Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 870
O Ministério da Defesa da ocupação classificou cinco mídias palestinas sediadas em Jerusalém Oriental como “organizações terroristas”, alegando vínculos com o Hamas. A medida foi validada pelo procurador-geral.
Ocupação classifica cinco meios de comunicação palestinos como “organizações terroristas”
O Ministério da Defesa de Israel designou cinco plataformas de notícias palestinas em Jerusalém Oriental ocupada como “organizações terroristas”, alegando “incitação” e vínculos com o movimento de resistência palestino Hamas, informou o Canal 12 de Israel em 22 de fevereiro.
“O ministro da Defesa, Israel Katz, assinou uma ordem designando essas plataformas como organizações terroristas, e o procurador-geral confirmou que não há impedimento legal”, informou o Canal 12, acrescentando que os veículos “são acusados de incitação ao focarem nos acontecimentos em Jerusalém (Oriental) e na Mesquita de Al-Aqsa”.
A ordem tem como alvo as plataformas Alasima News, M3raj Network, Al-Quds Albawsala Network, Maydan Al-Quds e Plus Quds Network, nenhuma das quais mantém escritórios em Jerusalém Oriental ocupada.
A Alasima News afirmou que suspenderá todas as atividades de mídia até novo aviso, enquanto as outras quatro plataformas não comentaram imediatamente.
“Em mais um passo que se soma ao histórico de repressão e silenciamento de Israel, a ocupação proibiu o trabalho de várias redes de notícias baseadas em Jerusalém, numa tentativa de isolar Jerusalém e a Mesquita de Al-Aqsa, monopolizá-las e suprimir suas notícias do mundo”, afirmou a Alasima em comunicado.
O veículo expressou orgulho “pelo que conquistou nos últimos anos”, destacando que seu lema “sempre foi fazer de Jerusalém o foco e a bússola da causa (palestina)”.
“A proibição israelense não esconderá a verdade. Silenciar a câmera não silenciará Jerusalém. A narrativa escrita em sangue e resistência é mais forte do que qualquer proibição”, acrescentou.
Grupos de direitos humanos identificaram Israel como o país mais letal para jornalistas nos últimos anos, com mais de 250 profissionais de mídia mortos desde o início do genocídio em Gaza, em diferentes frentes sob controle israelense.
Enquanto isso, repórteres estrangeiros independentes continuam proibidos de entrar em Gaza, exceto por meio do exército israelense.
A repressão de Israel às liberdades palestinas se intensificou paralelamente a um aumento significativo nos ataques violentos de colonos na Cisjordânia ocupada.
No último ano, ataques e repressões israelenses deslocaram cerca de 25 mil palestinos dos campos de refugiados de Tulkarem e Nour Shams, na Cisjordânia ocupada, segundo autoridades locais, com incursões, destruição de infraestrutura e fechamentos prolongados forçando famílias a deixarem suas casas.
A campanha mais ampla de agressão, lançada em janeiro de 2025 e centrada nos campos de refugiados de Jenin e Tulkarem, desalojou aproximadamente 40 mil pessoas em toda a Cisjordânia ocupada somente neste ano, enquanto imagens de satélite mostram que quase metade dos edifícios do Campo de Nour Shams foi danificada ou destruída desde o início do ano passado.
O ataque mais recente de colonos viu parte da Mesquita Abu Bakr al-Siddiq, na vila de Tell, perto de Nablus, ser incendiada e vandalizada com pichações racistas.
Desde 7 de outubro de 2023, mais de 1.000 palestinos foram mortos por colonos e soldados na Cisjordânia.
Dados oficiais citados pelo Times of Israel mostram que mais de 99% das queixas apresentadas por palestinos contra soldados israelenses nos últimos anos foram arquivadas sem denúncia formal, com apenas 23 denúncias entre 2.427 queixas registradas entre 2016 e 2024.
O gabinete de segurança de Israel aprovou em 8 de fevereiro novas medidas destinadas a reformular drasticamente o arcabouço jurídico e civil da Cisjordânia ocupada, permitindo que Tel Aviv amplie ainda mais assentamentos ilegais e fortaleça seu controle sobre o território.
Durante o mês do Ramadã, as autoridades israelenses restringiram fortemente a entrada de palestinos da Cisjordânia em Jerusalém a 10 mil fiéis para as primeiras orações de sexta-feira na Mesquita de Al-Aqsa – muito abaixo dos 250 mil registrados em anos anteriores – impondo restrições de idade e permissões que deixaram centenas retidos em postos de controle.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 novos mártires e 25 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
• Total de mártires: 576
• Total de feridos: 1.543
• Total de corpos recuperados: 717
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 72.027 mártires e 171.651 feridos desde 7 de outubro de 2023.