Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 993
Mais de 1.150 trabalhadores da saúde pedem o boicote à Associação Médica de Israel, por sua cumplicidade no genocídio em Gaza e omissão diante da destruição do sistema de saúde e da perseguição a palestinos.
Trabalhadores da saúde do mundo todo pedem boicote à Associação Médica de Israel
Mais de 1.150 profissionais e organizações da área da saúdelançaram, em 13 de junho, uma petição pedindo o boicote à Associação Médica de Israel (IMA, na sigla em inglês), acusando-a de não cumprir os princípios da ética médica e de ser "cúmplice" do genocídio dos palestinos em Gaza.
A iniciativa é liderada pelo Movimento pela Saúde dos Povos (People's Health Movement – PHM), pelo Doctors for Gaza e pelo Conselho Consultivo de Saúde do grupo Jewish Voice for Peace.
As organizações pedem que a Associação Médica Mundial (WMA, na sigla em inglês) exclua a IMA devido ao seu silêncio diante da destruição sistemática da infraestrutura de saúde por Israel e da morte, do sequestro e da tortura de médicos, enfermeiros e socorristas palestinos.
A petição também foi publicada na The Lancet, considerada a principal revista médica do mundo.
O documento solicita que a WMA "responsabilize a IMA" e condena a "cumplicidade" da entidade com o cerco, as restrições à ajuda humanitária e os ataques à infraestrutura de saúde em Gaza, na Cisjordânia ocupada, no Líbano e no Irã.
A petição afirma ainda que a IMA violou a "ética médica e o direito internacional humanitário" na Faixa de Gaza sitiada.
O grupo espanhol Health Workers for Palestine, a organização norte-americana Doctors Against Genocide e a Health Alliance for Democracy, das Filipinas, estão entre as centenas de signatários.
A The Lancet escreveu que "não identificou nenhuma declaração na qual a IMA tenha condenado publicamente os ataques israelenses ao sistema de saúde de Gaza, criticado a conduta de Israel na guerra, pedido um cessar-fogo ou respondido aos relatórios da ONU sobre genocídio contra os palestinos".
A IMA não é oficialmente vinculada ao governo israelense. No entanto, tem reproduzido os argumentos do governo de Israel para justificar ataques a hospitais em Gaza, especialmente a alegação — contestada por diversas fontes — de que o Hamas utiliza instalações médicas como centros de comando.
No fim de 2023, um grupo de médicos israelenses, incluindo dezenas de profissionais em atividade, divulgou uma carta aberta pedindo o bombardeio do Hospital Al-Shifa, em Gaza.
Essa carta classificava a infraestrutura de saúde de Gaza como um "alvo legítimo". A IMA não adotou nenhuma medida disciplinar contra os médicos envolvidos.
O Hospital Al-Shifa esteve entre dezenas de unidades de saúde em Gaza que foram repetidamente bombardeadas e alvo de incursões militares israelenses.
"Essa incitação foi respaldada pela cobertura institucional da IMA, que não apenas deixou de condenar os ataques ao sistema de saúde, como também fez lobby para impedir apelos internacionais por um cessar-fogo, priorizando o alinhamento militar em detrimento de seu dever humanitário de proteger vidas", escreveu o Euro-Mediterranean Human Rights Monitor em um relatório publicado em abril de 2026.
A campanha militar israelense em Gaza resultou na destruição do sistema de saúde da Faixa.
Dezenas de hospitais e centros de saúde foram bombardeados e ficaram fora de funcionamento. Em dezembro de 2024, tropas israelenses invadiram o Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza.
Segundo o Euro-Med, profissionais de saúde e civis deslocados que estavam abrigados no hospital foram executados durante a operação.
O diretor do hospital, Hussam Abu Safiya, também foi detido durante essa incursão e permanece sob custódia israelense, enfrentando, segundo o texto, graves maus-tratos e tortura.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 mártires e 15 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
•Total de mártires: 1.031
•Total de feridos: 3.309
•Total de corpos recuperados: 785
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 73.043 mártires e 173.417 feridos desde 7 de outubro de 2023.