Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 878

Ao longo de sua guerra genocida em Gaza, os sionistas negaram múltiplos ataques mortais contra civis palestinos, apenas para depois recuar quando evidências irrefutáveis surgiram, classificando então tais ataques como "acidentais".

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 878
Reprodução: Al Jazeera

Irã realiza funeral em massa por meninas e funcionários mortos em ataque dos EUA-Israel a escola

O Irã realizou uma cerimônia fúnebre em massa para 165 estudantes e funcionários mortos no sábado no que Teerã descreveu como um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel a uma escola feminina na cidade meridional de Minab.

Os militares sionistas afirmaram não ter conhecimento de qualquer ataque israelense ou norte-americano naquela área. Ao longo de sua guerra genocida em Gaza, Israel negou múltiplos ataques mortais contra civis palestinos, apenas para depois recuar quando evidências irrefutáveis surgiram, classificando então tais ataques como "acidentais".

A televisão estatal iraniana mostrou na terça-feira milhares de pessoas ocupando uma praça pública em Minab. Homens agitavam a bandeira da República Islâmica, mantendo-se em grande parte separados das mulheres envoltas em chadres negros.

Do palco, uma mulher que disse ser a mãe de "Atena" ergueu uma imagem impressa de retratos que chamou de "um documento dos crimes americanos". Ela acrescentou: "Elas morreram no caminho de Deus".

A multidão explodiu em gritos contra as políticas dos EUA e de Israel e bradou "Sem rendição".

O ataque ocorreu no sábado, após os EUA e Israel anunciarem ataques conjuntos contra o Irã, marcando o incidente mais mortal na guerra contra Teerã até agora, alvejando civis.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou na segunda-feira os EUA e Israel de matarem as estudantes.

"São covas sendo abertas para mais de 160 jovens inocentes que foram mortas no bombardeio dos EUA e Israel a uma escola primária. Seus corpos foram despedaçados", escreveu Araghchi no X, ao lado de uma imagem de covas recém-cavadas.

"É assim que o 'resgate' prometido pelo Sr. Trump se parece na realidade. De Gaza a Minab, inocentes assassinados a sangue frio."

As autoridades em Teerã pediram ação e solidariedade internacionais depois que vários hospitais e escolas foram impactados por ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel ao país, enquanto o Irã continua a disparar mísseis e drones pela região.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que os dois países "continuam a atacar indiscriminadamente áreas residenciais, não poupando hospitais, escolas, instalações do Crescente Vermelho, nem monumentos culturais".

O incidente foi condenado pela agência de cultura e educação da ONU, UNESCO, e pela ativista educacional e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai.

O escritório de direitos humanos da ONU pediu "uma investigação rápida, imparcial e aprofundada sobre as circunstâncias do ataque". A porta-voz Ravina Shamdasani disse que o escritório do Alto Comissário Volker Turk não tinha informações suficientes para determinar se o ataque constituía um crime de guerra.

"Isso é absolutamente horrível", disse Shamdasani, acrescentando que imagens circulando nas redes sociais capturam "a essência da destruição, desespero, insensatez e crueldade deste conflito".

Atacar deliberadamente uma instituição educacional, hospital ou qualquer outra estrutura civil é um crime de guerra sob o direito humanitário internacional.

"O Departamento de Guerra estaria investigando isso se fosse um ataque nosso, e eu encaminharia sua pergunta a eles", disse o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a repórteres na segunda-feira, quando questionado sobre o incidente.

"Os Estados Unidos não alvejariam deliberadamente uma escola", afirmou.

Durante o fim de semana, o Comando Central dos EUA disse a veículos de mídia que estava "investigando" relatos de "danos civis resultantes de operações militares em andamento".

Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para a consolidação da paz, disse na segunda-feira que estava ciente dos relatos do Irã sobre as mortes no suposto ataque e observou que autoridades dos EUA afirmaram estar analisando os relatos.

Trump está aberto a armar grupos separatistas curdos para servirem como 'força terrestre' no Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, está "aberto" a armar e apoiar organizações separatistas curdas e curdos antirregime baseados no Iraque, a fim de "expulsar o regime", disseram autoridades ao Wall Street Journal (WSJ) no dia 3 de março.

"Trump está aberto a apoiar grupos no Irã dispostos a pegar em armas para expulsar o regime", disseram eles, acrescentando que isso "transformaria facções iranianas em forças terrestres" em nome de Washington.

"Os curdos têm uma força considerável ao longo da fronteira Iraque-Irã, e Israel bombardeou posições no oeste do Irã", continua o relatório, acrescentando que isso pode abrir caminho para um "avanço".

De acordo com o WSJ, Trump não tomou uma decisão final sobre o assunto.

O relatório do WSJ surge depois que o Axios revelou que Trump recentemente teve uma conversa telefônica com Masoud Barzani, líder do Partido Democrático do Curdistão (KDP) no norte do Iraque, e Bafel Talabani, líder da União Patriótica do Curdistão (PUK).

A ligação ocorreu um dia após o bombardeio dos EUA e Israel contra o Irã ter começado. Uma fonte descreveu a ligação como "sensível" e não forneceu mais informações.

Grupos na região do Curdistão iraquiano foram alvo de ataques do Irã nos últimos dias, como parte de retaliações.

"É a visão geral, e certamente a visão de Netanyahu, de que os curdos vão sair da toca... que eles vão se levantar", disse outra autoridade ao veículo.

Grupos armados separatistas curdos iranianos desempenharam um papel fundamental nos motins mortais apoiados pelo Mossad em janeiro deste ano, incluindo o Partido da Liberdade do Curdistão (PAK na sigla original). O grupo realizou operações contra as forças de segurança do Irã durante toda a agitação, que foi finalmente reprimida por Teerã.

Por anos, o Irã tem enfrentado ataques transfronteiriços de separatistas curdos pertencentes a grupos como o PAK e o Partido Democrático do Curdistão do Irã (KDPI na sigla original).

Durante os motins de 2022 também, após a morte de Mahsa Amini, as forças de segurança foram repetidamente alvo de disparos de elementos armados ligados ao KDPI e a outras organizações militantes curdas.

No mês passado, o KDPI, o PAK e outros grupos curdos antirregime anunciaram a formação de uma coalizão contra Teerã.

Há alguns dias, a Amwaj Media noticiou que ataques aéreos israelenses e norte-americanos atingiram pesadamente a infraestrutura de segurança nas províncias de maioria curda no oeste do Irã, alimentando especulações de que Washington e Tel Aviv estão tentando enfraquecer o controle estatal iraniano nessas áreas para criar espaço operacional para grupos armados curdos exilados baseados no Iraque.

O relatório do WSJ surge num momento em que Trump recentemente lançou a ideia de uma guerra terrestre.

O presidente disse ao New York Post no dia 2 de março que não descarta colocar botas norte-americanas em solo iraniano.

"Eu não tenho 'frio na barriga' com respeito a botas no terreno – como todo presidente diz: 'Não haverá botas no terreno', eu não digo isso", afirmou, insistindo que poderia mobilizar tropas "se fosse necessário".

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 18 mártires recuperados e 2 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 631

• Total de feridos: 1.700

• Total de corpos recuperados: 753

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.116 mártires e 171.798 feridos desde 7 de outubro de 2023.