Ocupação contra a privatização do Rio Tapajós – Boletim Diário (Dia 14)
A ocupação liderada por povos indígenas e movimentos sociais contra a privatização do rio Tapajós chegou ao 14º dia e se intensificou em Santarém. Manifestantes fecharam a via de acesso ao aeroporto da cidade.
04 de fevereiro de 2026
Desde o dia 22 de janeiro de 2026, povos indígenas do Baixo Tapajós, junto a representantes de partidos e movimentos sociais, mantêm uma ocupação na entrada do terminal da multinacional estadunidense Cargill, em Santarém (PA). A mobilização se organiza contra o Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo Governo Federal, que abriu caminho para a inclusão de hidrovias — especialmente a do rio Tapajós — no Programa Nacional de Desestatização (PND), preparando o território para dragagens e concessões à iniciativa privada.
O dia de hoje teve início com uma reunião no local da ocupação entre lideranças do movimento e representantes do governo federal. A tentativa de diálogo, no entanto, mostrou-se insuficiente desde o começo, uma vez que os representantes do governo Lula presentes não possuíam qualquer poder efetivo para atender às demandas apresentadas.
Com o acirramento da disputa e a ausência de um canal de diálogo real por parte do governo federal, os manifestantes fecharam a entrada de acesso ao Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca, localizado a cerca de 14 quilômetros do centro da cidade. A mobilização teve início por volta das 14h30, quando os manifestantes chegaram ao local em ônibus e ocuparam a via, por se tratar da principal porta de entrada aérea do município. A ação é descrita pelas lideranças como um “plano B”, adotado após 14 dias de ocupação em frente à Cargill sem respostas concretas do Governo Federal quanto à revogação do decreto ou à realização da consulta livre, prévia e informada.
Diante do avanço da ocupação indígena contra a dragagem do rio Tapajós, o Governo Federal autorizou a atuação da Polícia Militar do Pará e da Polícia Federal no Porto de Santarém, por meio da Portaria CESPORTOS PA nº 1, assinada em 3 de fevereiro de 2026. A medida elevou o nível de segurança do porto para Nível II, permitindo a entrada e atuação integrada das forças de segurança nas instalações portuárias e áreas adjacentes, sob a justificativa de bloqueios de vias e impactos no funcionamento do porto e de órgãos federais.