Nota política - Os aumentos abusivos da passagem do transporte coletivo em Santarém (PA)

Os problemas do transporte coletivo local são frutos de uma gestão municipal com um longo histórico de benefícios à essas empresas.

Nota política - Os aumentos abusivos da passagem do transporte coletivo em Santarém (PA)

Na virada para o ano de 2026, a população santarena recebeu um "presente" desagradável e revoltante. Mais uma vez, como já é costume há mais de uma década, o preço das passagens do transporte coletivo sofreu um reajuste, passando a custar R$ 4,80: um pequeno recuo em relação ao valor inicialmente proposto de R$5,00, após mobilização dos movimentos sociais e partidários, que historicamente também pautam a luta pelo passe livre como direito fundamental. Através do Decreto Nº 010/2026 – GAP/PMS, de 06 de janeiro de 2026, assinado pelo prefeito José Maria Tapajós (MDB), o novo valor entrou em vigor no dia 12 de janeiro.

Essa medida prejudica diretamente a vida de milhares de trabalhadores, estudantes e demais usuários, reforçando a urgência da bandeira do passe livre para garantir acesso universal à cidade. Atualmente, utilizar os ônibus na cidade é um desafio diário: o sucateamento da frota, a falta de conforto, os atrasos constantes e funcionários sobrecarregados são marcas registradas do serviço. Em contrapartida, desde o início do governo Nélio Aguiar (União Brasil) (2017-2024) e com continuidade na atual gestão (cujo prefeito era o antigo vice-prefeito) os únicos beneficiados têm sido os empresários do setor.

O que ocorre em Santarém é o reflexo da precarização de serviços essenciais devido à privatização. O direito ao transporte e à locomoção é fundamental para todo cidadão, e é essencial que ele seja exercido com qualidade e dignidade, um princípio que sustenta a luta pelo passe livre. Ao colocar esse direito exclusivamente nas mãos do setor privado, o único objetivo passa a ser a obtenção de lucro, independentemente da qualidade do serviço prestado.

Os problemas do transporte coletivo local são frutos de uma gestão municipal com um longo histórico de benefícios à essas empresas. Com decretos aprovados na calada da noite, sem consulta popular e a ausência de alternativas de transporte, a única opção que resta ao trabalhador é aceitar os abusos, que vão desde as formalidades burocráticas da prefeitura até os descasos enfrentados no dia a dia. Diante disso, a pergunta permanece: vale a pena pagar R$4,80 por um serviço de péssima qualidade, ou não é hora de a cidade debater seriamente a gratuidade no transporte como um caminho para a justiça social?