Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 917

Autoridades paquistanesas pressionam o Irã a negociar com os EUA sem exigência de cessar-fogo no Líbano. Teerã resiste; um acordo amplo para cessar os ataques é condição essencial para o sucesso das negociações.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 917
Reprodução: AP.

Pressão aumenta para o Irã “abandonar” a exigência de cessar-fogo no Líbano enquanto Islamabad fica em suspenso

Autoridades paquistanesas estão pressionando a delegação iraniana em Islamabad a iniciar negociações com seus homólogos dos EUA, “abandonando” as exigências de um cessar-fogo no Líbano, de acordo com informações obtidas pelo jornalista libanês e colunista do The Cradle, Dr. Mohamad Hassan Sweidan.

“As autoridades no Líbano concordaram em adiar o cessar-fogo e em discuti-lo diretamente com Tel Aviv; portanto, vocês não podem exercer pressão em uma direção que contradiga o que os próprios libaneses aceitaram”, foi informado à delegação iraniana em 11 de abril, segundo fontes de Sweidan.

Ainda assim, autoridades iranianas expressaram que sua posição sobre um cessar-fogo em toda a região permanece firme, revelando que uma resolução final para interromper os ataques é uma “condição para o sucesso das negociações – não apenas um pedido”.

“Se a delegação iraniana chegar à conclusão de que o lado americano não é sério e que as negociações não levarão aos resultados desejados, ela se retirará e retornará a Teerã”, enfatizou Sweidan.

Segundo suas fontes, existe coordenação entre a delegação iraniana e a liderança do Hezbollah no Líbano.

Autoridades do Irã e dos EUA chegaram à capital paquistanesa no sábado para a primeira rodada de negociações indiretas em direção a um possível cessar-fogo.

A delegação iraniana é liderada pelo ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi e pelo presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, lidera a delegação de seu país. Ele está acompanhado pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, e pelo enviado especial Steve Witkoff.

Segundo relatos da TV iraniana, Teerã estabeleceu linhas vermelhas claras para as negociações de sábado: controle do Estreito de Ormuz, reparações de guerra, liberação de ativos congelados e um cessar-fogo permanente em todas as frentes da região.

Logo após Irã e EUA concordarem com um frágil cessar-fogo no início desta semana, o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam exigiu que seu país não fosse incluído no processo.

Desde então, o governo libanês concordou em realizar negociações diretas com autoridades israelenses em Washington, o que muitos no país veem como uma tentativa de normalizar relações com Israel e “enfraquecer” a resistência libanesa ao prolongar a guerra.

A pressão para ser excluído do cessar-fogo regional ocorreu apesar de uma onda de ataques israelenses em todo o Líbano nesta semana, que matou mais de 300 libaneses e feriu mais de 1.000, incluindo vários membros das forças de segurança do Estado.

Segundo o jornalista libanês Hassan Illaik, nos últimos dias, diplomatas árabes e europeus foram informados por um conselheiro próximo do presidente libanês Joseph Aoun: “A guerra deve continuar até que o Hezbollah seja eliminado.”

Um alto funcionário do Hezbollah e membro do parlamento libanês, Hassan Fadlallah, no sábado, condenou a iniciativa de Beirute como uma “violação flagrante do pacto nacional, da constituição e das leis”.

“A medida dos que controlam o governo aprofunda as divisões internas em um momento em que o Líbano precisa de unidade para enfrentar os ataques israelenses em curso, preservar a paz civil e proteger a convivência”, disse Fadlallah, acrescentando que as autoridades “deveriam ter priorizado os interesses nacionais” ao aproveitar a oportunidade internacional criada pelo apoio do Irã ao Líbano.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 mártires (1 novo mártir e 3 corpos recuperados) e 5 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 716

• Total de feridos: 1.968

• Total de corpos recuperados: 759

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.292 mártires e 172.073 feridos desde 7 de outubro de 2023.