Nota da UJC sobre as chapas candidatas à reitoria da UEM em 2026
Defendemos uma universidade que vá além do pensamento crítico e do ensino de competências técnicas, mas que desenvolva políticas de acolhimento, assistência estudantil, serviços para a comunidade, defesa da preservação ambiental e da reforma agrária, e que rompa com as matrizes do neoliberalismo.
As eleições à reitoria da UEM mostram, mais uma vez, a normalização do neoliberalismo no Brasil e na Universidade. Apesar de diversas, as chapas concorrentes parecem repetir o espectro de Tatcher e Reagan: “não há alternativa”. As propostas apresentadas redundam em falta de projeto e promessas vazias. Nenhuma das chapas se compromete a identificar as nomeações de pró-reitores e observam a falta de recursos como um mero detalhe de gestão, visando a universidade como uma empresa.
Propagam-se como erva daninha as palavras de “modernização”, “inovação”, “sustentabilidade” sem que haja uma explicação sobre o que cada um desses termos significa na nossa atualidade: a mercantilização da educação e do meio ambiente. Os candidatos sequer realizam uma análise detalhada dos problemas que enfrentamos na Universidade enquanto discentes. Demonstram uma disputa gerencial, com situação e oposição marcando as diferenças e relações entre si.
A presença da visão da administração gerencial, da perspectiva dos docentes, servidores e discentes como um “ativo” da UEM, refletem cada vez mais a manutenção da ciência e da pesquisa como meros recursos econômicos, para a satisfação do grande capital. As chapas buscam apontar que a falta de recursos deve ser sanada com a maior presença desse capital a partir da busca de PPPs e investimentos privados. Ora, apesar das palavras afagadoras, nenhuma delas faz ponderações sobre a piora dos serviços do RU após a terceirização dos trabalhadores. Ou seja, pouco se importam em debater as condições de trabalho que se refletem na qualidade do serviço, demonstrando que observam o problema como, unicamente, caso de “gestão” ou “infraestrutura”. Há chapas que fazem a defesa clara e aberta do aumento das privatizações na Universidade por meio das chamadas “parcerias” público-privadas, ignorando completamente a situação dos trabalhadores terceirizados que, no último mês, chegaram a realizar greve por pendências nos pagamentos de direitos. Ignora-se, assim, a função social da UEM e o fato de que os problemas estruturais são marca de uma gestão pública que corta recursos da universidade e a mantém submissa por meio da LGU.
Propostas que possuem ações jurídicas como forma de resolução dos problemas demonstram como a visão da reitoria é pautada em uma mera conformação das estruturas de poder. Ignora-se o papel político das instituições, o controle econômico realizado pelo lobby burguês e a transformação do papel do Estado na contemporaneidade, o que abriu espaço para a cada vez maior precarização do serviço público. As chapas parecem não observar a realidade material da UEM vinculado aos processos históricos de destruição dos direitos trabalhistas. Se a Universidade está perdendo espaço na sociedade é justamente porque dela está alheia, olhando-a de sua torre de marfim. Mais que isso, ignora-se como os cursos já não refletem perspectivas de futuro para a juventude em um mundo onde crescem as pejotizações, a informalidade e a precarização.
Neste sentido, a UJC quer apontar que nenhuma das promessas de “envidar esforços” ou de “diálogo com o governo” parecem plausíveis. Tratam-se de meras desculpas para serem utilizadas futuramente como resultado da ineficácia da gestão. Uma universidade deve se pautar por uma educação pública, que busque atender às necessidades dos trabalhadores e não do capital; que seja moderna, mas não de maneira submissa às big techs e à lógica privatista; que seja popular, com a efetivação da assistência estudantil, não apenas ditames vagos que serão deixados de lado no primeiro dia de mandato.
Uma universidade popular deve se ancorar na emancipação da classe trabalhadora, por isso, não podemos nos contentar com o discurso neoliberal das chapas candidatas ou com a boa vontade de um governo do estado que vive privatizando serviços essenciais para a população. Defendemos uma universidade que vá além do pensamento crítico e do ensino de competências técnicas, mas que desenvolva políticas de acolhimento, assistência estudantil, serviços para a comunidade, defesa da preservação ambiental e da reforma agrária, e que rompa com as matrizes do neoliberalismo. Universidade não é empresa.