Manifestações em solidariedade à Palestina tomam as ruas da Itália
Em um momento em que iniciativas internacionais como a flotilha se preparam para desafiar o cerco a Gaza, os italianos voltam às ruas para romper o silêncio, construir uma resposta coletiva e unir as lutas contra a guerra imperialista.
Por Fronte Comunista (da Itália)
O 17 de abril, dia dos prisioneiros palestinos, representa um momento fundamental de denúncia e mobilização.
Nessa data, lembramos os mais de 10 mil palestinos detidos nas prisões israelenses, muitos deles sem acusação nem julgamento, submetidos à detenção administrativa.
É justamente nesse contexto que se insere um novo e gravíssimo passo: a aprovação da pena de morte exclusivamente para palestinos.
Essa decisão não representa uma ruptura, mas mais uma confirmação do que Israel é e busca, além de uma nova escalada do plano genocida israelense. Não é uma máscara que cai, mas uma verdade já evidente que é reafirmada: a de um Estado que se apresenta como “a única democracia do Oriente Médio”, enquanto constrói um sistema baseado na negação de direitos fundamentais e na eliminação de um povo inteiro.
A aprovação da pena de morte coloca por escrito aquilo que sempre foi praticado: Israel está institucionalizando a morte do povo palestino. Aquilo que por anos foi violência sistemática – por meio de assassinatos, torturas, negligência médica nas prisões, incursões militares – torna-se hoje norma declarada, reconhecida e legitimada.
Nesse cenário, a Palestina não é apenas um território ocupado, mas um verdadeiro laboratório, onde se testam, na pele do povo palestino, sistemas de vigilância, controle e repressão. Tecnologias e práticas que não ficam confinadas ali, mas são exportadas e correm o risco de serem aplicadas em outros lugares. Por isso, a luta do povo palestino diz respeito a todos: o que acontece na Palestina também fala sobre o futuro das nossas sociedades.
O genocídio na Palestina continua diante dos olhos do mundo. Continua nos bombardeios em Gaza, nas demolições de casas e comunidades na Cisjordânia, nos deslocamentos forçados e na anexação progressiva de territórios. Até o momento, Israel está tentando ampliar esse instrumento de genocídio também no Líbano, onde realizou bombardeios intensivos direcionados a áreas habitadas e infraestruturas essenciais, causando mais de um milhão de deslocados, centenas de mortos e milhares de feridos.
Em sua luta pela sobrevivência, Israel, junto com os Estados Unidos, está ampliando a guerra em várias frentes, começando pela agressão ao Irã, tentando arrastar o mundo inteiro para uma guerra geral, que não representa perigo apenas para a região, mas para o mundo todo, como demonstrado também pela agressão criminosa na Venezuela e pelo bloqueio imposto a Cuba. Essa guerra, que avança sem uma estratégia clara, demonstra ainda mais a fraqueza do imperialismo americano e sionista, e, atualmente, a resistência palestina representa o desafio mais explícito e real que o imperialismo já enfrentou na região.
Diante desse cenário, é necessário se opor firmemente aos planos de guerra e rearmamento de nossos países, inclusive na Itália. A economia de guerra retira recursos da educação, da saúde e do bem-estar social para investi-los na destruição e na morte. Justiça social e justiça para os povos oprimidos são inseparáveis: não pode haver uma sem a outra.
A indústria bélica e o governo italiano, como demonstrado por diversas investigações e pela mobilização de trabalhadores nos portos e locais de trabalho, estão lucrando com o genocídio, vendendo armas a Israel – as mesmas usadas para massacrar os povos palestino e libanês.
É também por isso que é nosso dever nos opor com força ao plano de rearmamento e às políticas de guerra adotadas pela Itália. O governo Meloni está se preparando para ventos de guerra por meio de decretos de segurança e da aprovação de leis que, ao equiparar o antissionismo ao antissemitismo, tentam bloquear a solidariedade ao povo palestino.
Mas a cumplicidade não para por aí: nas prisões italianas estão atualmente encarcerados palestinos acusados e julgados por apoiarem o povo palestino e sua resistência, acusados de terrorismo por lutarem pela libertação da Palestina.
Anan, Ahmed, Hannoun, Ra’ed, Yaser e Ryad são prisioneiros políticos pela Palestina na Itália, e exigimos sua libertação imediata.
Por isso, no dia 19 de abril voltamos às ruas: para romper esse silêncio, construir uma resposta coletiva e unir as lutas contra a guerra imperialista e sua máquina repressiva. Em um momento em que iniciativas internacionais como a flotilha se preparam para desafiar o cerco a Gaza, é fundamental fortalecer a mobilização em todos os lugares.
Exigimos sanções imediatas contra Israel, um embargo militar total, o boicote econômico, cultural e acadêmico, o rompimento de todas as relações em nível local e nacional e a liberdade para todos os prisioneiros políticos, na Palestina e na Itália.