Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 830
Figuras centrais para a nova administração de Gaza apoiada pelos EUA estiveram à frente da ‘Fundação Humanitária de Gaza’, esquema responsável por causar a morte de centenas de palestinos.
‘Conselho de Paz’ de Trump para Gaza está repleto de nomes da FHG
Muitas das figuras que surgem como atores-chave na nova administração para Gaza apoiada pelos EUA foram centrais na Fundação Humanitária de Gaza (FHG), segundo reportagem do Financial Times.
A Fundação Humanitária de Gaza foi um esquema de ajuda humanitária EUA-Israel introduzido em maio, responsável pela morte de centenas de palestinos famintos que buscavam auxílio.
De acordo com o Financial Times, o comitê executivo de Gaza que deve ser anunciado em breve – e que operará diretamente sob um ‘Conselho da Paz’ liderado por Trump – está sendo “moldado” por várias pessoas próximas a Israel.
Entre elas está o principal assessor militar do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Roman Gofman, e o investidor israelo-americano Michael Eisenberg, que vem assessorando o premiê israelense desde o início do cessar-fogo.
Outros envolvidos são o formulador de políticas israelo-americano Aryeh Lightstone e o empresário israelense de cibersegurança Liran Tancman, ligado ao Mossad.
Todos esses quatro homens estiveram envolvidos na criação da Fundação Humanitária de Gaza. O esquema mortal de ajuda resultou na morte de cerca de 2.000 palestinos em meio ano.
Sob o pretexto de assistência humanitária, palestinos foram amontoados em espaços apertados e receberam quantidades limitadas de ajuda durante meses, enquanto tropas israelenses e contratados norte-americanos frequentemente abriam fogo contra pessoas desarmadas que buscavam auxílio.
O anúncio do ‘Conselho da Paz’ de Trump deveria ocorrer nesta semana, mas foi adiado. Segundo relatos, o comitê executivo que operará sob o conselho pode ser anunciado já na quarta-feira.
“Dezoito autoridades palestinas receberam convites para integrar o comitê que substituirá o Hamas”, disseram fontes ao New Arab.
Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Palestina, foi designado para chefiar o comitê, enquanto o oficial aposentado de inteligência Mohammed Nisman deve assumir o controle da segurança.
Segundo as fontes, o comitê está programado para realizar sua reunião na capital do Egito na quinta-feira.
O ‘Conselho da Paz’, que será anunciado posteriormente, deve incluir 15 líderes mundiais de países como Reino Unido, França, Alemanha, Arábia Saudita, Qatar e Egito.
O Hamas afirmou repetidamente que está pronto para transferir a governança a um órgão independente de palestinos tecnocratas, conforme previsto na trégua.
O grupo rejeita o desarmamento até que um Estado palestino independente seja formado, mas expressou abertura a uma iniciativa que “congele” suas armas por um período.
O movimento ressaltou que a segunda fase do acordo de cessar-fogo não pode começar enquanto Israel não interromper todas as violações.
Israel matou pelo menos 442 palestinos desde que o ‘cessar-fogo’ apoiado pelos EUA foi alcançado em outubro do ano passado, informou o Ministério da Saúde de Gaza. Mais de 1.200 pessoas ficaram feridas.
A ocupação continua a atacar civis de forma indiscriminada, justificando os ataques sob o pretexto de supostas ‘ameaças à segurança’, enquanto persiste na perseguição violenta de líderes da resistência sem considerar os termos do acordo de cessar-fogo. O bloqueio a Gaza também permanece em vigor, aprofundando ainda mais a crise humanitária.
Fontes disseram ao Times of Israel, em reportagem publicada em 11 de janeiro, que o exército israelense elaborou planos para um novo ataque na Faixa de Gaza – com o objetivo de expandir as áreas sob controle de Tel Aviv, em violação ao cessar-fogo.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 5 mártires e 6 feridos.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro de 2025):
- Total de mártires: 447
- Total de feridos: 1.246
- Total de corpos recuperados: 697
O número total de vítimas da agressão israelense chegou a 71.424 mártires e 171.324 feridos desde 7 de outubro de 2023.