas e submetidas à votação.

O democrata Ro Khanna e o republicano Thomas Massie haviam proposto uma emenda que retiraria do projeto de lei de defesa a iniciativa de integração, denominada Iniciativa de Tecnologia de Defesa EUA–Israel.

A lista de emendas divulgada na segunda-feira não incluiu a proposta de Khanna e Massie.

A iniciativa em questão não apenas integraria os complexos militar-industriais dos Estados Unidos e de Israel, mas também promoveria a integração de tecnologias e dados militares, além de sistemas de inteligência artificial e armas autônomas.

Segundo o texto, essas tecnologias são utilizadas por Israel em sua atual campanha militar na Faixa de Gaza sitiada, descrita pelo artigo como um genocídio contra os palestinos, com apoio dos Estados Unidos.

O texto também afirma que armas fabricadas nos EUA mataram milhares de pessoas no Líbano em apenas alguns meses.

O projeto de integração militar provocou forte reação contrária, em um momento em que pesquisas de opinião continuam indicando um aumento da desconfiança da população norte-americana em relação a Israel.

"Os perigos de permitir que qualquer outra nação tenha acesso às nossas tecnologias militares sensíveis são óbvios, incluindo o fato de que portas dos fundos e programas de espionagem podem ser instalados e certamente serão usados pelos israelenses para influenciar a política dos EUA", afirmou Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo.

Kent renunciou ao cargo em março em protesto contra o que classificou como a guerra ilegal conduzida por EUA e Israel contra o Irã.

Ele também declarou acreditar que Tel Aviv levou Washington a entrar na guerra e contestou a ideia de que Teerã estivesse tentando transformar seu programa nuclear em um programa de armas nucleares.

Outras pessoas, além de Kent, também manifestaram repetidamente preocupação com supostas atividades de espionagem israelense contra o governo dos Estados Unidos.

Entre elas está John Kiriakou, ex-agente da CIA e denunciante, que recentemente participou de diversos podcasts e fez declarações que viralizaram, alegando que o Mossad instalou dispositivos de escuta na sede da inteligência norte-americana.

O Congresso também rejeitou uma tentativa de Khanna e Massie de eliminar os US$ 3,3 bilhões em ajuda militar anual dos Estados Unidos a Israel.

A iniciativa para cortar essa ajuda começou no início deste mês e provocou divisões entre os democratas. Alguns parlamentares defenderam a proposta, enquanto outros a criticaram duramente.

"Em breve, a Câmara votará uma emenda para impedir que o dinheiro dos contribuintes financie as Forças Armadas de Israel. Votarei a favor", afirmou, em 29 de junho, o deputado democrata Greg Casar.

"O governo israelense cometeu crimes de guerra em Gaza e ajudou a arrastar os Estados Unidos para uma guerra contra o Irã. Os americanos não deveriam financiar mais armas para Netanyahu", acrescentou.

Alexandria Ocasio-Cortez também declarou que votaria a favor do corte da ajuda militar. Outros parlamentares, porém, se opuseram à proposta.

"Há fatores demais para simplesmente dizer... estamos retirando US$ 3,3 bilhões", afirmou Gregory Meeks, principal democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

"Sei que ainda existe perigo [em Israel]. Não quero que Israel fique sem aquilo de que precisa", acrescentou.

Os planos de integração militar entre EUA e Israel foram revelados no mês passado em uma cláusula da NDAA de 2027.

A Seção 224 da NDAA propõe pesquisa e desenvolvimento conjuntos na área de defesa, coprodução de armamentos, joint ventures, acordos de licenciamento e outras formas de cooperação entre os complexos militar-industriais dos Estados Unidos e de Israel.

Ela também prevê uma ampliação da coordenação e da integração entre os dois países nas áreas de tecnologia militar, inteligência artificial, tecnologia quântica, sistemas autônomos, armas de energia dirigida e biotecnologia.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 8 mártires e 26 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 1.053

• Total de feridos: 3.406

• Total de corpos recuperados: 786

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 73.066 mártires e 173.514 feridos desde 7 de outubro de 2023.