Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 892

Juiz tunisiano ordena prisão de sete ativistas por suposta “lavagem de dinheiro” ligada a flotilha de ajuda a Gaza. A defesas denuncia a motivação política no caso, após dias de detenção e audiências no país.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 892
Reprodução: Reuters

Justiça tunisiana prende organizadores de flotilha por suposta “lavagem de dinheiro”

Um juiz tunisiano ordenou a detenção de sete ativistas antigenocídio em 16 de março, por suposta “lavagem de dinheiro” ligada a uma campanha de flotilha de ajuda a Gaza. Advogados, apoiadores e organizadores condenaram o caso como “politicamente motivado”.

Os ativistas presos ao longo do mês de março incluem Wael Naouar, Nabil Channoufi, Jawaher Channa e Sana Msahli, que atuam como principais coordenadores e membros do comitê diretor responsáveis pelo planejamento estratégico e pelas operações locais na Tunísia da Flotilha Global Sumud.

A decisão ocorreu após uma audiência no Centro Judicial Financeiro da Tunísia, depois que vários membros da iniciativa da flotilha Global Sumud já haviam passado cerca de 10 dias sob custódia policial.

As autoridades afirmam que o caso está relacionado à arrecadação de fundos realizada durante os preparativos para a primeira Flotilha Global Sumud, em setembro do ano passado.

O advogado, analista político e ativista Sami Ben Ghazi disse à AFP que a investigação se concentra nos recursos arrecadados para a campanha, embora não tenha fornecido mais detalhes sobre as acusações.

Ben Ghazi afirmou que o juiz ordenou que os ativistas permanecessem detidos até o julgamento sob a acusação de “formar um acordo para lavar dinheiro”.

Ele também criticou o processo, dizendo que seus clientes não foram devidamente interrogados antes da emissão das ordens de detenção. Em redes sociais, escreveu que “o que aconteceu hoje não foi um interrogatório substancial, mas sim a apresentação de uma enxurrada de acusações contra nossos clientes.”

Dezenas de apoiadores se reuniram do lado de fora do prédio judicial para protestar contra as prisões.

O ativista tunisiano Mahdi Elleuch disse à AFP que “o regime está reprimindo todas as formas de ativismo político e social, incluindo o apoio à causa palestina”, acrescentando que as autoridades recorrem a “acusações infundadas, especialmente de lavagem de dinheiro, contando com um judiciário submisso.”

As prisões ocorreram após tensões no início de março, quando ativistas tentaram realizar uma reunião no porto de Sidi Bou Said, perto de Túnis — local de onde uma iniciativa anterior de flotilha foi lançada e recebeu amplo apoio local.

Os organizadores disseram que o evento do início de março acabou sendo proibido, apesar de ter recebido aprovação anterior, e acusaram as autoridades de exercer “pressão e assédio de segurança” contra grupos de solidariedade pró-Palestina.

A organização Global Sumud condenou as detenções, chamando-as de “uma ruptura preocupante com a longa história de solidariedade da Tunísia com o povo palestino.”

A campanha da flotilha busca desafiar o bloqueio de Israel, levando ajuda humanitária a Gaza por via marítima. Os ativistas descrevem a iniciativa como “uma resposta não violenta ao genocídio, ao cerco, à fome em massa e à destruição da vida civil em Gaza.”

Segundo os organizadores, iniciativas semelhantes que tentaram chegar a Gaza têm enfrentado obstruções repetidas no Norte da África nos últimos anos.

Autoridades de países como Tunísia, Egito e Líbia bloquearam portos, deportaram ativistas, detiveram participantes e impuseram restrições de movimento a comboios terrestres e marítimos que tentavam alcançar o enclave sitiado, frequentemente citando preocupações de segurança ou violações regulatórias.

Grupos de direitos humanos e organizadores da campanha afirmam que essas medidas refletem uma pressão crescente sobre o ativismo da sociedade civil ligado a Gaza, apesar da ampla solidariedade pública à causa palestina em toda a região.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 5 mártires e 8 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 663

• Total de feridos: 1.762

• Total de corpos recuperados: 756

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.239 mártires e 171.861 feridos desde 7 de outubro de 2023.