Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 965
Irã declara solidariedade e apoio a Omã após Donald Trump ameaçar bombardear o sultanato caso o país se alie a Teerã no Estreito de Ormuz. A posição foi reafirmada em conversa entre chanceleres dos países.
Irã expressa “total solidariedade” a Omã após ameaças de Trump
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, prometeu “solidariedade” e apoio ao Sultanato de Omã em 29 de maio, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou bombardear o país do Golfo caso ele se unisse a Teerã para administrar o Estreito de Ormuz.
As declarações ocorreram durante uma conversa telefônica entre Araghchi e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al-Busaidy.
“Em uma conversa muito produtiva com o ministro das Relações Exteriores Badr Al-Busaidy, expressei a solidariedade do Irã a Omã diante de qualquer ameaça”, afirmou Araghchi em uma publicação no Twitter.
“Discutimos Ormuz e sua futura administração de acordo com nossas responsabilidades soberanas e o direito internacional. Recebemos com satisfação consultas com todos os Estados vizinhos”, acrescentou.
Os dois também discutiram os esforços para encerrar a guerra e o bloqueio ilegais impostos pelos EUA e por Israel contra a República Islâmica.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou uma declaração na sexta-feira afirmando que “a obtenção de um acordo final dependia do abandono, por parte dos Estados Unidos, de uma postura baseada em exigências excessivas e em posições contraditórias e mutáveis”.
A declaração foi divulgada enquanto Trump afirmava estar encerrando o bloqueio naval dos EUA contra o Irã. Ao mesmo tempo, exigiu que o Irã abandonasse suas reivindicações de participar da administração de Ormuz ao lado de Omã, além de exigir que o urânio enriquecido iraniano fosse “desenterrado” e “destruído” pelos EUA e pela China.
Trump também declarou que o Estreito de Ormuz “deve ser imediatamente aberto”, pedindo ainda a remoção de todas as minas.
“Outros itens, de importância muito menor, já foram acordados. Agora me reunirei na Sala de Situação para tomar uma decisão final”, acrescentou.
A agência iraniana Fars News citou autoridades e fontes iranianas que rejeitaram as declarações do presidente americano, classificando-as como “mentiras”. Segundo a agência, o Irã exige o desbloqueio de seus ativos financeiros e um cessar-fogo completo no Líbano, e só discutirá a questão nuclear quando esses assuntos forem resolvidos.
O portal Axios informou na quinta-feira que foi alcançado um memorando de 60 dias para estender a trégua e realizar negociações, mas que Trump ainda precisa dar sua aprovação final.
A mídia iraniana afirmou que nenhum acordo foi finalizado ou confirmado.
Uma versão preliminar anterior, que circulou na imprensa, previa o adiamento das questões nucleares e a concentração em medidas imediatas de redução de tensões, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz para Washington e seus aliados.
O Irã tem exigido que essa importante via marítima seja administrada conjuntamente por Teerã e Mascate.
Omã e a República Islâmica vêm realizando consultas sobre o tema nas últimas semanas, apesar das ameaças de Trump e de seu governo.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, emitiu um alerta a Mascate na quinta-feira, ameaçando impor sanções a qualquer ator que facilite um sistema de cobrança de pedágios na estratégica hidrovia.
Bessent afirmou que os EUA irão “agir agressivamente” contra quaisquer empresas, embarcações ou parceiros envolvidos, “direta ou indiretamente”, na facilitação de pagamentos de tarifas pelo estreito, acusando o Irã de tentar prejudicar o comércio global.
Um dia antes, Trump declarou: “Omã vai se comportar como todo mundo ou teremos de explodi-los”.
Washington bombardeou o Irã várias vezes durante o cessar-fogo. O ataque mais recente ocorreu nesta semana.
O Irã respondeu com um ataque de mísseis e drones contra ativos americanos no Kuwait. Teerã prometeu respostas “devastadoras” caso a guerra seja retomada.
Fontes familiarizadas com um documento confidencial dos EUA disseram ao Capital & Empire em 28 de maio que Israel está pressionando os EUA a assassinar o principal negociador iraniano e a retomar uma guerra em larga escala com ataques à infraestrutura energética do país.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 48 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 16 mártires e 39 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 922
• Total de feridos: 2.786
• Total de corpos recuperados: 781
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.819 mártires e 172.894 feridos desde 7 de outubro de 2023.