Nota política: A direita na UFRGS e os rumos para combatê-la
É por isso que precisamos sustentar um projeto alternativo de universidade para a classe trabalhadora e sua juventude na UFRGS. É por isso que precisamos lutar por todos meios possíveis para a realização dessa alternativa.

Nota política da UJC na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Em Porto Alegre, a influência da extrema direita se manifesta mais uma vez. Nesse episódio, a verdadeira cumplicidade da universidade burguesa na formação de quadros do nazifascismo se mostra aparente, a olhos vistos. Vinicius Krug de Souza, o nazista que se formou em Engenharia de Minas pela UFRGS, é o sintoma político da intesificação da luta de classes na disputa dos rumos da educação. E nessa disputa, não é possível abrir espaço para ingenuidades: direita e extrema-direita estão fortemente articuladas em um único polo político.
A ligação entre setores conservadores e extremistas ilustra a fusão de diferentes forças em uma agenda comum. Há, por exemplo, o caso da aliança entre o Partido Novo e o MDB, na qual figuras que hoje pertencem ao Novo já estiveram em chapas com o MDB – ao mesmo tempo em que mantinham contatos com grupos neonazistas e fascistas. Além disso, figuras como Melo frequentemente adotam um discurso mais "moderado" enquanto permanecem alinhados com a política de extrema-direita, posição escancarada em sua aliança com o PL. Essa variação de tom demonstra a tentativa de captar a simpatia de diferentes grupos, alternando entre um discurso radical e um mais "palatável" a depender de quem ele deseja conquistar ou agradar. Dessa forma, a estratégia da extrema-direita em Porto Alegre se adapta ao alternar entre o extremismo e o pragmatismo político conforme as circunstâncias e os aliados
Nesse contexto, há um movimento não apenas para preservar interesses de classe, mas também de se valer de uma retórica "revolucionária" ou "antissistema" para atrair o apoio das massas. Ao instrumentalizar os sentimentos de frustração e revolta da classe trabalhadora, a extrema-direita tenta se fortalecer, explorando as crises cíclicas do modo de produção capitalista. Essa dinâmica revela o caráter contraditório desse movimento, que, ao mesmo tempo em que se posiciona contra o sistema, acaba por sustentar uma ordem social que favorece os interesses dos grandes capitalistas. Para isso, a burguesia almeja reunir direta e indiretamente não somente os poderes administrativos e executivos do Estado, como também os poderes de imprensa e educacionais, como escolas e universidades. E não poderia ser diferente: são nessas instituições que se formam os quadros técnicos e burocráticos que operam a sociabilidade capitalista.
1) A tática da direita na UFRGS
A atuação da direita portoalegrense na UFRGS, seja diretamente ou indiretamente, portanto, não é nenhuma novidade. Ela sempre busca constranger a comunidade acadêmica visando a hegemonia no aparelho universitário e a aplicação do projeto neoliberal da educação. Com claro intuito de gerar pânico moral na comunidade acadêmica, em meados de 2024 a peça “Missa do Pecado”, organizada pelo Departamento de Artes Dramáticas da UFRGS, foi acusada de intolerância religiosa por trazer referências bíblicas em sua proposta. De acordo com a nota lançada pelo Centro Acadêmico Dionísio, foram organizadas diversas formas de ataques para além de ameaças: “(...) através de publicações em redes sociais, notas de repúdio, mensagens de celular, denúncias na ouvidoria da UFRGS e outras ações acusatórias contra o grupo de estudantes, professores e a própria universidade.” Vê-se que a própria direita, autointitulada grande bastião da liberdade de expressão, é o maior antro de censura artística.
Em uma nota lançada pela deputada estadual Eliana Bayer, em seu primeiro mandato pelo Republicanos, em parceria com o Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e com a Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade Religiosa da Assembleia Legislativa do estado, é afirmado que “essa peça teatral não apenas fere os sentimentos religiosos de milhões de brasileiros, mas também desconsidera o respeito a tolerância que devemos ter uma sociedade plural”. É uma afirmação que beira a ironia diante de tantos ataques à organização da peça, cuja gravidade é a perfeita representação da evocada falta de tolerância e da falta de percepção da pluralidade brasileira. A articulação da direita nessa denúncia se aprofunda com a organização de um abaixo-assinado a favor do cancelamento da “Missa do Pecado” pela Reunião de Evangelismo e Desenvolvimento Espiritual (REDE), um grupo de estudantes cristãos da UFRGS.
Outro grande exemplo se manifesta em como as investidas da direita e da extrema-direita se direcionam à comunidade palestina e se estendem para todas as formas de resistência dentro do movimento universitário. Esse tipo de assédio ficou em evidência no evento em solidariedade à Palestina chamado “1 ano da atual fase do genocídio palestino frente ao sionismo israelense: o que mudou?”, organizado pelo Centro Estudantil de Relações Internacionais, na UFRGS, no dia 10 de outubro de 2024. Infiltrados do Partido Novo no espaço registraram trechos das falas de Ualid Rabah, presidente da FEPAL e um dos convidados do evento, para depois postarem vídeos nas redes sociais repletos de discursos de ódio.
Essa articulação foi organizada por duas figuras da direita gaúcha: Ramiro Rosário, vereador de Porto Alegre em seu terceiro mandato pelo Partido Novo, e Felipe Camozzato, deputado estadual do Rio Grande do Sul em seu primeiro mandato pelo mesmo partido. Além de assumirem orgulhosamente a presença de um “agente infiltrado” no evento, reproduziram em suas redes sociais dois tipos de discurso muito utilizados pela direita portoalegrense: 1) denúncia de uma suposta decadência educacional da universidade pública e 2) ataques à luta antissionista em Porto Alegre com a proposital “confusão” com o antissemitismo. É fácil identificar como se trata de mais uma ação de agentes do projeto neoliberal e sionista, totalmente ligados com o desmonte do ensino público e com o genocídio na Palestina – ambos elementos presentes na estrutura burocrática da própria UFRGS.
Por isso, a direita não se limita à propaganda ideológica: ela já vem se articulando há anos na comunidade universitária por uma série de parcerias e ligações com empresas e instituições israelenses. Esse histórico se inicia em 2013, com uma tentativa de acordo de cooperação com a universidade israelense Ben-Gurion (BGU) – tentativa essa encabeçada por Carlos Bulhões, que, alguns anos depois, viria a ser reitor da UFRGS após a intervenção de Bolsonaro, figura-chave da extrema-direita brasileira. Em 2015, aconteceu a primeira participação da empresa AEL Sistemas na Feira de Oportunidades da UFRGS, evento anual com intuito de aproximar estudantes da universidade e oportunidades de estágios em diversas empresas. A AEL Sistemas é a subsidiária brasileira da Elbit Systems, empresa israelense voltada para o desenvolvimento de tecnologia militar e para a fabricação de componentes eletrônicos e de veículos de defesa. Ou seja, grande financiadora do genocídio na Faixa de Gaza e do expansionismo israelense.
A AEL Sistemas não só permaneceu como uma participante ativa da Feira de Oportunidades até o ano passado, como também foi parte de um acordo da reitoria de Rui Oppermann em abril de 2018 para desenvolvimento de ensino, pesquisa e extensão voltados à tecnologia de defesa. Esse acordo foi renovado algumas vezes e ainda permanece ativo na universidade, sendo a maior representação de uma cumplicidade com o financiamento da maior limpeza étnica vista na atualidade. É uma prova de como um projeto privatista se utiliza da universidade para a produção de conhecimento em favor de um grande aparato genocida. É uma prova, também, da contradição do discurso dessa direita: se a universidade pública é um local de degeneração moral e de decadência educacional, por que seria o grande alvo das captações de estudantes, futuros profissionais qualificados, para esse projeto sionista?
2) A inserção da direita no movimento estudantil e na institucionalidade universitária
A direita portoalegrense, ao longo de sua atuação na universidade, esteve envolvida em casos de corrupção e ligações com partidos fisiológicos e com grupos neonazistas. Essas articulações formaram quadros reacionários da burguesia como Marcel Van Hattem, do Partido Novo, que foi dirigente do DCE da UFRGS quando este foi tomado pela direita. E apesar da direita organizada no movimento estudantil da UFRGS ter sido derrotada em 2016, suas tentativas de agitar todo seu reacionarismo na UFRGS são constantes e seguem vivas hoje.
Mais recentemente, tivemos uma patética tentativa de chapa para o DCE em 2022, composta por pessoas ligadas a partidos do “centrão” e que não conseguiram nenhuma relevância eleitoral de fato. Em 2023, integrantes do MBL invadiram diversos diretórios em vários campi da UFRGS, na tentativa de causar algum tipo de confusão, ao provocar estudantes e pintar diretórios, tudo sem autorização e registrado em vídeo. Felizmente, foram corridos rapidamente da universidade. Tanto para sua derrota quanto para pôr um basta em todas as suas tentativas de ressurgimento, o papel de um movimento estudantil que espante esses sujeitos e ideias foi fundamental.
Todavia, apesar da derrota que tiveram nos últimos anos no movimento universitário, institucionalmente a direita nunca se enfraqueceu. Em 2020, a intervenção bolsonarista na UFRGS colocou esse setor no centro de toda a luta política da universidade com a indicação do grupo de Carlos Bulhões, Patrícia Pranke, Geraldo Jotz e Júlio Barcellos, articulada pelo Deputado Federal Bibo Nunes. Este mesmo grupo entregou a universidade para os interesses da burguesia e tentou articular um golpe jurídico visando a sua manutenção no poder. Foi necessária uma resistência dos setores organizados da universidade para barrar tanto essa iniciativa quanto a fracassada tentativa de golpe da outra face da direita na UFRGS, representada por Ilma Brum e Vladimir Pinheiro.
Essa intervenção na UFRGS só foi possível em virtude tanto da legislação herdada da ditadura militar sobre as Universidades (Lei nº 5.540 de 1968) quanto pela incapacidade do Consun (Conselho Universitário, órgão máximo da UFRGS) em formular uma lista tríplice sem o nome de Bulhões. Para além disso, durante quase 2 anos de Governo Lula, não foi realizada a destituição dos interventores nas universidades, que permaneceram nos cargos por toda a duração de seus mandatos. Até mesmo a consulta paritária, para o mínimo de democracia na escolha da reitoria, foi por muito tempo rechaçada pelo Consun (e somente garantida em 2024).
Enquanto reitor da UFRGS, Bulhões fez tudo o que podia (e o que não podia) para ampliar a influência do capital e reduzir a participação da comunidade universitária nas decisões da Universidade. Elemento central de sua gestão foi a atuação da PROIR (Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais) como agente de interesses econômicos privados em detrimento dos interesses da comunidade. A cessão da antiga colônia de férias à PROIR para fomento de “inovação e empreendedorismo”, enquanto se debatia o projeto “Future-se” no âmbito nacional, tornou explícitas as intenções da gestão interventora.
Mas a intervenção na reitoria não foi a única forma de ingerência da extrema-direita na UFRGS; foi apenas a mais óbvia e descarada. Corriqueiramente, várias partes da universidade burguesa são tomadas por movimentos de direita sem afetar a aparência de normalidade. Na realidade, é possível perceber que cada instituto, faculdade, curso ou departamento está em constante disputa pelos setores mais reacionários da nossa Universidade.
Como exemplo desse movimento, temos a criação do “Liberdade e Democracia”, grupo de estudos sediado na UFRGS e gerenciado pelo Instituto Atlantos, um think tank ultraliberal de extrema-direita. Essa parceria entre o Instituto Atlantos e a UFRGS é coordenada por Rafael Dresch, professor da Faculdade de Direito da UFRGS que concorreu a vice-governador pelo Partido Novo em 2022. O Instituto Atlantos propõe-se abertamente a “promover a pauta liberal no Brasil”, possui vínculos com a Atlas Network (organização internacional que reúne e premia think tanks liberais) e tem como uma de suas parceiras a Brasil Paralelo (outra organização reacionária e de extrema-direita, com posições negacionistas e conspiracionistas). Em suas redes sociais, o Instituto comemora a ascensão de nomes da extrema-direita enquanto critica “os socialistas” e “a esquerda”. Um de seus textos publicados defende ainda que “Javier Milei [presidente de extrema-direita da Argentina] demonstra exatamente o movimento que precisamos cultivar no Brasil”.
Essa mesma extrema-direita, que acusa as universidades públicas de “doutrinação” e “patrulhamento ideológico”, organiza um grupo de estudos na universidade pública tão somente para propagar ideologias reacionárias. Enquanto isso, a UFRGS não somente aceita a presença desses grupos reacionários na universidade, como também os legitima e os promove perante os alunos. O ápice deste absurdo ocorreu neste mês de novembro quando a UFRGS sediou e divulgou evento organizado juntamente ao Instituto Atlantos, com palestra de professor do Instituto Mises Brasil (outra organização ultraliberal de extrema direita) sobre “Liberdade de Expressão no Meio Acadêmico”.
Todos esses exemplos mostram a total incapacidade (ou mesmo desinteresse) da UFRGS em impedir, de forma institucional, o poder e a ingerência da direita na universidade. A institucionalidade burguesa não se propõe a realmente combater a extrema-direita, sendo essencial, para isso, uma frente de luta popular fora dos caminhos institucionais com um projeto universitário alternativo.
3) Como combater a extrema direita: o projeto da Universidade Popular
Em vista de tudo isso, não é novidade para os comunistas que a direita na UFRGS opera por falsas polêmicas e por falsas soluções. Alimentando o ódio e a violência contra grupos historicamente oprimidos, através de assédios, perseguições, intimidações, agressões e constrangimentos, e atacando os direitos conquistados historicamente pelos trabalhadores e estudantes universitários, os setores e as tendências mais reacionários silenciam sobre as verdadeiras contradições da nossa formação social e da universidade burguesa. No fundo, trata-se confundir, dividir e atacar as bases populares para impedir o avanço de lutas que coloquem em questão esse modelo historicamente excludente de universidade. Por isso, recuar diante das ameaças da direita não pode ser uma opção.
Precisamos nós, coletivamente, colocar a direita contra a parede, tirá-la de sua zona de conforto e impedir que esse tipo de manifestação e ideologia possa circular livremente pela universidade sem que haja uma reação e enfrentamento à altura.
Para isso, é sabido que temos duas frentes principais de combate: a luta institucional por meio das possibilidades dadas legalmente pelo aparato universitário e a luta popular na universidade para além dos caminhos institucionais. Primeiramente, não devemos abrir mão de nenhuma frente de luta contra a direita: é preciso que a expulsão e outras formas de punição se tornem uma realidade concreta para que ninguém se sinta à vontade em atacar a classe trabalhadora e sua juventude na universidade a partir de manifestações de ódio ou violências.
Contudo, não resta dúvida para nós que, por mais relevante que possa ser em determinadas condições essa luta institucional, ela tem claros limites. Pelo próprio funcionamento da universidade burguesa (suas relações estruturais com empresas privadas, sua falta de democracia interna popular e seu papel ideológico em uma sociedade burguesa de gênese colonial), a direita sempre encontrará resguardo nesse aparato e tendencialmente terá sua hegemonia. Não nos iludimos ou esperamos que os órgãos universitários darão conta de cortar esse mal pela raiz: graças ao seu caráter patrimonial, a institucionalidade sempre defenderá a “propriedade pública” em detrimento da defesa dos próprios membros da comunidade acadêmica. Nesse sentido, a nova reitoria deve ser questionada e pressionada sobre quais são seus planos e meios para superar a presença da direita na UFRGS. Depois da gestão de uma reitoria interventora bolsonarista, o que uma nova reitoria dita progressista tem a dizer e fazer contra a extrema-direita na universidade? Pois manter em aberto as condições para um retorno da direita à reitoria é fazer seu jogo e, portanto, ser uma “oposição” ideologicamente fajuta e conivente com esse histórico de opressão.
É por isso que precisamos sustentar um projeto alternativo de universidade para a classe trabalhadora e sua juventude na UFRGS. É por isso que precisamos lutar por todos meios possíveis para a realização dessa alternativa. Este projeto tem nome: é a luta pela criação de uma Universidade Popular, projeto que preza por uma autonomia política radical de qualquer reitoria e governo social liberal – cuja orientação de classe e “rabo preso” com a burguesia não permitirão uma verdadeira luta contra a forma burguesa de sociedade e universidade. A Universidade Popular só se realizará quando integrarmos na nossa luta o uso de todos meios possíveis, institucionais ou não, para realizar nossa ação, mobilizando e organizando a classe trabalhadora e sua juventude para ocupar, tomar e direcionar os espaços universitários sempre que possível para efetuar seus interesses, reconhecendo nela a liderança legítima da UFRGS.
Os comunistas devem apresentar e lutar por um projeto de universidade que esteja alinhado com um projeto maior de transformação social, de construção do Poder Popular e do socialismo. Para isso, precisamos de uma universidade dirigida por aqueles que de fato a tornam uma realidade: os trabalhadores e os estudantes. Trata-se da luta pela completa estatização da universidade sob controle direto de bases universitárias através de órgãos deliberativos populares que incluam tanto a comunidade acadêmica (servidores, estudantes e professores), assim como toda comunidade popular do território em que a universidade está inserida.
Trata-se da luta por uma universidade radicalmente apartada dos interesses de “mercado”, ou seja, dos interesses da burguesia, com uma educação, uma pesquisa e uma extensão voltadas especialmente para os interesses anti-imperialistas e revolucionários. Trata-se da luta por uma universidade que garanta de fato que todo e qualquer trabalhador que queira estudar a nível superior possa estudar com condições dignas para isso. Trata-se da luta por uma universidade que congregue o povo brasileiro em toda sua diversidade física, mental, regional, racial, de gênero e de sexualidade. Trata-se, enfim, da luta por uma universidade que se reconheça como uma trincheira na luta de classes contra a dominação burguesa e que aja enquanto tal, integrada a um processo maior de transformação social.
Nada disso deve ser pensado como um projeto de futuro ideal e inalcançável. O projeto da Universidade Popular é também o projeto de luta pela sua realização desde já, no presente. De forma mais imediata, é necessário garantir a paridade de todos setores universitários em todas tomadas de decisão pertinentes e acabar com a terceirização na UFRGS – que impõe um regime de trabalho destrutivo àqueles que mantém a universidade funcionando e assim os impede de participarem efetivamente da tomada de decisão sobre seus rumos. Mas, muito além disso, precisamos lutar pelo crescimento constante da organização e da unidade das bases universitárias sob uma bandeira ideológica avançada e radicalizada, fomentando a auto-organização popular na vida universitária com independência de classe e sem se deixar limitar pela institucionalidade e seu horizonte limitado. Isso se faz com a agitação e a propaganda permanente do programa da Universidade Popular, assim como com a construção cada vez mais frequente de espaços qualificados de debate político e de deliberação nos diferentes setores universitários e de forma unificada para intensificar nosso potencial e firmeza de ação contra a burguesia e a direita dentro e fora da UFRGS.
Além disso, a unidade popular pautada por um programa político revolucionário transformará a segurança em uma questão central para essa auto-organização, assim possibilitando sempre que necessário uma reação coletiva às violências perpetuadas pela direita na UFRGS. Se no presente temos dificuldades em apresentar uma resposta a estas violências, a partir da luta para pôr a direção da UFRGS sob controle da comunidade acadêmica e da classe trabalhadora, devemos buscar o estabelecimento de uma segurança com base institucional e sob controle de um Conselho Popular da UFRGS, começando este processo ainda pela construção de um comitê de defesa auto-organizado desde as bases que pense e garanta nossa segurança por nós mesmos.
É assim que varreremos a direita e a extrema-direita da UFRGS: no desvelar do papel da universidade pública na reprodução de nossa crise social, entendendo a universidade não como um local isolado, mas como um campo de combate contra a própria sociedade burguesa e sua ideologia. Contra aqueles que desejam manter a universidade no obscurantismo, pela construção de um saber autônomo em um espaço livre das formas de exploração e opressão, pela formulação de uma estratégia de independência política do povo brasileiro, pelo Poder Popular e pelo Socialismo!