Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 836
Abu Dhabi aceita convite para integrar o “Conselho da Paz” de Donald Trump para Gaza. EAU continuam apoiando grupos armados responsáveis por atrocidades, como saqueadores ligados ao Daesh em Gaza e as RSF no Sudão.
Emirados Árabes concordam em integrar o “Conselho da Paz” de Trump para Gaza
O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al-Nahyan, aceitou um convite dos Estados Unidos para integrar o chamado “Conselho da Paz” do presidente norte-americano Donald Trump para Gaza, anunciou o Ministério das Relações Exteriores dos EAU em 20 de janeiro.
A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro dos EAU, Abdullah bin Zayed Al-Nahyan, que afirmou que a medida reflete a importância de “implementar plenamente” o plano de 20 pontos de Trump para Gaza.
Ele argumentou que o plano é “crítico para a concretização dos direitos legítimos do povo palestino”, linguagem que espelha o enquadramento de Washington, apesar do histórico de abusos, violações e crimes de guerra de Israel em Gaza.
O primeiro-ministro também manifestou confiança na liderança de Trump, citando os Acordos de Abraão, e afirmou que os EAU estão “prontos para contribuir ativamente” para a missão do conselho.
Separadamente, o Ministério das Relações Exteriores dos EAU confirmou que Abu Dhabi atuará dentro do conselho para apoiar a “cooperação, estabilidade e prosperidade para todos”.
Embora apresentada como um mecanismo de paz, a iniciativa promove uma estrutura liderada pelos EUA moldada sem responsabilização pelo genocídio de Israel em Gaza – uma realidade que permanece sem contestação nas declarações dos EAU.
Ainda assim, a adesão dos EAU à estrutura de “paz” de Washington para Gaza contrasta com evidências crescentes de que Abu Dhabi continua financiando e viabilizando forças armadas aliadas acusadas de algumas das piores atrocidades em curso em Gaza, no Sudão e no Iêmen.
Documentos vazados e imagens citados por veículos palestinos apontam que os EAU apoiam gangues armadas na Faixa de Gaza, responsáveis por saquear grande parte da já escassa ajuda que entra no território durante o genocídio e a fome que atingiu o enclave.
Essas gangues incluem o notório grupo Abu Shabab, que teria recebido armas, veículos com placas emiradenses e apoio coordenado de mídia, no que fontes descrevem como um esforço para minar a resistência palestina ao fortalecer elementos armados rivais dentro do enclave.
Os EAU também desempenham um papel direto nas atrocidades cometidas no Sudão.
O Tribunal Penal Internacional alertou que as Forças de Apoio Rápido (RSF), apoiadas e armadas pelos EAU, estão realizando uma campanha sistemática de atrocidades em Darfur, incluindo estupro, execuções, detenções arbitrárias, tortura e assassinatos em massa durante o cerco e a captura de El-Fasher.
Promotores afirmam que estão preparando pedidos de mandados de prisão com base em evidências de vídeo, áudio e satélite.
No Iêmen, o Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos EAU – cerca de um mês antes de anunciar sua dissolução – lançou uma ofensiva no início de dezembro de 2025 para consolidar o controle sobre as províncias do sul do país, provocando ataques aéreos sauditas e expondo tensões abertas com Riad. Em seguida, Abu Dhabi anunciou uma retirada militar completa de todo o território iemenita até 2 de janeiro, sob pressão da Arábia Saudita e do governo iemenita.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 1 novo mártir e 6 feridos. Registrou-se ainda a morte de uma criança de 27 dias em decorrência do frio intenso, elevando para 8 o número de mortes de crianças por frio desde o início do inverno.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro):
- Total de mártires: 464
- Total de feridos: 1.275
- Total de corpos recuperados: 712
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 71.548 mártires e 171.353 feridos desde 7 de outubro de 2023.