Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 991

Relatório conclui que ocupação alveja deliberadamente crianças palestinas em Gaza e na Cisjordânia ocupada. Mortes e ferimentos graves continuaram mesmo após o cessar-fogo, em violação ao direito internacional.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 991
Reprodução: AP / Hatem Moussa.

ONU conclui que Israel ataca crianças dolosamente em Gaza e na Cisjordânia ocupada

Um relatório emitido pela Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, em 23 de junho, concluiu que tropas israelenses estão deliberadamente mirando crianças palestinas em Gaza e na Cisjordânia ocupada como um elemento central de sua campanha de limpeza étnica.

“As evidências mostram que crianças palestinas foram deliberadamente alvejadas e mortas pelas forças de segurança israelenses”, afirmou Srinivasan Muralidhar, presidente da comissão.

Ele acrescentou: “Mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025, crianças continuam sendo mortas e gravemente feridas, com Israel mantendo seu desrespeito ao cessar-fogo e à proteção devida às crianças palestinas segundo o direito internacional.”

A comissão independente observou que o ataque sistemático de forças israelenses contra crianças palestinas causou uma devastação profunda e irreversível.

Essas atrocidades deliberadas são caracterizadas por trauma em massa, deficiência física, fome e destruição intencional dos serviços de saúde, educação e assistência materna, incluindo o desmantelamento de orfanatos.

Além da violência imediata, as crianças enfrentam detenções arbitrárias, tortura e violência sexual, todas utilizadas para enfraquecer a estrutura fundamental da sociedade palestina.

Esse ataque intergeracional busca desmontar a vitalidade demográfica do povo palestino, criando uma “psique ocupada” que priva as crianças de segurança, desenvolvimento e esperança de um futuro.

Médicos de diversas nacionalidades forneceram relatos detalhados sobre o tratamento de crianças palestinas que teriam sido deliberadamente alvejadas por atiradores de elite israelenses, descrevendo um “fluxo constante” de civis não combatentes com ferimentos causados por disparos únicos de armas de grosso calibre, especificamente na cabeça ou no peito.

A investigação concluiu que crianças representaram aproximadamente 30% de todos os mortos durante o genocídio em Gaza.

No entanto, esse número provavelmente subestima o total real de vítimas, já que milhares de pessoas permanecem soterradas sob cerca de 61 milhões de toneladas de escombros

Embora o Ministério da Saúde de Gaza tenha registrado oficialmente aproximadamente 72 mil mortes, especialistas acreditam que entre 10 mil e 14 mil corpos adicionais estejam presos sob os destroços de casas, escolas e hospitais.

Equipes independentes de pesquisa sugerem que o número total de mortes, considerando os efeitos indiretos do colapso da infraestrutura, da desnutrição e das doenças, pode ultrapassar 600 mil.

Os esforços de recuperação em Gaza estariam sendo sistematicamente prejudicados por um bloqueio à entrada de maquinário pesado essencial e de materiais forenses.

Evidências de diretrizes militares explícitas de “atirar para matar” sugerem que o elevado número de mortes de civis seria resultado do uso calculado e indiscriminado de força letal.

Soldados israelenses relataram ter recebido ordens para matar qualquer homem encontrado, independentemente da idade ou de estar armado, e, em alguns casos, pessoas teriam sido mortas mesmo enquanto acenavam bandeiras brancas e estavam sem camisa.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 mártires e 14 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 1.029

• Total de feridos: 3.294

• Total de corpos recuperados: 785

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 73.041 mártires e 173.402 feridos desde 7 de outubro de 2023.