Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 875

Milhares de ativistas de ao menos 150 países preparam uma flotilha com até 200 embarcações que partirá de portos do Mediterrâneo para levar ajuda a Gaza e desafiar o bloqueio israelense mais uma vez.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 875
Reprodução: Bruna Casas/Reuters

Grupos solidários confirmam flotilha para desafiar o bloqueio de Israel a Gaza

Ativistas coordenados sob a Flotilha Global Sumud e a Coalizão da Flotilha da Liberdade anunciaram que uma frota de até 200 embarcações partirá em 12 de abril de vários portos do Mediterrâneo, em uma nova tentativa de romper o bloqueio de Israel a Gaza.

“Não se trata apenas de entregar ajuda. Trata-se de afirmar o direito dos civis de desafiar o isolamento de Gaza por meios pacíficos”, disse Dilek Tekocak, falando em uma coletiva de imprensa no distrito de Fatih, em Istambul, em nome do comitê internacional de coordenação da flotilha.

“Esta iniciativa representa a resistência civil global”, afirmou Tekocak, descrevendo o esforço como uma mobilização pacífica contra o bloqueio ilegal de Israel a Gaza, que continua apesar do cessar-fogo.

Os organizadores afirmam que o comboio reunirá mais de 200 grupos da sociedade civil e milhares de participantes de cerca de 150 países, partindo de portos mediterrâneos na Espanha, Itália e Tunísia.

As embarcações devem transportar alimentos, suprimentos médicos e mais de 1.000 profissionais de saúde, com Tekocak observando que médicos, enfermeiros, educadores, engenheiros, especialistas jurídicos e pesquisadores que documentam supostos crimes de guerra estarão entre os que estarão a bordo.

Bulent Yildirim, chefe da Fundação Turca de Ajuda Humanitária (IHH), disse que esforços de arrecadação de fundos estão em andamento na Europa, Ásia, África, Turquia e países do Golfo para garantir os navios.

“É importante que tenhamos mais de 100 navios – se Deus quiser, 200”, disse ele, acrescentando: “Quanto mais navios houver, mais difícil será para Israel detê-los. Pode até se tornar impossível. Não temos outra opção além do mar.”

Os organizadores apontam as restrições contínuas nas passagens terrestres e as entregas limitadas de ajuda como motivações centrais para a rota naval, enquanto Israel busca reduzir ainda mais a quantidade de ajuda já escassa que entra em Gaza.

A viagem planejada se baseia em várias tentativas de flotilhas com destino a Gaza lançadas desde o início do genocídio na faixa, iniciativas que posteriormente foram consolidadas sob o que agora é conhecido como Flotilha Global Sumud.

Em outubro de 2025, forças israelenses interromperam a primeira operação formal da Flotilha Global Sumud, detendo e deportando centenas de participantes. Vários ativistas alegaram posteriormente que foram submetidos a maus-tratos físicos e psicológicos durante a detenção.

Em setembro, semanas antes daquela interceptação, um drone israelense atingiu um dos navios da flotilha ao largo da costa da Tunísia, no que os organizadores descreveram como uma tentativa de incapacitar a embarcação e impedi-la de continuar rumo a Gaza.

Segundo relatos, o ataque teria sido pessoalmente autorizado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

No início daquele verão, unidades navais israelenses interceptaram a embarcação Madleen em 7 de julho de 2025 e posteriormente apreenderam a embarcação Handala no mesmo mês.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 9 mártires, sendo 6 corpos recuperados, e 4 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 618

• Total de feridos: 1.663

• Total de corpos recuperados: 732

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.082 mártires e 171.761 feridos desde 7 de outubro de 2023.