“Nenhuma ilusão!”: as eleições de 2026 e a tarefa dos comunistas no Ceará
Nota Política do PCBR no Ceará
Mais uma vez, a classe trabalhadora é colocada diante de duas falsas alternativas: de um lado, a extrema-direita, que se vende como “anti-sistema”, mas representa sua forma mais extrema, em torno de Flávio Bolsonaro (PL) e Ciro Gomes (PSDB); de outro, a frente ampla que se diz progressista e defensora dos trabalhadores, mas sustenta os interesses da burguesia e do capitalismo, em torno de Lula e Elmano de Freitas (PT).
O proletariado (trabalhadores) se vê novamente sem uma posição independente e unitária nas eleições. Seus interesses estão fragmentados, sua unidade enquanto classe dispersa e os partidos que tinham capacidade de unificar uma posição proletária para se apresentar durante as eleições burguesas de 2026 não o fizeram.
Como esmiuçado na nota política do Comitê Central do PCBR, Nnão houve unidade da esquerda revolucionária. Apesar de nossos esforços, não foi possível a apresentação do projeto socialista de forma coesa, sob uma plataforma unitária para o Brasil e hoje, nacionalmente, há três candidaturas à Presidência e duas ao Governo do Ceará que apresentam os interesses do proletariado de forma dispersa. Na prática, os trabalhadores conscientes estão fragmentados entre PSTU, UP e PCB, sem uma posição única capaz de desmascarar falsas alternativas e apontar soluções imediatas e um horizonte independente de classe enquanto a maioria do povo está sob a influência das ilusões do oportunismo petista ou da extrema-direita.
A fragmentação das forças revolucionárias torna as condições de luta dos trabalhadores mais difíceis frente às falsas alternativas. Os demagogos que se dizem “anti-sistema”, defensores do imperialismo, banqueiros e patrões (o verdadeiro sistema), disputam a confiança dos trabalhadores com oportunistas que mantém a sustentação do capitalismo dependente brasileiro , atacam direitos e se aliam à direita em nome de “derrotar” o bolsonarismo, fazendo cada vez mais concessões. Assim, reforçamos que a tarefa de construir uma alternativa unitária entre os revolucionários se mantém no horizonte imediato, inclusive para além das eleições, entendendo que essa unidade não se forja de forma abstrata, mas a partir de uma construção programática condizente com as tarefas postas ao proletariado brasileiro.
As candidaturas de Zé Batista (PSTU) e Serley Leal (UP) têm o mérito de disputar o pleito sem se submeter à coalisão burguesa em torno do PT, mas não escapam da responsabilidade de suas legendas não terem construído uma candidatura única ao Governo do Ceará, e se apresentarem como uma alternativa unificada frente a ameaça de Ciro Gomes e a política reacionária de Elmano, que ataca a natureza, criminaliza lutas populares e amplia uma política de segurança que assassina o povo negro nas periferias. A situação se repete no Senado e na Assembleia Legislativa, onde a UP e PSTU registraram candidaturas. Disputando por uma vaga à deputado federal, somente a UP registrou nomes concorrentes ao pleito. O PCB não registrou nenhuma candidatura a nenhum dos cargos.
Esse cenário dificulta a posição dos comunistas, que não difere da maioria trabalhadora. Saudamos o lançamento das candidaturas aos pleitos, de forma independente da frente ampla. Entretanto, na ausência de uma posição única do proletariado, nosso papel é construí-la na agitação cotidiana, analisando os altos e baixos de cada candidatura apresentada pelos partidos que não compõem a frente ampla e elaborando nossa intervenção.
Diante da necessidade de combater a extrema-direita e as ilusões da coalisão Lula-Alckmin, não cabe apoiar partidos como o PSOL, que, mesmo com correntes críticas ao petismo, abraçam o lulismo no período eleitoral e reforçam a lógica do “menos pior”. No Ceará, o partido sequer possui candidatura própria ao governo, apoiando Elmano desde o primeiro turno (mesmo que com vergonha). Suas resoluções de 1º de agosto confirmam o compromisso em iludir a classe trabalhadora apresentando Lula e Elmano como alternativas. Tais posições contribuem para difundir ilusões e confundir a classe trabalhadora, ao relegar a derrota da extrema-direita ao campo eleitoral e ao apoiar um governo que tem gerido de forma eficiente o capitalismo dependente brasileiro, à custa das péssimas condições de vida da maior parte dos trabalhadores do campo e da cidade.
Para os comunistas, essas oportunidades momentâneas podem parecer incontornáveis, mas na prática significam cavar a cova do proletariado e abandonar a independência de classe. Para o PCBR, o apoio à frente ampla reforça a lógica que há anos impõe derrotas à classe trabalhadora: teto de gastos, reformas trabalhista e da Previdência e ascensão da extrema-direita.
Entendemos que todas as candidaturas dos partidos revolucionários são válidas. Ao analisar programas, atuação e política, concluímos que as candidaturas majoritárias do PSTU, por seu discurso de oposição à conciliação e à extrema-direita e por possuir um programa de reivindicações consequente, fortalecem a posição dos comunistas. Serley Leal, apesar de seu mérito, apresenta reivindicações confusas e expressa a política vacilante da UP, a qual não constrói de forma consequente a oposição à frente ampla, ao meramente reivindicar uma “independência” abstrata. Dessa forma, consideramos o programa apresentado por Zé Batista mais consequente aos nossos objetivos e apoiaremos sua candidatura no Ceará.
Ao Senado, indicamos o voto em Reginaldo (160) e Catarina Matos (180). Para deputado federal e estadual, as candidaturas de ambas as legendas (PSTU e UP) se apresentam de maneira independente da frente ampla, defendendo a estratégia socialista para o Brasil. Diante disso, consideramos válidos os votos em qualquer pleito dessas organizações visando fortalecer a independência de classe. Assim, para o Congresso Nacional, o PCBR indica voto em Sued Carvalho (8080), Lucas Monte (8088) e Haroldo (8000). Para a Assembleia Legislativa, Cibele Gaúcha (16132), Otávio Miranda (80000) e Dianne Glebia (80180). Porém, ressaltamos que construiremos nossa intervenção eleitoral de maneira independente.
Isso não nos impede de criticar o sectarismo de ambos, que, ao recusarem a unidade da esquerda revolucionária nacionalmente e estadualmente, dificultam a disseminação de um programa unificado socialista em nome da autoconstrução ou da “pureza ideológica”.
Em 2026, cabe aos comunistas desmascarar as falsas alternativas, combater a extrema-direita e as ilusões da frente ampla, bem como apresentar um programa que responda às necessidades do proletariado e aponte o socialismo como a única alternativa viável para superar a barbárie capitalista. A classe trabalhadora só pode confiar na própria força, sem ilusões na política burguesa!