Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 23)

Cristian Arapiun participou de entrevista no Manhã Brasil para discorrer acerca dos protestos contra o Decreto nº 12.600/2025. Manifestantes apresentaram indignação ao vídeo de Sonia Guajajara, e estrutura da ocupação vem se ampliando.

Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 23)
Reprodução/Foto: Aldeia Urbana.

13 de fevereiro de 2026

Na manhã de sexta-feira (13/02), Cristian Arapiun - liderança na ocupação da sede da Cargill, comunicador popular do Podcast Aldeia Urbana e do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) - participou de uma entrevista, facilitada pelo PCBR, com o jornalista Mauro Lopes, do canal de comunicação Manhã Brasil, junto a Luiz Marques, professor aposentado de História na Unicamp.

Dentre os pontos discorridos em diálogo no programa, destaca-se a explicação acerca dos contextos geográficos e históricos da região do Baixo Tapajós, e a contextualização do protesto frente a inclusão dos Rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND). Em especial, ratifica-se a seguinte fala de Cristian: “Se o governo achar que vai perder a gente pelo cansaço, ele já perdeu”.

Participação de Cristian Arapiun no programa Manhã Brasil, com o jornalista Mauro Lopes, no dia 13 de fevereiro. Reprodução: Farol Brasil.

Além disso, houve sentimento de indignação entre os manifestantes com relação ao vídeo postado na conta oficial do Instagram de Sonia Guajajara, titular do Ministério dos Povos Indígenas, no dia 12 de fevereiro. De acordo com as lideranças e manifestantes do movimento contra a privatização do Rio Tapajós, a ministra tem se mostrado omissa às reivindicações pela revogação do Decreto nº 12.600/2025, sem se manifestar a favor da pressão contra o governo federal que o assinou.

No decorrer de suas falas durante o vídeo, a impressão obtida é de que estaria tentando se desvincular da responsabilidade atribuída unicamente a sua posição, enquanto ministra dos povos indígenas, por fazer outros feitos em seu mandato. Entretanto, não havia feito qualquer menção à mobilização em Santarém (PA) antes do vídeo, pelos 22 dias percorridos em que se iniciou a ocupação.

Apesar das condições atmosféricas não serem, muitas vezes, favoráveis às pessoas presentes na ocupação, a exemplo da ocorrência de chuvas e de temperaturas elevadas durante o dia, a resistência dos manifestantes permanece contra a privatização dos rios. A estrutura da ocupação vem se ampliando com a construção de um redário de madeira, para além das lonas já presentes que abrigam áreas de cozinha, plenárias e de descanso. A extensão segue proporcionalmente a esse aumento, com a barricada principal ocupando parte da Avenida Tapajós, entrada que dá acesso à Cargill, e outra na Rua Vera Paz, próxima à Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

Impactos econômicos ainda não estão surtindo efeito na transnacional Cargill, pois fora contratado outro porto para realizar as transações dos produtos, o Porto DER, situado ao leste da cidade, além de trabalhadores da empresa não estarem sendo impedidos de chegar aos seus postos de trabalho. No entanto, a barricada secundária na Rua Vera Paz tem gerado maior impacto na empresa Raizen, distribuidora de combustíveis, a qual pediu à prefeitura para que a barricada fosse desfeita.

Contudo, enquanto as reivindicações dos povos indígenas, da juventude e dos movimentos sociais não forem atendidas, fora confirmado que a resistência permanecerá.

Para apoiadores que queiram contribuir com a luta, o movimento está recebendo doações através da chave PIX: 16.901.945/0001-14 (CNPJ); em nome do Conselho Indígena Tupinambá.

Caso não tenha condições de apoiar financeiramente, divulgue a iniciativa e o manifesto criado pelo movimento sobre a leitura política da questão. Leia e assine: https://emdefesadosrios.com/#assinar