Partido Comunista da Turquia: Orgulhem-se do quadro que vocês pintaram!
O resultado é claro: a destruição de fato da Síria e o abandono à vulnerabilidade de todas as comunidades que vivem no país. Cada ator regional tenta agora evitar as consequências dessa destruição, que também os atingirão.
Por Partido Comunista da Turquia (TKP)
O programa imperialista implementado na Síria por meio das intervenções dos EUA, em primeiro lugar, bem como do Reino Unido, de Israel e da Turquia, colocou o país à beira de um novo processo de destruição e catástrofe. O avanço de forças jihadistas, sobretudo da HTS, passou a ter como alvo bairros curdos e áreas civis em Aleppo, aprofundando ainda mais a crise humanitária que já se vive em todo o país.
Já dissemos repetidas vezes que não é possível que o governo jihadista da HTS, desprovido de qualquer legitimidade, estabeleça de fato sua soberania sobre o país – e que, aliás, é exatamente isso que se deseja. Colani, colocado no poder pelas forças imperialistas após a contrarrevolução, não tem o direito de decidir como deve viver qualquer comunidade que habita a Síria, de intervir nelas ou de lhes impor sua palavra. Por isso, a intervenção da HTS nos bairros curdos de Aleppo é ilegítima e inaceitável.
Apesar disso, aqueles que, ignorando a identidade de Colani e a linha jihadista-colaboracionista que ele representa, lançam hipócritas brados de guerra, acabam também dando apoio indireto à armadilha imperialista na qual a Turquia vem sendo gradualmente arrastada.
Hoje, todos os atores no terreno sírio aceitaram de fato o plano regional imposto pelo imperialismo. Os conflitos que emergem não são fruto de uma luta de frente contra frente, mas sim de um processo de barganha baseado em puxar para diferentes direções a linha principal previamente acordada. Da HTS às FDS, da Turquia aos países do Golfo, todos os atores colocam acima de tudo a aprovação e o apoio do imperialismo norte-americano.
O resultado dessa transformação conduzida em conjunto é claro: a destruição de fato da Síria e o abandono à vulnerabilidade de todas as comunidades que vivem no país. Cada ator regional envolvido tenta agora evitar as consequências finais dessa destruição, que inevitavelmente também o atingirão.
Por outro lado, no plano ao qual aderiram, a política expansionista de Israel na região é indiscutível. O cerco ao Irã e a transformação de toda a região em uma base de operações EUA-Israel são os objetivos centrais.
A região, começando pela Síria, será transformada em um paraíso de mão de obra barata, e zonas livres abrirão caminho para a circulação irrestrita do capital. O objetivo é converter a Síria em uma estrutura política fragmentada, dependente e destituída de soberania. O vencedor é evidente.
À medida que o capital turco tenta se expandir ainda mais em um país permanentemente desestabilizado pela fome, pela pobreza e pelas guerras, totalmente aberto a intervenções externas, a própria Turquia se tornará mais frágil e vulnerável à intervenção. O fato de o governo do AKP, que passo a passo serve aos planos dos EUA e de Israel e apresenta a destruição da Síria como um “sucesso”, assumir a tutela da HTS jihadista representa um grave perigo para a Turquia.
Àqueles que se orgulham do quadro que pintaram coletivamente na Síria, lembremos o que falta nessa imagem: a libertação tanto da Síria quanto da Turquia só será possível quando o povo se levantar e se opuser a esta guerra de partilha. O destino de nenhum povo cabe – nem caberá – no quadro de destruição que vocês pintaram juntos.