Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (dia 16)
No 16⁰ dia de ocupação, manifestantes seguem em luta enquanto representantes governamentais não apresentam pronunciamentos objetivos. O vereador do PL, Malaquias Mottin, comete atentado contra as pessoas presentes na barricada de vigília, na noite de quinta-feira (05).
06 de fevereiro de 2026
Na noite de quinta-feira (05), o vereador de Santarém, Malaquias Mottin, filiado ao Partido Liberal (PL), cometeu um atentado contra os manifestantes que estavam na barreira instalada pela BR-163, a qual dá acesso ao terminal de cargas da Cargill. Mottin havia avançado a estrutura com seu carro em alta velocidade na mesma direção às pessoas na vigília. No entanto, foi impedido pelos guardiões que se colocaram a frente e tamparam o acesso para proteger os outros manifestantes. Coagido, o vereador retornou e saiu da barreira. Além disso, ainda pela noite, a ocupação foi expandida com novas barricadas para o último sinal da BR que conecta Cuiabá com a Avenida Tapajós.
Em continuidade aos ataques para com os manifestantes, durante a tarde de terça-feira (03), na Câmara Legislativa, Malaquias repudiou a ocupação na transnacional estadunidense, proferindo discursos profundamente racistas, como: “Quem é que empoderou a esse ponto os índios? Eles podem escolher aonde fazer as manifestações, falar do assunto que eles quiserem, e nós que somos noventa e oito por cento da população baixamos a cabeça e mandamos bater”. Para além do teor desrespeitoso e do atentado criminoso que o vereador cometeu posteriormente, retifica-se que a Constituição Federal de 1988 garante o direito fundamental à manifestação no artigo 5⁰.
Outrossim, diante da insuficiência de respostas apresentadas na Assembleia (05) pelas autoridades governamentais, os representantes do governo federal afirmaram precisar tratar do assunto em reunião com os ministros, a fim de se obter uma ação concreta perante às reinvindicações dos povos indígenas do Baixo Tapajós e dos movimentos sociais. Em contrapartida, lideranças da mobilização cobraram resposta antes do meio-dia de sexta-feira (06), a qual não foi retornada por parte da autoridade pública.
Dessa forma, a tarde do dia 06 foi tomada por diversas reuniões e realinhamentos gerais entre as lideranças e os povos presentes na ocupação, a qual passou a ser vigiada por forças de segurança, expressas em viaturas e sobrevoo de drones. Luta-se para que haja retorno governamental o mais breve possível, e que a resposta seja em consonância às demandas da população local.
Ademais, no intuito de ampliar a visibilidade do protesto em âmbito nacional contra a dragagem e a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, foi criado um manifesto digital, cujo link segue abaixo, para que se possa aumentar a pressão contra a inércia das instituições governamentais. Leia e assine o manifesto: https://emdefesadosrios.com/#assinar