Boletim da ocupação indígena contra a Belo Sun – Altamira (Dia 22)
No 22º dia de concentração, lideranças indígenas interditam o acesso ao aeroporto de Altamira em protesto à Belo Sun. O ato conclamou pescadores e ribeirinhos a defenderem o Rio Xingu e contou com o reforço de comunicadores indígenas do Baixo Tapajós na divulgação.
16 de março de 2026
No 22º dia de mobilização, o movimento de mulheres indígenas e lideranças do Médio Xingu intensificaram os protestos contra a mineradora Belo Sun com o fechamento da rodovia de acesso ao aeroporto de Altamira. A ação convocou pescadores, ribeirinhos e toda a população regional para a defesa do Rio Xingu e resistência contra o projeto de mineração.
O bloqueio utilizou galhos e pneus para interromper o fluxo de veículos como forma de chamar a atenção das autoridades e da opinião pública para os riscos ambientais e sociais do empreendimento da mineradora. A pauta central permanece sendo a defesa do território: contra a liberação da Belo Sun e a crítica à falta de processos adequados de consulta às comunidades tradicionais.

O Ministério Público Federal (MPF) tentou negociar com os indígenas presentes para que desocupassem o local, mas eles afirmaram que seguiriam o planejamento de permanecê-lo por um dia inteiro. No entanto, devido à insuficiência de suprimentos necessários para manter duas ocupações, os manifestantes tiveram de desocupar a rodovia às 17 horas, após cancelamento dos voos previstos para o dia, e retornaram à Funai posteriormente.
Apesar disso, hoje a mobilização contou com o reforço de comunicadores populares e da mídia independente, incluindo representantes da juventude indígena do Baixo Tapajós, que se deslocaram para Altamira para atuar na divulgação das atividades. Entre as lideranças presentes, Thaigon, do Baixo Tapajós, passou a coordenar a articulação com órgãos competentes e a mobilização de apoio logístico. Uma estrutura de comunicação local foi estabelecida em caráter provisório para realizar a cobertura e o envio de informações sobre a ocupação.
Além disso, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, da Câmara dos Deputados, anunciou uma audiência pública para a terça-feira (17/03) dessa semana, no intuito de tratar sobre as concessões das hidrovias do Arco Norte – conjunto estratégico de portos e terminais de transbordo que facilitam a logística agroexportadora de empresas transnacionais.
Devido ao caráter desenvolvimentista liberal dos convidados e da plenária, pode-se comentar que, conforme a visão do campo político desse boletim, a reunião tenha o intuito de despolitizar o debate acerca das concessões dos rios amazônicos, colocando-os como fatores de potência ao desenvolvimento econômico e facilitadoras do fluxo de mercadorias para além do tráfego viário, camuflando, pois, os impactos ambientais provenientes dessas privatizações.

Ademais, a ocupação segue organizada, mantendo a infraestrutura de apoio médico e logístico conquistada nos dias anteriores, apesar dos desafios impostos pelas condições climáticas adversas.
Aos interessados e com condições de colaborar com a manutenção do acampamento e das ações de mobilização, as doações podem ser realizadas pela chave PIX: [email protected]. Informações e atualizações estão disponíveis nos perfis: @mulheresindigenasdomedioxingu, @sos.tapajos e @aliancavgx.