Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 32)
No 32º dia de ocupação em Santarém, o movimento avança para áreas internas da empresa e reforça a segurança diante de ameaças de reintegração. A mobilização segue organizada e convoca ato em Belém no dia 23, em defesa dos rios amazônicos.
22 de fevereiro de 2026
No 32º dia de ocupação no terminal da Cargill, em Santarém, o movimento consolidou sua presença também na parte interna da empresa, passando a ocupar espaços administrativos do local. A ampliação ocorre em meio às ameaças de reintegração de posse já anunciadas, que até o momento não foram cumpridas.
Diante desse cenário, os parentes reforçam os protocolos de segurança e mantêm vigilância permanente, organizando coletivamente os próximos passos da mobilização. A ocupação segue estruturada, com reuniões e alinhamentos internos ao longo do dia.
Apesar da tensão jurídica, o território ocupado também foi espaço de afirmação cultural e resistência: houve roda de carimbó, reafirmando que a defesa do rio é também defesa da vida, da cultura e da memória dos povos.
Também repercutiu neste domingo a nota pública divulgada pelo Fórum das Entidades Empresariais do Pará, que reúne federações e associações representativas do empresariado paraense. O documento manifesta repúdio à ocupação e solicita a normalização das atividades da empresa. Do ponto de vista editorial deste boletim, a nota expressa os interesses do setor produtivo e da cadeia de exportação que opera na região, priorizando a manutenção da logística e das operações econômicas. Trata-se de entidades que representam o empresariado e o capital organizado, cuja atuação histórica está vinculada à defesa da livre iniciativa e da segurança jurídica para investimentos.
Para amanhã, segunda-feira (23), está convocado ato em defesa dos rios amazônicos, com concentração às 17h, no DNIT (entroncamento), em Belém. A mobilização exige a revogação imediata do Decreto nº 12.600/2025 e reafirma que “o rio Tapajós não é mercadoria”. A convocatória integra um calendário mais amplo de articulação nacional em solidariedade à ocupação e contra a privatização dos rios amazônicos.