'Reconstruir, energética e revolucionariamente, o Partido Comunista Brasileiro!' (Antônio Almeida)

Se a liberdade é a possibilidade de escolher por duas opções críveis, factíveis, e diante do exaurimento de uma outra, sejamos então livres para optar pelo caminho revolucionário e não o da conciliação.

'Reconstruir, energética e revolucionariamente, o Partido Comunista Brasileiro!' (Antônio Almeida)
"Não há outra alternativa que não tangencie pelo empenho militante para a construção do XVII Congresso.

Por Antônio Almeida para Tribuna de Debates Preparatória do XVII Congresso Extraordinário.

Caros e estimados camaradas!

Expresso satisfação e deste modo regozijo-me em todo vigor revolucionário que se faz presente em cada marxista-leninista revolucionário — diante do fogo incandescente que incendeia o terreno das lutas de classes em nosso país, esta redundância se faz presente e necessária —; pelo posicionamento expresso publicamente em torno da Reconstrução Revolucionária do Partido Comunista Brasileiro. Tal iniciativa deve ser apreciada entusiasticamente por todos/todas/todes que hasteiam sobranceiramente a flâmula vermelha na luta pelo socialismo em nosso país.

Muito se falou e frequentemente sobre a participação inadvertida do PCB nos encontros da assim chamada "Plataforma Mundial Anti-imperialista" (PMAI), tratando como letra-morta as resoluções do XVI congresso do PCB (2022) que inseria os comunistas brasileiros na iniciativa de reorganização do Movimento Comunista Internacional (MCI). Isto, por si só, seria motivo de cisão no seio do nosso Partido; senão, miramo-nos na história. Aludo, tão somente de passagem, o conflito sino-soviético. A não observância dos princípios fundamentais do leninismo, sobretudo a sua fecunda e seminal análise do imperialismo, conduziu-nos pela mão do etapismo, renunciando aos nossos objetivos revolucionários e ressuscitando vaga e imprecisamente o reformismo. Infelizmente, a atual crise que grassa no seio do nosso partido não se limita a isso.

As estripulias cometidas pelo CC por meio de processos disciplinares sem a garantia de ampla e irrestrita defesa aos "acusados" (sic), as expulsões arbitrárias desencadeadas contras as vozes dissidentes e a pouca — quase nenhuma — vigilância quanto ao conteúdo democrático do princípio organizativo consagrado pela história do movimento comunista internacional, somou-se a canhestra e mambembe postura adota pelos academicistas "senhores todo poderosos" do partido na questão internacional, bem como a guinada tática à direita no plano interno, tornou a cisão em duas alas distintas em nosso partido um rastilho de pólvora que explodiu em uma crise aberta.

Diante de tamanha gravidade e com a possibilidade de levar a cabo uma solução comum às nossas divergências teóricas, políticas e organizativas, por meio de um debate aberto e fraternal entre as partes, o CC agiu no espírito de um verdadeiro pogrom e, deste modo, cerrou a porta que guardava a unidade em nossas fileiras. É uma constatação armagara, porém os fatos são teimosos: não nos restou outro caminho. Portanto, não é temerário afirmar que os verdadeiros fracionistas — Comitê Central — são os principais responsáveis pela rotura inadiável.

Atribui-se frequentemente ao célebre escritor russo Fiódor Dostoiévski a frase: "se está com medos dos lobos, que não entre na floresta", da qual Lênin serviu-se em uma de suas peças polêmicas que, por ora, e desde já as minhas escusas, não me recordo. Parece-me que a máxima nos é perfeitamente aplicada ao nosso contexto sob, é claro, sensíveis adaptações. Quem teme aos lobos, isto é, a crítica e o direito de sua réplica em caráter de autocrítica, não entre na floresta, ou seja, os terrenos "desconhecidos", para alguns, da luta política. Exemplifico: se o CC e seus acólitos — infelizmente há muitos honestos e bem intencionados entre eles — arredam-se tão somente à "forma" de como a crítica foi realizado, isto denota que o mesmo órgão central do PCB, receia profundamente a adentrar ao cerne das divergências. Dito de outro modo e em linhas gerais: quem tem medo do XVII (extraordinário) Congresso do Partido Comunista Brasileiro?

Camaradas,

Sangra tal qual os ativos do nosso partido, o meu coração. O sentimento, outrora de decepção, seguiu a sua evolução interna para um outro, este de amargura. Entretanto, em face de condições novas e superiores que foram gradualmente amadurecidas em seu seio — e agradeço profundamente ao PCB-RR pelo desenvolvimento do negativo-universal — a etapa anterior que denominei como "amargura" perdeu sua racionalidade, sua necessidade, seu direito de existir, e cedeu lugar a uma nova etapa, mais elevada, e perene. A nova condição que me sucede agora não pode ser outra senão o entusiasmo revolucionário que me forja, considerando, pois o talhamento necessário para travar a luta em torno da consolidação e aprofundamento de nossa Reconstrução Revolucionária.

Não há outra alternativa que não tangencie pelo empenho militante para a construção do XVII Congresso. Se a liberdade é a possibilidade de escolher por duas opções críveis, factíveis, e diante do exaurimento de uma outra, sejamos então livres para optar pelo caminho revolucionário e não o da conciliação.

Por fim, camaradas, gostaria de uma vez mais saudar a iniciativa da “Reconstrução Revolucionária”. Considerem em toda e qualquer circunstância a disposição do meu nome para construir o XVII, desde o debate em torno do Manifesto publicado até a organização de comissões provisórias municipais, estaduais e nacionais. Que tomemos como consigna o lema do revolucionário francês: “audácia, audácia e sempre audácia”.

Até a vitória! Saudações Leninistas!