Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 871

Ocupação afirma que precisa reocupar Gaza, alegando que o Hamas se recusa a se desarmar e tenta criar um “governo paralelo”, e condiciona fim do genocídio à desmilitarização total do grupo palestino.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 871
Reprodução: Omar al-Qattaa/AFP/Getty Images.

Ocupação busca retomar ofensiva em Gaza sob alegações de “governo paralelo do Hamas”

A ocupação afirma aos EUA que precisa reentrar em Gaza e retomar o genocídio, citando a recusa do Hamas em se desarmar e os supostos planos da resistência de estabelecer um “governo paralelo” dentro do comitê apoiado pelos EUA encarregado de governar a faixa, informou a mídia israelense.

Israel disse aos EUA e ao presidente Donald Trump que “para que sua visão de paz seja concretizada – e talvez para que ele ganhe um Prêmio Nobel da Paz – o Hamas deve ser desarmado”, disse uma fonte ao Times of Israel, acrescentando que Tel Aviv está argumentando a Washington que precisa “voltar” e combater o Hamas com força total.

“O Hamas não tem intenção de abrir mão do controle sobre Gaza na prática, mesmo que o faça no nome”, afirmou o Times of Israel em sua reportagem exclusiva de 23 de fevereiro.

O veículo israelense cita documentos que afirmam que o líder do Hamas, Ezzedine al-Haddad – que substituiu o falecido Mohammad Sinwar (irmão de Yahya Sinwar) após seu assassinato – emitiu ordens para que o grupo de resistência palestino faça cópias de todos os arquivos que entregará ao novo governo.

O Hamas ainda manteria registros que poderiam posteriormente ser usados para pressionar funcionários, segundo o relatório.

“O grupo nas últimas semanas tem se concentrado em mover membros de sua ala militar para funções civis que devem se tornar parte do aparato governamental do NCAG. Ordens escritas incluem instruções específicas sobre a transferência de comandantes das Brigadas Qassam armadas do Hamas para cargos civis, para que estejam prontos para trabalhar com o novo governo tecnocrático”, afirmou.

Um relatório anterior da Reuters disse que o Hamas já nomeou cinco governadores distritais ligados às Brigadas Qassam. Ali Shaath, ligado à Autoridade Palestina (AP) e comissário-chefe do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), apoiado pelos EUA, “pode ter a chave do carro, e pode até ser autorizado a dirigir, mas é um carro do Hamas”, disseram fontes à Reuters.

O Times of Israel afirmou que os documentos mostram que o Hamas “está preparando um governo paralelo” para manter sua influência por meio do novo comitê tecnocrático.

“Há evidências de que o Hamas acredita que outro confronto militar de alta intensidade com Israel é apenas uma questão de tempo”, acrescenta o relatório israelense.

Segundo a reportagem, o Hamas não está disposto a entregar suas armas e está se preparando para outra invasão israelense.

“O Hamas está disposto a colocar suas armas pesadas – foguetes e explosivos – em armazéns guardados pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) e pelos egípcios”, acrescenta o relatório. Relatos anteriores disseram que o Hamas estaria aberto a colocar armas pesadas sob custódia árabe, possivelmente egípcia – supervisionada conjuntamente por forças europeias.

Também afirma que o movimento de resistência está disposto a entregar mapas de túneis, mas provavelmente não reportaria todos os seus túneis – pelo menos 60% dos quais ainda estariam intactos, segundo o exército israelense.

No entanto, o grupo teme se render e ficar desarmado diante de gangues de contrabando apoiadas por Israel, que os EUA supostamente pretendem usar como nova força policial para Gaza.

Também quer estar preparado para repelir uma nova invasão israelense, continua o relatório. “Para se preparar para essa luta, acredita-se que Haddad tenha reorganizado o alto conselho militar do Hamas na semana passada. Ele nomeou novos chefes de inteligência, comandantes regionais e chefes de fabricação de armas e propaganda.”

O novo governo tecnocrático, ligado à AP, ainda não entrou na faixa. O comitê deveria ter iniciado seus trabalhos dentro de Gaza há várias semanas, mas foi adiado por Tel Aviv. Atualmente, está operando no Cairo.

O Hamas anunciou publicamente estar totalmente pronto para entregar a governança, mas rejeitou abrir mão de suas armas.

Enquanto isso, autoridades israelenses ameaçam retomar a guerra total em Gaza.

“Estima-se que nos próximos dias o Hamas receberá um ultimato para se desarmar e desmilitarizar completamente Gaza”, disse o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, à Corporação de Radiodifusão de Israel (KAN) esta semana.

“Não desistimos de destruir o Hamas. Estamos dando ao presidente dos EUA a chance de fazer isso à sua maneira”, acrescentou.

“Se o Hamas não cumprir, o exército israelense receberá legitimidade internacional e apoio americano para fazer isso por conta própria. O exército já está se preparando para isso e elaborando planos. No nível político, realizamos várias discussões para ajustar esses planos”, continuou o ministro das Finanças.

“Atualmente, há duas ou três alternativas que estamos examinando para determinar qual é a mais apropriada. Uma coisa é certa: o exército entrará e conquistará Gaza se o Hamas não se desarmar.”

Israel se recusou a cumprir os termos do chamado acordo de cessar-fogo e matou mais de 600 palestinos desde que o acordo apoiado pelos EUA entrou em vigor em outubro do ano passado.

Outros relatos recentes em hebraico afirmam que Tel Aviv está fazendo planos para colapsar o acordo e reiniciar sua guerra contra a resistência.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 novos mártires e 25 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

• Total de mártires: 576

• Total de feridos: 1.543

• Total de corpos recuperados: 717

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.027 mártires e 171.651 feridos desde 7 de outubro de 2023.