Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós - Boletim Diário (Dia 29)
Manifestantes realizaram ato nas estruturas da barcaça da Cargill. Protesto gerou intimidação policial contra os ativistas do movimento indígena e social, ocasionando revolta entre lideranças. Aumento no alcance da mobilização motiva manifestação em São Paulo.
19 de fevereiro de 2026
Durante a manhã da última quinta-feira (19/02), às vésperas de completar um mês desde o início da ocupação, os povos indígenas e demais manifestantes organizaram uma barqueata em direção à barcaça da empresa Cargill - que constitui o transporte hidroviário de grãos e produtos agrícolas - como ato de protesto contra o Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de três rios amazônicos.
Após alguns manifestantes pularem do barco para adentrar nas estruturas da barcaça, foram estendidas faixas com palavras de ordem, como: “O Rio Tapajós não é mercadoria!” e “O decreto da morte 12.600/2025”. Em consequência disso, a Polícia Federal interviu na manifestação, coagindo as pessoas ali presentes e gerando revolta entre elas.
Auricélia Arapiun, liderança indígena do Baixo Tapajós e conselheira da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), destacou a proteção unilateral do governo ao setor empresarial em sua seguinte fala: “A Polícia Federal protege a Cargill, mas não protege o rio, não quer deixar a gente fazer o ato aqui. É desse jeito que o governo faz! Protege o agro, protege quem mata, e não protege quem protege. Nós estamos sendo impedidos de fazer um ato aqui na Cargill (...) e a Polícia Federal lá, tentando intimidar!”.
Tendo em vista a ampla repercussão que os protestos contra a privatização e a dragagem dos rios amazônicos em Santarém (PA) vêm adquirindo, fora organizada outra manifestação em frente à Cargill, na capital de São Paulo, às 19 horas, na sexta-feira (20/02), pela Av. Dr. Chucri Zaidan,1240. Tal ganho de visibilidade da luta contra a transnacional impulsionou a presença, inclusive, da mídia hegemônica na ocupação, a exemplo da entrevista que ocorreu nessa tarde do Cacique Rogério Arapiun para o Jornal Nacional.
Portanto, mesmo diante das constantes ameaças institucionais, seja pelas ações coercitivas do estado, através do uso da força armada, ou pelas deliberações que não atendem às reivindicações do movimento indígena e demais setores sociais, os protestos seguem se intensificando e consolidando a unidade crítica e de ação contra a privatização de rios e a dragagem, ambos em prol da lógica exploratória do agronegócio, apoiada pelo governo.