Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 844

Ocupação prepara no sul de Gaza um campo de concentração sob vigilância rígida para palestinos em área devastada por bombardeios, como parte de planos para deslocar a população palestina da Faixa.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 844
Reprodução: AFP / Eyad Baba.

Ocupação prepara campo de concentração no sul de Gaza

A ocupação sionista limpou uma área no sul de Gaza para a construção de um campo de concentração rigidamente vigiado para palestinos, como preparação para seu deslocamento da faixa, informou a Reuters em 28 de janeiro, citando um general israelense reformado que assessora o exército.

O general de brigada da reserva, reformado, Amir Avivi, disse à agência de notícias em entrevista que o campo seria construído em uma área de Rafah que foi destruída por bombardeios israelenses e cujos escombros foram removidos por escavadeiras.

“Avivi disse que o campo seria usado para abrigar palestinos que desejam deixar Gaza e atravessar para o Egito, bem como aqueles que desejam ficar”, escreveu a Reuters.

Avivi não fala em nome do exército israelense. No entanto, é considerado influente devido ao seu papel como fundador do influente Fórum de Defesa e Segurança de Israel, um grupo que representa milhares de reservistas militares israelenses.

Os comentários de Avivi ocorrem enquanto Israel se prepara para uma “reabertura limitada” da passagem de fronteira de Rafah, em Gaza, com o Egito, como parte do plano de 20 pontos do presidente dos EUA, Trump, para a faixa.

A Reuters informou no início deste mês que “Israel quer garantir que mais palestinos deixem Gaza do que os que têm permissão para entrar”.

Imediatamente após o início dos bombardeios e da invasão israelense de Gaza, em outubro de 2023, o Ministério da Inteligência de Israel propôs expulsar os 2,3 milhões de palestinos de Gaza sob o pretexto de preocupações humanitárias.

Desde então, Israel destruiu sistematicamente Gaza, garantindo que a faixa se torne inabitável e dando aos palestinos pouca escolha além de abandonar suas casas destruídas e sair para o Egito e além, se permitido.

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, defendem a anexação de Gaza para estabelecer assentamentos para israelenses judeus em terras palestinas confiscadas.

O general de brigada Avivi afirmou que, atualmente, “não há quase nenhum habitante de Gaza em Rafah”, que permaneceu sob controle israelense completo após o cessar-fogo que entrou em vigor em outubro.

A maioria dos palestinos em Gaza foi forçada a se concentrar nos cerca de 47% do território de Gaza que não estão sob controle direto de Israel, onde vivem principalmente em tendas improvisadas, em condições horríveis e sob as chuvas frias do inverno.

“É preciso construir infraestrutura em Rafah que possa acolhê-los, e então eles poderão escolher se querem ir ou não”, disse Avivi.

Ele acrescentou que a estrutura provavelmente seria “um grande campo organizado”, no qual a entrada e a saída seriam monitoradas e controladas em postos de controle israelenses usando reconhecimento facial biométrico.

Avivi acrescentou que o exército israelense estava se preparando para uma nova ofensiva militar, incluindo a retomada de ataques à Cidade de Gaza, sob o pretexto de desarmar o Hamas.

O campo de concentração a ser construído em Rafah poderia ser usado para abrigar palestinos que fugissem de uma nova ofensiva israelense, acrescentou Avivi.

“Os planos estão definidos. O exército está pronto para receber o comando do governo, do gabinete, para renovar suas manobras em Gaza”, disse Avivi.

Ataques israelenses desde o cessar-fogo mataram mais de 480 palestinos em Gaza, enquanto pelo menos 71 mil foram mortos por Israel desde o início do genocídio, segundo autoridades de saúde em Gaza.

No entanto, outras estimativas do número de mortos sugerem que centenas de milhares de palestinos podem ter sido mortos.

De acordo com o Comitê Nacional para Pessoas Desaparecidas, “mais de 10 mil palestinos permanecem enterrados sob os escombros de Gaza, decompondo-se em silêncio, perdidos e sem identidade”.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 4 novos mártires, 1 mártir resgatado dos escombros e 6 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

  • Total de mártires: 492
  • Total de feridos: 1.356
  • Total de corpos recuperados: 715

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 71.667 mártires e 171.343 feridos desde 7 de outubro de 2023.