Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 15)

A mobilização contra a privatização do rio Tapajós chega ao 15º dia em Santarém (PA). Povos indígenas, movimentos sociais e organizações políticas seguem em luta contra o Decreto nº 12.600/2025 e as dragagens que ameaçam o território e o rio Tapajós.

Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 15)

05 de fevereiro de 2026

A mobilização contra a privatização do rio Tapajós segue em seu 15º dia com continuidade das negociações e reorganização das estratégias de luta em Santarém (PA). Povos indígenas do Baixo Tapajós, junto a representantes de movimentos sociais e organizações políticas, permanecem mobilizados contra o Decreto nº 12.600/2025, que prevê a inclusão de hidrovias no Programa Nacional de Desestatização (PND) e abre caminho para dragagens e concessões privadas no território.

Após a ocupação da via de acesso ao Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca no dia anterior, a mobilização ganhou ampla visibilidade. Como consequência direta da ação, todos os voos previstos para a noite de quarta-feira (4) e a madrugada de quinta-feira (5) foram cancelados, conforme comunicado oficial do aeroporto. O cancelamento impulsionou a repercussão da luta nas redes sociais e ampliou o alcance público das denúncias feitas pelos manifestantes sobre a ausência de consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas.

Ainda durante as negociações com representantes do governo federal, foram apresentadas propostas consideradas insuficientes pelas lideranças do movimento, por não contemplarem as principais reivindicações, como a revogação do decreto e a garantia efetiva de consulta aos povos do território. A avaliação das lideranças é de que, até o momento, não houve avanço concreto nas tratativas.

Diante do cenário, os manifestantes decidiram desmobilizar a barreira no portão do aeroporto e retornar integralmente à ocupação em frente ao terminal da multinacional Cargill. A decisão foi tomada coletivamente e levou em conta diversos fatores: o ganho de visibilidade alcançado pela ação, o risco de eventual truculência policial — especialmente pela presença de menores de idade —, o cansaço físico dos participantes, a ausência de estrutura adequada para permanência noturna no local e a necessidade de recompor a segurança da ocupação principal, que havia sido parcialmente desfalcada pela ida da juventude ao aeroporto.

Também circulou nas redes a divulgação de um vídeo publicado pela Folha de S. Paulo sobre a reunião entre o movimento e representantes do governo federal na área da Cargill. Nos comentários, o veículo afirmou que os representantes governamentais estariam impedidos de deixar o local, informação desmentida pelas lideranças da mobilização, que classificaram a narrativa como falsa.
As negociações com o governo federal devem continuar ao longo dos dias, paralelamente ao planejamento de novas ações do movimento. A mobilização reafirma a disposição de permanecer em luta até que haja respostas concretas às reivindicações e garantia de respeito aos direitos dos povos do Tapajós.