A posição do PCBR para as eleições em Goiás

A posição do PCBR para as eleições em Goiás
Nota política do PCBR em Goiás

O PCBR em Goiás vem a público apresentar seus apoios eleitorais e seu posicionamento sobre o cenário local. A partir da linha nacional do Partido para as eleições burguesas de 2026, desdobrando elementos do programa partidário, analisamos que há, como em praticamente todas as localidades, a primazia dos candidatos da burguesia, inclusive uma divisão no campo da extrema-direita. Já o campo progressista se mostra, mais uma vez, rebaixado e rendido às premissas neoliberais, sem mobilizar a classe trabalhadora, com candidaturas ao governo e ao senado impopulares e até desconhecidas, tendo apenas algumas poucas candidaturas a deputado federal e estadual minimamente capazes de engajar frações da classe trabalhadora e da juventude, mas ainda assim totalmente presas aos limites do social-liberalismo.

Aplicando a tática nacional do PCBR, de oposição à frente ampla e à extrema-direita enquanto dois projetos burgueses – claro que com diferenças –, buscamos o diálogo e a construção da unidade do nosso campo no estado. Porém, dos três partidos da esquerda revolucionária, dois não lançaram candidatos no estado (PSTU e PCB). Apenas a UP tem suas candidaturas, cenário que demonstra a pouca capilaridade dos comunistas na região, o que também é uma realidade nacional. Com relação ao PSOL, há um grupo comunista local com uma candidatura, mas todo o restante do partido está a reboque completo do projeto petista.

Buscando intervir, com os limites conhecidos, nas eleições burguesas para agitar o programa da Revolução Brasileira e impactar na luta de classes local, o PCBR em Goiás faz um apoio crítico à seguintes candidaturas:

- Presidência da República: Hertz Dias (PSTU), decisão nacional do Comitê Central, devido à maior proximidade entre nossos programas, especialmente na leitura dos setores estratégicos do capitalismo brasileiro e do entendimento do papel tático de uma candidatura socialista.

- Governo do Estado: Luciana Amorim (UP), única candidatura comunista ao governo, que tem como pautas principais a luta sindical e a luta feminista classista.

- Senado Federal: Guilherme Darques (UP), única candidatura comunista ao senado, que tem como pauta principal a luta por moradia. Para 2º voto ao senado, declaramos voto nulo.

- Câmara dos Deputados Federal: Fernando Viana (PSOL) para deputado federal, quadro comunista histórico de Goiás, que tem como pauta principal a luta sindical dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e da cultura.

- Assembleia Legislativa de Goiás: Larissa Moura (UP) para deputada estadual, que tem como pauta principal a luta feminista classista.

 

Declaramos voto nesses nomes pela sua luta comunista e suas qualidades políticas no enfrentamento à burguesia goiana, mas apontamos criticamente os limites de todas essas candidaturas. Em resumo, com relação à UP, criticamos, com camaradagem, a dificuldade de construção da unidade de ação em variadas lutas e os limites programáticos para levar adiante a estratégia socialista; no caso de Fernando Viana, embora haja muita disposição de seu grupo em construir um campo comunista forte em Goiás, a declaração explícita de apoio à frente ampla no pleito presidencial, já nesse 1º turno, enfraquece a independência de classe da candidatura, motivo de nossa crítica.

Por fim, é importante dizer que nossa militância em Goiás está bem alinhada com os objetivos táticos e o sentido programático de intervir nessas eleições: superar tanto o abstencionismo quanto o eleitoralismo para defender a independência de classe nos movimentos de massa; agitar a defesa da Revolução Brasileira; elevar a consciência das massas sobre a necessidade de derrotar o capitalismo e seu Estado burguês; comunicar-se com a classe trabalhadora combatendo falsas promessas reformistas; reafirmar a necessidade de organização dos trabalhadores e trabalhadoras sob formas avançadas de luta popular e proletária, que superem os movimentos populares espontâneos e os sindicatos e que enfrente as instituições burguesas. Além disso, no cenário estadual/local, considerou-se que o enfrentamento às variações da extrema-direita e dos projetos da burguesia – bolsonarismo, caiadismo, marconismo – impele ainda mais à necessidade de unidade de ação, demarcando uma posição anticapitalista, socialista e revolucionária em Goiás.