Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 21)
Mais de 300 pessoas saíram do distrito administrativo de Alter do Chão rumo à Santarém (PA) para fortalecer a ocupação. Desde o dia 10, há sinais de coerção por movimentações de caminhonetes em frente às barricadas.
11 de fevereiro de 2026
Durante a tarde, no horário de 16h, 3 ônibus e 10 táxis saíram de Alter do Chão – distrito administrativo pertencente à Santarém (PA) – para ir ao município, no intuito de fortalecer o movimento contra a privatização e a dragagem dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins-Araguaia, totalizando mais de 300 pessoas rumo à ocupação.
Além disso, os manifestantes começaram a perceber uma movimentação incomum de caminhonetes que ficavam paradas em frente às barricadas na transnacional Cargill, com motores ligados e películas do vidro muito escuras, de forma a não ser possível visualizar quem estava dentro dos carros. No dia 10 de fevereiro, uma das pessoas presentes na barricada ao lado da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) afirmou ter visto uma caminhonete ligada por mais de 2 horas, sem haver qualquer movimentação de saída de dentro do veículo, gerando sentimentos de coerção aos manifestantes.
Na terça-feira (10/02), em Brasília, além da reunião de 6 lideranças indígenas e populares do Baixo Tapajós com a Frente Parlamentar Indígena, também ocorreu outra sessão plenária com a Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A pauta central permaneceu sendo a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que trata da inclusão de empreendimentos públicos federais no Programa Nacional de Desestatização (PND). A participação das lideranças, pelo mesmo dia, na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais (CPOVOS) garantiu a aprovação do requerimento de audiência pública para debater o Projeto de Decreto Legislativo (PDL), relacionado ao decreto supracitado.
Ainda no dia de ontem (10), professores do movimento indígena se reuniram para pensar em ações pedagógicas dentro da ocupação. O secretário municipal de educação, Nilton Araújo, foi convidado a falar sobre a ameaça de terceirizar o serviço de apoio indígena na região, e acabou por surgir outras demandas no decorrer da reunião, como a eleição de gestores indígenas e de que forma prosseguiria o calendário de aulas pensando na interrupção causada pela manifestação.