Atualização sobre a Tempestade Al-Aqsa: dia 819
Impulsionados pela crise econômica e colapso da moeda, protestos se espalham pelo Irã, com intensa repressão pelas forças de segurança. Ali Khamenei classificou “tumultos” como inaceitáveis e defendeu conter manifestantes.
Khamenei se pronuncia sobre protestos no Irã
Em 2 de janeiro, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, abordou os protestos que têm atingido a República Islâmica nos últimos dias, durante um encontro com familiares dos iranianos mortos na guerra de 12 dias.
“Protestar é um direito, mas protestar é diferente de tumultuar”, disse o líder iraniano, acrescentando que os manifestantes devem ser envolvidos por meio do diálogo. Ao mesmo tempo, afirmou os saqueadores “devem ser contidos e receber uma lição”.
“Quando um comerciante observa a queda do valor da moeda nacional e a instabilidade das taxas de câmbio, seja para moeda local ou estrangeira, e a falta de estabilidade no ambiente de negócios que acompanha isso, ele diz que não consegue realizar seu trabalho – e ele está certo”, ressaltou Khamenei.
Khamenei enfatizou que tentativas de minar a segurança nacional sob o pretexto de reivindicações econômicas são “inaceitáveis” e pediu vigilância diante do que descreveu como “interferência constante do inimigo”.
Os protestos de rua começaram após o colapso da moeda iraniana como resultado das sanções de “pressão máxima” dos EUA, levando lojistas do Grande Bazar de Teerã a entrarem em greve.
Entretanto, as principais raízes dos protestos devem ser buscadas nas desastrosas políticas socioeconômicas do regime: a intensificação sem precedentes da pobreza, inflação superior a 40%, a forte desvalorização da moeda nacional, a alta descontrolada das taxas de câmbio, a queda do poder de compra da população, a corrupção generalizada e o rentismo, bem como a continuidade das sanções desumanas impostas pelo imperialismo dos EUA e seus aliados.
Embora as manifestações inicialmente tenham permanecido pacíficas, algumas posteriormente se tornaram violentas em várias províncias, diante da presença ostensiva das forças armadas de repressão, que atacaram os manifestantes com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Em Teerã, apesar da forte presença de forças de segurança e repressão, a dimensão dos protestos se expandiu significativamente, onde unidades especiais da Guarda Revolucionária dispararam contra as pessoas. O número exato de detidos e feridos nesses ataques permanece desconhecido.
Diante do quadro extremamente sensível, num momento em que a repulsa da maioria da sociedade em relação ao regime teocrático no poder atingiu seu auge, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Washington estava “pronto para agir” contra o Irã e ameaçou “resgatar” os manifestantes caso as forças de segurança os matassem. Ao mesmo tempo, o Mossad de Israel instou publicamente os iranianos a irem às ruas.
Nesse contexto, a posição constitui uma tentativa flagrante de interferência nos desenvolvimentos internos do Irã, especialmente quando o governo iraniano demonstra-se totalmente incapaz de se livrar da crise, da instabilidade e do medo constante do povo, e busca prolongar sua sobrevivência apenas por meio da repressão e dos aparatos militares.
A interferência imperialista dos EUA nos assuntos internos iranianos constitui uma clara violação da soberania nacional do Irã e serve apenas para assegurar os interesses imperialistas no Oriente Médio e no Golfo Pérsico.
Dadas as políticas do governo de extrema direita de Trump e seu total alinhamento com o governo criminoso e genocida de Netanyahu, que lidera a máquina de guerra de Israel, qualquer intervenção nos assuntos internos do Irã não apenas é manifestamente prejudicial à revolta popular contra a República Islâmica, como também pode trazer consequências catastróficas para o país.
Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e assessor próximo de Khamenei, aproveitou-se da declaração de Trump para rotular o recente movimento de protesto no país como uma conspiração dos EUA, afirmando, entre outras coisas: “Com as posições assumidas por autoridades israelenses e por Trump, os bastidores do caso tornaram-se claros.”
A mídia ligada ao governo no Irã também se aproveitou da situação e, apesar de Pezeshkian ter reconhecido a legitimidade dos protestos populares, enfatizou a necessidade de intensificar a repressão às manifestações.
Comunicado do Ministério da Saúde
Relatório estatístico periódico sobre o número de mártires e feridos devido à agressão sionista na Faixa de Gaza:
Nas últimas 24 horas, chegaram aos hospitais da Faixa de Gaza 2 mártires, sendo 1 novo e 1 recuperado dos escombros, além de 1 ferido.
Ainda há várias vítimas sob os escombros e nas ruas, e as equipes de ambulância e da defesa civil continuam impossibilitadas de chegar até elas até o momento.
Desde o cessar-fogo (11 de outubro de 2025):
- Total de mártires: 416
- Total de feridos: 1.153
- Total de corpos recuperados: 683
O número total de vítimas da agressão israelense aumentou para 71.271 mártires e 171.233 feridos desde 7 de outubro de 2023.