Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 843

Israel se prepara para negociar com os EUA um novo acordo de segurança de 10 anos para manter o apoio militar, priorizando projetos conjuntos de defesa em vez de repasses diretos, com previsão para as próximas semanas.

Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 843
Reprodução: Jack Guez / AFP via Getty Images.

Israel em negociações para “acordo de segurança” com EUA

O governo israelense está se preparando para iniciarnegociaçõespara um novo acordo de segurança de 10 anos com os EUA, com o objetivo de estender o apoio militar de Washington a Tel Aviv.

Gil Pinchas, ex-chefe de assessoria financeira do Exército israelense — que deixou o cargo nesta semana — disse ao Financial Times que Israel pretende “priorizar” projetos militares e de defesa conjuntos com os EUA em detrimento de “transferências diretas de dinheiro”.

Ele ainda afirmou que espera que as negociações ocorram nas próximas semanas.

“A parceria é mais importante do que apenas a questão financeira líquida neste contexto… há muitas coisas que equivalem a dinheiro. A visão sobre isso precisa ser mais ampla”, acrescentou.

O memorando de entendimento de dez anos entre Israel e os EUA está previsto para expirar em dois anos. Pelo acordo, Israel tem recebido quase US$ 4 bilhões por ano de Washington.

Esse “dinheiro gratuito” é “um componente do MOU [memorando de entendimento] que pode diminuir gradualmente”.

O acordo atual também inclui centenas de milhões de dólares por ano para projetos conjuntos, como o Domo de Ferro e outros sistemas de defesa aérea que interceptam foguetes, mísseis e drones.

Israel pretende discutir “projetos atuais e futuros de desenvolvimento conjunto de sistemas militares que poderiam continuar de forma ad hoc, e não necessariamente como parte de um novo acordo decenal previamente estabelecido”, disse a ex-autoridade.

“Você coloca dinheiro e eles colocam dinheiro e ambos ganham. Precisamos ver o que o lado americano diz.”

Segundo Pinchas, sistemas de defesa aérea e aviões de guerra dos EUA posicionados por toda a Ásia Ocidental para proteger Israel são “exemplos” de ajuda americana que vão “além” do acordo atual entre EUA e Israel e valem “muitos bilhões a mais”.

O relatório surge em um momento em que Israel está em alerta máximo diante de ameaças dos EUA de atacar o Irã e de uma possível retaliação da República Islâmica.

Os EUA deslocaram um porta-aviões, esquadrões adicionais de caças e outros ativos para a região em um grande reforço militar que muitos descrevem como um prelúdio para uma guerra iminente contra o Irã.

Isso ocorre também poucas semanas após o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmar que Tel Aviv espera “reduzir gradualmente” sua dependência da ajuda militar dos EUA na próxima década.

Netanyahu disse que Israel não deveria depender de ajuda militar estrangeira, mas não especificou uma data para a independência total em relação aos EUA.

“Quero reduzir gradualmente o apoio militar nos próximos 10 anos”, declarou Netanyahu. Questionado se isso significaria uma redução “até zero”, ele respondeu: “Sim”.

No início deste mês, o jornal israelense Haaretz citou documentos dos EUA segundo os quais Washington pode financiar a construção de uma nova fábrica israelense de veículos blindados com até US$ 2 bilhões em recursos de ajuda militar.

O projeto estava inicialmente estimado em US$ 1,5 bilhão. Em agosto do ano passado, o Jerusalem Post informou que nenhum dos anúncios relacionados ao projeto incluía financiamento estrangeiro.

Isso aumentaria a ajuda anual de Washington a Israel, hoje em US$ 3,8 bilhões. Além da ajuda anual, os EUA forneceram a Israel US$ 21,7 bilhões em assistência militar direta desde o início do genocídio em Gaza.

Comunicado do Ministério da Saúde

Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:

Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 3 novos mártires e 8 feridos.

Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.

Desde o cessar-fogo (11 de outubro):

•Total de mártires: 484

•Total de feridos: 1.321

•Total de corpos recuperados: 713

O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 71.657 mártires e 171.399 feridos desde 7 de outubro de 2023.