Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 949
Microsoft afasta o chefe de operação em Israel após investigar o uso de seus sistemas por unidades militares israelenses sem transparência como ferramenta de apartheid e vigilância em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
Microsoft remove gerente nacional de Israel por sistema de vigilância em massa direcionado a palestinos
O gerente-geral da Microsoft Israel, Alon Haimovich, foi removido do cargo após uma investigação interna sobre os vínculos da filial com o Ministério da Defesa de Israel, informou o Globes em 11 de maio.
O escritório israelense foi colocado sob a supervisão da Microsoft França até que um substituto permanente seja nomeado.
Haimovich, que liderou a Microsoft Israel por quatro anos, foi convocado como parte da investigação depois que a filial local não divulgou completamente como o ministério estava utilizando os sistemas da Microsoft.
Diversos gerentes responsáveis por supervisão interna, conformidade e governança também estão deixando seus cargos.
Segundo o Globes, a Microsoft estava preocupada com o fato de unidades militares israelenses estarem utilizando seus sistemas de maneiras que não eram transparentes para a gestão global, violavam os termos da empresa e expunham a Microsoft a riscos legais e regulatórios na Europa.
Esse risco era especialmente elevado porque a Microsoft não fazia parte do projeto israelense de computação em nuvem Nimbus, junto com Google e Amazon, o que levou alguns sistemas a serem roteados por servidores europeus, onde as leis de privacidade e vigilância em massa são mais rigorosas.
A investigação ocorre após uma reportagem do The Guardian revelar que a Unidade 8200 da inteligência israelense construiu um sistema de vigilância em massa em servidores Microsoft Azure na Europa, armazenando gravações de milhões de chamadas telefônicas palestinas de Gaza e da Cisjordânia ocupada.
O acordo teria sido firmado em 2021 durante uma reunião na sede da Microsoft em Redmond entre o CEO Satya Nadella e o então comandante da Unidade 8200, Yossi Sariel.
O The Guardian informou que o sistema permitiu que a Unidade 8200 construísse “um sistema amplo e intrusivo que coleta e armazena gravações de milhões de chamadas de celular feitas diariamente por palestinos em Gaza e na Cisjordânia.”
A Microsoft teria encerrado o acordo de uso com a Unidade 8200 em setembro de 2025, mas, segundo o Globes, a revisão interna concluiu que a Unidade 8200 era apenas “a ponta do iceberg”, com outras unidades militares israelenses também utilizando sistemas da Microsoft.
A Microsoft já havia demitido vários funcionários por protestarem contra os vínculos da empresa com Israel, após revelações de que o Azure estava sendo usado como ferramenta de apartheid e vigilância em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
O presidente da Microsoft, Brad Smith, afirmou em setembro passado que “a Microsoft não é um governo nem um Estado – somos uma empresa privada – e, como qualquer empresa, decidimos quais produtos e serviços oferecer aos nossos clientes.”
O Projeto Nimbus de Israel tornou-se um exemplo importante de como empresas privadas de tecnologia estão sendo cada vez mais integradas a sistemas militares, levantando riscos legais, políticos e estratégicos para companhias cuja infraestrutura ajuda a sustentar guerras modernas.
Analistas afirmam que a reestruturação da Microsoft Israel aponta para uma mudança mais ampla na guerra moderna, em que sistemas em nuvem, plataformas de IA e centros de dados passaram a fazer parte da infraestrutura usada para coleta de inteligência, vigilância, coordenação de drones e tomada de decisões no campo de batalha.
Isso tornou mais tênue a linha entre tecnologia civil e operações militares, à medida que grandes empresas de tecnologia sustentam a arquitetura de dados utilizada por governos, agências de inteligência e forças armadas.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 mártires e 10 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 856
• Total de feridos: 2.463
• Total de corpos recuperados: 770
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.742 mártires e 172.565 feridos desde 7 de outubro de 2023.