Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 17)
No 17º dia de ocupação em defesa do rio Tapajós, a suspensão do decreto que previa dragagem e concessões privadas foi considerada insuficiente pelo movimento. Lideranças mantêm o acampamento e cobram revogação definitiva, consulta às comunidades e respeito aos compromissos assumidos pelo governo.
07 de fevereiro de 2026
A mobilização em defesa do rio Tapajós entrou em seu 17º dia com um anúncio relevante por parte do governo federal, mas não o suficiente: a suspensão do decreto que autorizava a dragagem do rio e sua preparação para concessões à iniciativa privada. A medida, no entanto, não atende integralmente às reivindicações do movimento, uma vez que o decreto foi apenas suspenso, e não revogado.
As lideranças da ocupação reafirmaram que o acampamento seguirá ativa até a revogação definitiva da medida.
Entre os pontos de maior tensão está a cobrança sobre o ministro do governo Lula, Guilherme Boulos, que, segundo as lideranças, havia garantido a realização de consulta às comunidades do território durante sua presença em Belém, no contexto da COP 30. A promessa não foi cumprida, o que gerou forte insatisfação entre os povos presentes na ocupação, que consideram ter havido quebra de compromisso com as comunidades originárias.
A forma como a suspensão do decreto foi comunicada gerou críticas e indignação contra o governo federal. O anúncio ocorreu inicialmente por meio das redes sociais do governo federal, sem diálogo direto prévio com as lideranças que conduzem a mobilização. Para o movimento, a decisão foi interpretada como desrespeitosa, sobretudo diante do histórico de compromissos firmados com os povos indígenas durante o período eleitoral e no início do atual governo.
O dia foi marcado por uma assembleia geral na área da ocupação, garantindo espaço de fala aos diferentes movimentos sociais e comunidades presentes, que puderam expor avaliações, demandas e encaminhamentos coletivos. A assembleia reafirmou a continuidade da mobilização e a necessidade de manter a pressão política até a revogação formal do decreto e a garantia de consulta livre, prévia e informada.
Também estiveram presentes na ocupação os deputados federais Airton Faleiro e Célia Xakriabá, que se somaram às atividades do dia e se comprometeram a atuar como ponte entre o movimento e o Congresso Nacional.