Boletim da ocupação indígena contra Belo Sun – Altamira (Dia 34)
No 34° dia de resistência, a mineradora Belo Sun e políticos locais orquestram uma demonstração de força política durante a inauguração da Usina da Paz em Altamira, utilizando táticas de mobilização que repetem as falsas promessas de progresso da era Belo Monte.
28 de março de 2026
O cenário de disputa em torno do projeto de mineração da Belo Sun ganhou novos contornos neste sábado, 28 de março. Durante a inauguração da Usina da Paz em Altamira, evento que contou com a presença de diversas autoridades governamentais, a mineradora canadense e seus aliados políticos orquestraram uma mobilização popular para simular um apoio de massa ao empreendimento.
Através de convocações em redes sociais assinadas por lideranças pró-garimpo do município Senador José Porfírio, centenas de pessoas foram levadas ao local utilizando camisetas padronizadas com os dizeres "Nosso Futuro, Nossa Voz!" e, no verso, a frase "A região do Xingu merece crescer". A estratégia visual tenta mascarar a natureza predatória do projeto sob o manto de um suposto desejo por desenvolvimento. Entre os articuladores da ação, foram identificadas figuras políticas conhecidas pela pauta anti-indígena e bolsonarista, como Roni Heck e o vereador Mayckon Pontes, evidenciando o alinhamento das elites locais com o capital internacional.
O material de convocação da mineradora entrega a fragilidade de seu discurso ao utilizar termos vagos, afirmando que o projeto "pode trazer" desenvolvimento, sem qualquer garantia real de melhoria para a classe trabalhadora. A retórica é um eco do que foi prometido durante a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Como recordam os movimentos sociais, o resultado prático daquele "progresso" foi transformar Altamira em uma cidade mais violenta ao final da década passada.
A ocupação indígena, que resiste há mais de um mês, denuncia que esse evento da mineradora em um evento público é mais um passo na tentativa de legitimar um processo de licenciamento viciado. Enquanto o governo estadual celebra obras de infraestrutura, permite que a Belo Sun avance sobre territórios de reforma agrária e ignore os impactos sinérgicos que ameaçam transformar a Volta Grande do Xingu em um deserto de rejeitos tóxicos.
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