Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 852

As tratativas do ‘Conselho Mundial da Paz’ de influenciar a Comissão Nacional para a Administração de Gaza buscam operar como tutela externa, imposição da ocupação e esvaziamento das funções do órgão.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 852
Reprodução: Anna Moneymaker / Getty Images.

FPLP: Gaza não será um campo de tutela estrangeira

A Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP) renova suas reservas quanto ao papel do chamado “Conselho Mundial da Paz”, reafirmando sua posição firme anunciada na reunião das facções em 15 de janeiro de 2026, quando alertou para a tentativa desse conselho de impor sua tutela sobre os palestinos e retirar-lhes o direito à autodeterminação.

Hoje, diante das tentativas desse conselho de dirigir o trabalho da “Comissão Nacional para a Administração de Gaza” como instrumento para implementar as condições da ocupação, a Frente exige que a Comissão Nacional para a Administração de Gaza mantenha total vigilância e não se alinhe às propostas do “Conselho da Paz” e a seus objetivos maliciosos, que buscam esvaziar as atribuições da comissão de seu conteúdo e transformá-la em um instrumento executivo de projetos externos suspeitos.

A Frente enfatiza que sua concordância com o objetivo de formar essa comissão partiu da convicção de que se trata de um órgão exclusivamente palestino, cujas decisões e funções têm origem e finalidade palestinas, e que uma das razões de sua criação é deter a guerra de extermínio e frustrar os planos de deslocamento forçado.

Por isso, a Frente afirma que as tarefas da comissão administrativa são um assunto interno puramente palestino, limitadas à gestão dos assuntos da Faixa de Gaza e à condução dos dossiês de ajuda humanitária e reconstrução de forma transitória e necessária, garantindo a resistência do nosso povo e bloqueando o caminho para referências estrangeiras suspeitas, até a formação de um governo de consenso nacional abrangente que assuma suas responsabilidades em Gaza e na Cisjordânia ocupada, preservando a unidade da terra e da causa e impedindo qualquer tentativa de separar os caminhos políticos ou aprofundar a divisão.

A Frente considera que as movimentações do “Conselho da Paz” são uma extensão direta da lógica colonial que entregou a Palestina aos invasores desde a Declaração Balfour, e uma tentativa de substituir o direito internacional pela “lei da força”, às custas dos direitos dos povos e da justiça humana.

Com base nisso, a Frente reforça um conjunto de diretrizes nacionais que a comissão nacional deve cumprir como pilares inegociáveis e inalteráveis, consideradas “linhas vermelhas” obrigatórias que impõem a rejeição de qualquer concessão a respeito delas, a saber:

  1. A reconstrução é um direito legítimo e adquirido do nosso povo e deve ocorrer sem condições; rejeitamos categoricamente vinculá-la a quaisquer concessões políticas ou projetos de segurança que sirvam à agressão.
  2. Os currículos educacionais e a identidade nacional palestina são uma “linha vermelha”; não permitiremos qualquer intervenção estrangeira ou americana que vise distorcer a consciência ou apagar a identidade sob pretextos de “desenvolvimento” ou “paz”.
  3. Rejeição à substituição das instituições nacionais ou das organizações internacionais regidas pelo direito internacional por quaisquer entidades internacionais, incluindo o “Conselho da Paz”, e consideramos qualquer cooperação nesse contexto uma violação flagrante do consenso nacional.

4.    Gaza continuará sendo parte inseparável do corpo político palestino unificado, e qualquer tentativa de transformar sua administração em porta de entrada para uma tutela abrangente será esmagada pela vontade do nosso povo resistente.

A Frente Popular, ao recordar os sacrifícios do povo palestino e alertar para os perigos que estão sendo tramados, afirma que um povo que resistiu ao genocídio e aos planos de liquidação não se deixará enganar por essas conspirações e continuará sua luta até conquistar plenamente seus direitos.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 novos mártires, 1 mártir resgatado dos escombros e 6 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

  • Total de mártires: 492
  • Total de feridos: 1.356
  • Total de corpos recuperados: 715

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 71.667 mártires e 171.343 feridos desde 7 de outubro de 2023.