Boletim da ocupação indígena contra a Belo Sun – Altamira (Dia 29)
O INCRA consolida-se como aliado da Belo Sun. O projeto da mineradora ameaça o abastecimento de água de 60 mil pessoas e prevê o despejo de 400 famílias, priorizando o lucro transnacional sobre a reforma agrária. O MMIMX convoca o Ato Fora Belo Sun nesta terça (24/03).
23 de março de 2026
No 29º dia de mobilização, os manifestantes e movimentos sociais intensificam a denúncia contra a atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Dados técnicos revelados apontam que a Belo Sun planeja se instalar sobre uma área de 2.428 hectares, sendo 1.439 hectares dentro do Projeto de Assentamento Ressaca (PA) e outros 989 sobrepostos à gleba federal Ituna. Esta área foi cedida à mineradora durante a gestão Bolsonaro em um acordo onde o INCRA receberia participação nos lucros — prática questionada judicialmente pela Defensoria Pública da União (DPU).
Mesmo sob o atual governo, o INCRA mantém a defesa do empreendimento, recorrendo de decisões que consideraram o acordo ilegal. Essa aliança institucional ameaça diretamente a existência das comunidades locais. Caso o projeto avance, a Belo Sun possui autorização judicial para a reintegração de posse, o que resultará na expulsão de mais de 400 famílias e exterminando as vilas Ressaca e Ouro Verde, que possuem estruturas consolidadas de moradia, comércio e educação.
A propaganda enganosa da transnacional tem focado na promessa de empregos para cooptar a opinião pública local. No entanto, os números reais são drásticos: embora preveja 2.100 trabalhadores no pico da obra, durante os 12 anos de operação o contingente máximo será de apenas 526 funcionários, um número ínfimo perto do rastro de destruição social deixado.
No aspecto ambiental, os estudos alertam para o consumo predatório de água. Para viabilizar a operação e evitar o licenciamento federal (mantendo-o na esfera estadual), a mineradora não captará água diretamente do Xingu, mas consumirá o equivalente a 4 piscinas olímpicas por dia (473,1 m³/h). Este volume seria suficiente para abastecer uma cidade de 60 mil habitantes, como Ouro Preto (MG). Em um cenário de mudanças climáticas onde as plantações de cacau e açaí da Volta Grande já sofrem com a seca, esse uso intensivo inviabilizará a agricultura familiar e a sobrevivência dos povos da região.
Embora a captação não seja direta no Rio Xingu, o risco de uma catástrofe é iminente. Um eventual rompimento da barragem de rejeitos teria o potencial de contaminar toda a bacia do Médio Xingu, além da contaminação sistemática por materiais tóxicos nos cursos d’água da área de influência direta.
Portanto, o Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIMX) reforça a necessidade de pressionar o INCRA para o cancelamento imediato do acordo de cessão de terras. Como parte dessa resistência, o movimento convoca para o ATO FORA BELO SUN, que ocorrerá nesta terça-feira, 24/03, às 9h. A concentração será a partir das 8h no Calçadão das Lojas Americanas (Rua 7 de Setembro, Altamira, PA).
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