Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 994
Hezbollah rejeita o acordo-quadro entre Líbano e Israel, e afirma que essa “humilhação” é uma renúncia à soberania libanesa. O grupo exige sua anulação, defende outro memorando e manterá a luta contra a ocupação.
Hezbollah: Declaração do Secretário-Geral do Hezbollah sobre o acordo-quadro entre a autoridade libanesa e a ocupação
Onde está a integridade da autoridade libanesa e sua responsabilidade para com seu povo e na proteção da soberania do Líbano, quando o tutor americano não concedeu um cessar-fogo? Quando recebeu a proposta das negociações entre os Estados Unidos e o Irã, realizadas no Paquistão em abril de 2026, ela a rejeitou, o que levou o inimigo “israelense” a cometer o crime da quarta-feira negra, no qual matou e feriu centenas de pessoas, aterrorizou a população e causou destruição com cem ataques aéreos em todo o Líbano, começando pela capital, Beirute.
Dissemos à autoridade que as negociações diretas constituem concessões gratuitas a “Israel”, pois são reuniões que impõem submissão às exigências da agressão e aos ditames israelo-americanos em sua totalidade. Vocês participam delas enquanto enfrentam a hostilidade e a discordância de mais da metade do povo libanês, e em desacordo com a Constituição e as leis, que consideram a entidade “israelense” um inimigo e processam judicialmente aqueles que lidam com ela, seja por palavras ou ações.
Vocês não possuem nenhuma carta de força com a qual negociar, porque abriram mão voluntariamente da força da resistência e do povo, e apunhalaram a resistência pelas costas ao considerá-la fora da lei em pleno coração da guerra, desde o primeiro momento, por meio da decisão crucial do governo de 2 de março. Tudo para servir ao projeto agressivo “israelense”. Brincar com as palavras e interpretá-las de forma diferente de seu significado não adianta; o que importa são os resultados. Isso constitui uma violação da soberania do Líbano, segundo a avaliação tanto de aliados quanto de adversários.
Em seguida, veio o memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos, que colocou a cessação da guerra no Líbano como seu primeiro ponto. Quando o inimigo “israelense” se recusou a cumpri-lo, o Irã suspendeu o acordo e continuou mantendo fechado o Estreito de Ormuz até que os Estados Unidos pressionassem e obrigassem o inimigo “israelense” a aceitar um cessar-fogo.
O primeiro parágrafo do memorando de entendimento afirma:
“Os Estados Unidos e o Irã, juntamente com seus aliados na guerra em curso, por meio da assinatura deste memorando de entendimento, declaram a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se, a partir de agora, a não iniciar qualquer guerra ou operação militar um contra o outro, bem como a abster-se de ameaçar ou usar a força entre si, garantindo a segurança do território libanês e sua soberania.”
Segundo o terceiro ponto do memorando, as negociações para alcançar um acordo definitivo devem ocorrer dentro de sessenta dias.
A autoridade rejeitou esse entendimento mais uma vez, até que as partes sensatas e envolvidas no memorando a fizeram compreender que os disparos cessariam — algo que ela própria não conseguiu alcançar —, que isso era do interesse do Líbano e que as negociações para a retirada “israelense” estavam nas mãos do próprio Líbano, sem que ninguém negociasse em seu nome.
Esse é o presente de honra, dignidade e força oferecido pelo Irã da perseverança e do orgulho ao Líbano, ao seu povo e à sua resistência. O memorando de entendimento garante “a segurança do território libanês e sua soberania”, e essa soberania se concretiza por meio da retirada completa “israelense”, mediante acordo, dentro de sessenta dias. Trata-se de uma carta de força nas mãos do Líbano, algo que ele jamais poderia ter sonhado possuir.
Ainda assim, a autoridade, por meio do “acordo-quadro”, abre mão das cartas de força contidas no memorando de entendimento, bem como da força da resistência, de sua firmeza e dos sacrifícios deste grande povo libanês, concedendo gratuitamente a “Israel” aquilo que ele deseja.
Que queda horrível é esta? Que grande pecado é este de abandonar a soberania ao inimigo “israelense”? Netanyahu permite o fortalecimento do Exército libanês em duas zonas experimentais! O inimigo monitora seu desdobramento e as etapas do desarmamento, enquanto o comitê tripartite acompanha as exigências do inimigo.
O período experimental nessas duas zonas pode durar meses, e nenhuma outra fase será iniciada sem um certificado de boa conduta emitido pelo inimigo “israelense” e sem a implementação daquilo que “Israel” não conseguiu realizar no campo de batalha!
Como disse Netanyahu: “Israel permanecerá na zona de segurança até que o Hezbollah seja desarmado no Líbano, e os moradores não retornarão à zona ocupada.”
A autoridade está legitimando a continuidade da ocupação por muitos e longos anos, podendo até chegar ao ponto de anexar essas terras à entidade sionista! Este é um acordo que priva os libaneses do direito de retornar às suas terras.
O que o inimigo “israelense” tem a ver com nossos assuntos internos no Líbano? Qualquer acordo deve limitar-se ao sul do rio Litani e não deve ter qualquer relação com questões internas libanesas referentes às armas, à segurança e ao futuro do país.
Vincular a retirada “israelense” ao desarmamento da resistência em todo o território libanês é uma proposta extremamente perigosa, que ultrapassa todas as linhas vermelhas e transforma o Líbano em um brinquedo nas mãos do inimigo “israelense”!
Sob o pretexto de que o Líbano deve cumprir o desarmamento para que “Israel” se retire do país, qualquer arma existente em qualquer lugar do território libanês passará a ser considerada uma prova de que o Líbano não está cumprindo o acordo!
Como poderia ser diferente, quando certamente as armas não serão entregues, e ninguém tem o direito de privar os libaneses do direito à legítima defesa e à defesa da terra contra o ocupante de nosso território e o assassino de nosso povo.
O inimigo deve retirar-se por ser um agressor e um ocupante, por meio de um acordo que trate das causas fundamentais do conflito, como ocorreu em 27/11/2024. Qualquer medida que ultrapasse esse limite representa uma recompensa a “Israel” após a derrota de seu projeto e constitui uma violação da soberania do Líbano.
O acordo-quadro firmado em Washington é uma humilhação, uma vergonha e uma renúncia à soberania. Este acordo não tem qualquer legitimidade, e as disposições do memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos devem ser implementadas. Continuaremos a agir por todos os meios necessários, bem como por meio de pressões internacionais e árabes, para garantir que o inimigo “israelense” cumpra a primeira cláusula do memorando de entendimento e se retire do Líbano.
Dizemos às autoridades libanesas: ainda há tempo para recuarem dos erros que estão destruindo o Líbano; esse será um gesto meritório que compensará as faltas cometidas. Estamos prontos para cooperar e permanecer unidos pela soberania do Líbano, pela libertação de seu território, pela expulsão do ocupante “israelense”, pela libertação dos prisioneiros, pelo retorno da população, pela reconstrução do país, pela sua edificação e pelo acordo em torno de uma estratégia nacional de segurança.
O cessar-fogo não teria sido possível sem os grandes sacrifícios dos combatentes, de suas famílias e do povo libanês. Preservaremos a confiança depositada pelos mártires, pelos feridos e pelos prisioneiros, assim como honraremos os sacrifícios do povo desta terra, do Exército Libanês e de todas as organizações e grupos que ofereceram mártires e feridos.
Continuaremos como resistência no terreno até derrotar a ocupação. Não abandonamos o campo nos momentos mais difíceis, e não o abandonaremos agora, pois acreditamos que esse é o caminho do bem e da salvação.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 mártires e 15 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 1.031
• Total de feridos: 3.309
• Total de corpos recuperados: 785
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 73.043 mártires e 173.417 feridos desde 7 de outubro de 2023.