Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 854

Centenas de colonos israelenses protestaram e cruzaram a fronteira de Gaza, defendendo a criação de assentamentos judeus sobre as ruínas de cidades palestinas no enclave devastado, em violação ao direito internacional.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 854
Reprodução: Tsafrir Abayov/Flash90.

Colonos israelenses invadem Gaza

Centenas de colonos israelenses realizaram um protesto e entraram brevemente em Gaza em 7 de fevereiro como parte de um esforço mais amplo para estabelecer assentamentos judeus sobre as ruínas de cidades palestinas no enclave devastado.

“Gaza pertence exclusivamente ao povo de Israel! Chegou a hora de se estabelecer em Gaza!”, afirmou o movimento de assentamentos Nachala em uma publicação nas redes sociais que documentou o protesto.

O membro do Knesset Ariel Kallner, do partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, discursou na manifestação.

“O renascimento da nação de Israel acontecerá quando uma bandeira israelense tremular sobre Gaza – quando comunidades judaicas prosperarem em Gaza. Essa será a vitória absoluta sobre o mal absoluto”, declarou Kallner.

“Não nos renderemos às imposições de Trump: não a uma Gaza internacional, sim a uma Gaza judaica”, dizia um dos slogans.

Desde o início da campanha de genocídio de Israel em Gaza, o exército de ocupação matou pelo menos 71 mil palestinos.

Algumas estimativas do número de mortos são muito mais altas, chegando às centenas de milhares, devido ao número desconhecido de corpos presos sob os escombros, além das mortes indiretas causadas pela falta de medicamentos, água potável e alimentos suficientes.

Depois que Israel conquistou a Cisjordânia e Gaza em 1967, o governo estabeleceu assentamentos para israelenses judeus em ambos os territórios em um esforço para anexar ilegalmente as terras palestinas ocupadas ao longo do tempo.

Em 2005, o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon ordenou a evacuação dos assentamentos em Gaza em uma tentativa de obter apoio político nos Estados Unidos para manter os assentamentos na Cisjordânia.

Todos os assentamentos nos territórios palestinos ocupados são ilegais segundo o direito internacional.

O Nachala afirmou que cerca de 1.500 pessoas participaram da manifestação, incluindo reservistas do exército israelense e pelo menos dois parlamentares da coalizão.

Alguns ativistas judeus então atravessaram para Gaza para plantar árvores.

Vídeos da manifestação publicados nas redes sociais mostraram colonos tocando música alta e comemorando junto à cerca da fronteira de Gaza.

“Plantamos árvores em Gaza!”, grita um homem em uma caminhonete branca enquanto a multidão aplaude.

“Se Deus quiser, vamos nos estabelecer por toda Gaza”, declara outro ativista.

O exército israelense, que declarou Gaza uma zona militar fechada, deteve os colonos na “zona de amortecimento”, levou-os de volta a Israel e os entregou à polícia para interrogatório adicional

“Aproximar-se da área da barreira e entrar nela é perigoso e interrompe a atividade das forças de segurança na região”, afirmou o exército.

Pouco depois do início do genocídio, em outubro de 2023, o Ministério da Inteligência de Israel propôs expulsar à força toda a população de Gaza – 2,3 milhões de palestinos – usando preocupações humanitárias como pretexto.

Políticos e rabinos israelenses também pediram o extermínio de palestinos, incluindo mulheres, bebês, crianças e animais, citando como justificativa o precedente bíblico dos antigos israelitas exterminando os amalequitas.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 novos mártires, 1 mártir resgatado dos escombros e 6 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

  • Total de mártires: 492
  • Total de feridos: 1.356
  • Total de corpos recuperados: 715

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 71.667 mártires e 171.343 feridos desde 7 de outubro de 2023.