Tudeh: Resolução da Reunião (Ampliada) do Comitê Central do Partido
O Partido Tudeh defende que o fim imediato da guerra é a tarefa mais urgente. É necessário mobilizar a opinião pública mundial e fortalecer a cooperação internacional entre os partidos e movimentos progressistas.
Por Partido Tudeh do Irã
O Secretariado do Comitê Central do Partido Tudeh do Irã informa que a reunião plenária do Comitê Central do Partido Tudeh do Irã foi realizada no início de março de 2026, com a presença de membros do Comitê Central, quadros do partido e dirigentes. A sessão teve início com um minuto de silêncio em homenagem a todas as vítimas dos bombardeios brutais do imperialismo dos EUA e do governo criminoso de Netanyahu, bem como aos que perderam suas vidas durante os protestos populares de janeiro e aos mártires do movimento Tudeh.
Após uma análise rigorosa das condições precárias e perigosas do país, e enfatizando a necessidade de esforços abrangentes para pôr fim a essa agressão aberta e salvaguardar a soberania nacional do Irã, o plenário adotou uma resolução sobre a situação nacional e a necessidade de cooperação e solidariedade entre todas as forças nacionais e pró-liberdade.
Além disso, a assembleia emitiu um apelo formal a todas as forças nacionais e democráticas dentro do país, conclamando à criação de uma ampla campanha global dedicada à luta pela paz.
A seguir, publicamos a resolução adotada pelo plenário:
A agressão militar do imperialismo dos EUA e do governo criminoso de Netanyahu contra o Irã – sob o falso pretexto de “impedir que o Irã adquira armas nucleares”, e num momento em que negociações entre representantes da República Islâmica e o governo Trump estavam em andamento com mediação de Omã – expôs mais uma vez o caráter agressivo do imperialismo norte-americano e do governo israelense. Essa guerra agressiva, lançada em meio ao silêncio e à aprovação tácita da maioria dos governos da União Europeia e em flagrante violação das leis e normas internacionais, impôs uma catástrofe devastadora ao nosso país e a toda a região do Oriente Médio.
A expansão da guerra pela região – incluindo o ataque criminoso de Israel ao território libanês e a possibilidade de envolvimento de países do Golfo que abrigam bases militares dos EUA após ataques de mísseis da República Islâmica – representa um desastre já alertado por forças progressistas semanas antes. As consequências dessa guerra já são evidentes: aumento acentuado dos preços do petróleo bruto e interrupções no transporte de matérias-primas pelo Estreito de Ormuz desencadearam uma crise econômica generalizada, cujo peso recairá principalmente sobre a classe trabalhadora mundial.
O Oriente Médio tem testemunhado repetidamente tais políticas desumanas. Um exemplo recente é o assassinato de dezenas de milhares de crianças e civis palestinos em Gaza pelo governo Netanyahu – crime que levou à perseguição de líderes israelenses pelo Tribunal Penal Internacional em Haia por crimes contra a humanidade.
O resultado de milhares de mísseis e bombardeios contínuos das cidades iranianas pelos EUA e Israel já causou milhares de mortos e feridos, cerca de três milhões de deslocados e destruição generalizada de residências e da infraestrutura econômica e produtiva do país. Além disso, importantes sítios históricos sofreram danos catastróficos, cuja reconstrução levará décadas, se for possível. A destruição ambiental e a chamada “chuva negra” tóxica também causaram graves danos à saúde pública.
O ataque direto a civis, trabalhadores e crianças é um dos aspectos mais chocantes dessa guerra. Um exemplo claro foi o ataque de míssil Tomahawk dos EUA a uma escola em Minab no primeiro dia da guerra, que matou 168 pessoas, incluindo 110 crianças – um claro crime de guerra e contra a humanidade.
Os ataques também demonstraram que a República Islâmica, apesar dos enormes investimentos militares, não conseguiu cumprir seu dever básico de defender o país, proteger infraestruturas essenciais e salvar vidas.
O papel de forças dependentes como Reza Pahlavi e seus apoiadores em incentivar ataques ao Irã e apoiar planos imperialistas de “mudança de regime” demonstra que esses grupos não possuem base social significativa dentro do país e dependem de intervenção estrangeira – como ocorreu em 1953, quando Mohammad Reza Pahlavi foi imposto após um golpe apoiado pela CIA e pelo MI6.
Antes da agressão, os EUA e o governo Netanyahu analisaram cenários para desestabilizar o Irã, incluindo guerra civil e fragmentação territorial, mobilizando grupos como o Mojahedin-e Khalq. O Partido Tudeh alerta que tais planos devem ser neutralizados, pois prejudicam a luta legítima por direitos democráticos.
Um efeito imediato da guerra foi enfraquecer a luta popular contra a ditadura. Os protestos de dezembro de 2025 e janeiro de 2026, motivados por pobreza e repressão, já haviam colocado o regime em crise. A guerra, porém, mostra que intervenção externa não trará democracia.
A nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder, após a morte de Ali Khamenei, representa um golpe nos ideais da Revolução de 1979, ao reforçar tendências autoritárias e continuidade de políticas fracassadas.
O Partido Tudeh condena historicamente a interferência imperialista, mas também critica as políticas internas do regime, que agravaram a pobreza e expuseram o país a riscos externos.
Protestos recentes mostram que o regime sobrevive por repressão violenta. Apesar disso, há sinais positivos de organização de forças progressistas, embora enfrentem tentativas de deslegitimação.
O Partido Tudeh defende que o fim imediato da guerra é a tarefa mais urgente. É necessário mobilizar a opinião pública mundial e fortalecer a cooperação internacional entre partidos e movimentos progressistas.
Nas condições atuais, a unidade nacional contra a agressão imperialista é essencial. Essa unidade deve se basear em: cessar-fogo imediato, paz duradoura, libertação de presos políticos, proteção da população e da infraestrutura, fim de políticas neoliberais, igualdade de direitos e defesa da soberania nacional.
Expressamos nossas condolências às famílias que perderam entes queridos, casas e meios de subsistência, e a todo o povo iraniano. Permanecemos ao lado dos trabalhadores e das vítimas da guerra, comprometidos em prestar apoio e solidariedade.