Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 898
O ministro das Finanças da ocupação defendeu a anexação de partes do sul do Líbano e a extensão da fronteira até o rio Litani, em meio a bombardeios e à continuidade da ofensiva militar israelense na região.
Ministro israelense exige anexação do sul do Líbano
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou em 23 de março que Israel deveria anexar grandes áreas do sul do Líbano, estendendo sua fronteira até o rio Litani, enquanto forças israelenses bombardeavam pontes e destruíam casas em uma campanha militar em andamento.
Smotrich disse a um programa de rádio israelense que a campanha militar no Líbano “precisa terminar com uma realidade totalmente diferente, tanto no que diz respeito à decisão sobre o Hezbollah quanto à mudança das fronteiras de Israel”.
“Eu afirmo aqui de forma definitiva... em todas as salas e em todas as discussões: a nova fronteira israelense deve ser o Litani”, disse Smotrich.
Israel expandiu sua campanha de bombardeios e invasão do Líbano em 2 de março, dias após iniciar uma guerra contra o Irã junto com os Estados Unidos.
Desde então, Israel tem exigido que todos os moradores deixem o território ao sul do rio Litani, enquanto realiza ataques aéreos e terrestres que já mataram mais de 1.000 pessoas e deslocaram centenas de milhares.
O rio Litani flui das montanhas no leste do Líbano até o mar, no oeste, e serve como a principal fonte de água do país.
A área ao sul do Litani cobre cerca de 850 quilômetros quadrados e abriga aproximadamente 200 mil pessoas.
Unidades do Hezbollah estão ativas na área ao sul do Litani, buscando repelir a invasão israelense e impedir que o território seja anexado por Israel.
Líderes israelenses desejam conquistar o sul do Líbano há décadas, tanto para capturar seus recursos hídricos quanto para expandir as fronteiras do “Grande Israel”, que esperam que também inclua toda a Cisjordânia, Gaza, o sul da Síria, a Jordânia e partes do Iraque.
Por essas razões, Israel invadiu o Líbano em 1978 e 1982. Tropas israelenses ocuparam o sul de 1982 a 2000, quando a guerra de guerrilha do Hezbollah conseguiu forçar a retirada israelense.
A resistência libanesa busca defender o sul do Líbano em meio à oposição do governo do país, liderado por autoridades pró-Estados Unidos.
À medida que Israel começou a intensificar os ataques no início deste mês, o governo libanês proibiu a atividade militar do Hezbollah.
O ministro das Finanças israelense também defendeu que Israel anexe territórios que ocupa na Faixa de Gaza, onde também deseja “limpar” o território de sua população palestina e construir assentamentos judaicos.
Em uma tentativa de isolar o sul do Líbano do restante do país, Israel começou a destruir todas as pontes e travessias sobre o rio Litani e intensificou a demolição de casas próximas à fronteira sul — medidas que são ilegais segundo o direito internacional.
Hanna Amil, prefeito da cidade cristã fronteiriça de Rmeish, cujos moradores se recusaram a deixar suas casas, disse à Reuters que está ficando cada vez mais difícil se deslocar.
“Uma ou duas vezes por semana, um comboio do exército libanês nos acompanha enquanto tentamos obter bens básicos em áreas próximas”, disse ele.
“Já não temos eletricidade estatal, nem água, e enfrentamos escassez de diesel. Se todas as rotas para o norte forem cortadas, quem sabe o que o futuro nos reserva”, acrescentou Amil.
Comunicado do Ministério da Saúde
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 mártires (3 novos mártires e 1 que faleceu devido aos ferimentos) e 14 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 677
• Total de feridos: 1.813
• Total de corpos recuperados: 756
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.253 mártires e 171.912 feridos desde 7 de outubro de 2023.