Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 977
Allianz recebe autorização para processar ativistas pró-Palestina em quase US$ 400 mil após protestos contra a fabricante israelense de armas Elbit Systems. Os réus tentaram recorrer da decisão, mas o pedido foi negado.
Tribunal inglês concede à Allianz permissão para processar ativistas pró-Palestina em quase US$ 400 mil
Em 7 de junho, o juiz Alan Johns, da Comarca Central de Londres, autorizou a multinacional alemã de seguros Allianz, seguradora da fabricante israelense de armamentos Elbit Systems, a prosseguir com uma ação civil contra um grupo de ativistas pró-Palestina, buscando quase US$ 400 mil em indenizações.
O juiz rejeitou o pedido dos réus para suspender o processo corporativo até a conclusão dos procedimentos criminais contra eles.
Os ativistas, identificados como Allianz6, participaram de manifestações nos escritórios da Allianz em Londres e Guildford durante 2024 e 2025, nas quais ocuparam os prédios e aplicaram tinta vermelha solúvel em água nas fachadas.
A Allianz tornou-se alvo de ativistas pró-Palestina devido aos seus vínculos financeiros e de seguros com a Elbit Systems UK, subsidiária britânica da maior fabricante de armas de Israel. Segundo reportagem do Middle East Eye (MEE), a seguradora afirma que essas ações causaram danos materiais superiores a US$ 100 mil.
O conflito jurídico se intensificou depois que os réus solicitaram a suspensão do processo civil. Em resposta, a Allianz aumentou suas exigências financeiras, acrescentando mais £200 mil (US$ 267.909) em chamadas “indenizações simbólicas”. A empresa alegou que sofreu “danos à reputação e constrangimento comercial”, argumentando que os ativistas forçaram o fechamento de cada escritório por um dia.
O valor total da ação agora é de £289.604 (cerca de US$ 387.938), além das custas judiciais. Os ativistas classificaram essa quantia adicional como uma “taxa de licença para protestar”.
Seren John-Wood, trabalhadora comunitária e uma das rés, declarou ao MEE que a estratégia de transferir o caso para a esfera civil é uma tentativa deliberada de evitar julgamentos por júri.
Enquanto tribunais criminais no Reino Unido frequentemente absolvem ativistas pró-Palestina, os processos civis são decididos por juízes e utilizam um padrão de prova menos rigoroso.
John-Wood descreveu a medida como “tão chocante quanto sem precedentes”, observando que os réus não têm acesso a assistência financeira para representação jurídica na esfera civil.
Os protestos tiveram como alvo a Allianz devido ao seu papel como seguradora da Elbit Systems, fabricante israelense de armamentos que fornece 85% dos drones utilizados pelas forças armadas israelenses em suas operações militares contínuas no Oeste Asiático e durante a guerra em Gaza.
Embora a Allianz tenha registrado um lucro operacional de US$ 20,1 bilhões em 2025, a empresa teria encerrado sua cobertura da Elbit Systems em dezembro daquele ano.
Caso o tribunal decida em favor da gigante dos seguros, as indenizações seriam cobradas dos rendimentos futuros e das economias dos ativistas, o que, segundo os próprios réus, poderia levá-los à falência.
Renee Eshel, escritora e também ré no processo, afirmou ao MEE que a empresa está utilizando “táticas intimidadoras baseadas no medo para nos forçar à submissão” e para desencorajar outras pessoas de denunciar o envolvimento corporativo em crimes de guerra.
Os integrantes do Allianz6 foram inicialmente acusados de invasão agravada, “locking on” (prática de se prender fisicamente a um objeto) e danos ao patrimônio. Posteriormente, as acusações foram reduzidas apenas para danos ao patrimônio.
Os julgamentos criminais não devem começar antes de outubro de 2026 e janeiro de 2028.
A Elbit tem sido há muito tempo um dos principais alvos de grupos ativistas pró-Palestina, como o Palestine Action, o movimento global de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) e a chamada “Earthquake Faction”.
A Anistia Internacional identifica a Elbit Systems como uma importante colaboradora das políticas israelenses que a organização caracteriza como genocídio, apartheid e ocupação ilegal, afirmando que a empresa sustenta um governo que teria “produzido fome e mortes em massa”.
Em 2025, a Elbit registrou “lucros recordes” relacionados à guerra em Gaza, reportando receita de US$ 1,92 bilhão, acima dos US$ 1,72 bilhão registrados no ano anterior. Autoridades da ONU condenaram a continuidade do conflito como um “empreendimento lucrativo” para a fabricante.
Comunicado do Ministério da Saúde
Na manhã de hoje, 24 pacientes acompanhados por 45 acompanhantes deixaram a Faixa de Gaza pela passagem de Rafah para dar continuidade ao tratamento médico no exterior.
A Comissão de Transferências Médicas do Ministério da Saúde continua seus esforços intensivos para gerir e acompanhar os processos de viagem dos pacientes, mantendo coordenação permanente com as partes envolvidas para facilitar os procedimentos de saída dos casos que necessitam de tratamento fora da Faixa de Gaza.
O ministério ressalta que um grande número de pacientes e feridos ainda aguarda autorização para viajar e receber tratamento, renovando seu apelo para que os procedimentos de saída sejam acelerados, de forma a garantir o acesso oportuno aos cuidados médicos necessários e preservar seu direito ao tratamento e à vida.